Dania Akeel é licenciada em História Moderna e Política, pela Universidade Royal Holloway de Londres, e tem um mestrado em “Negócios Internacionais”, um canudo com o selo da Hult International Business School.

Mashael Al-Obaidan licenciou-se em Engenharia de Sistemas (Universidade Loyola Marymount, em Los Angeles), adquirindo igualmente um mestrado na mesma área.

Nasceram na Arábia Saudita, apresentam o mesmo ano de nascença no documento de identificação (33 anos), estudaram fora do país e têm feito história no desporto automóvel na monarquia islâmica.

Akeel, recém-campeã mundial de Bajas Cross Country (categoria T3 Cam-Am), foi a primeira piloto na Arábia Saudita a receber uma licença para Superbikes (2019) e rookie do ano na Ducati Cup durante a temporada 2019-2020 Sportsbike Superseries nos Emirados Árabes Unidos (EAU).

Al-Obaidan, por sua vez, foi a primeira saudita a participar numa competição fora da região arábica (Baja de Aragão, Espanha, na qual terminou em 7.º lugar).

Dania Akeel e Mashael Al-Obaidan, ambas da equipa “South Racing Middle East”, categoria T3 Can-Am, vão participar, pela primeira vez, no Rali Dakar. A prova arranca dia 1, num prólogo em Jeddah, cidade portuária no Mar Vermelho, e termina a 14 de janeiro, 8.375 quilómetros (4.258 dos quais cronometrados) e 12 etapas depois na mesma cidade que dista 60 km de Meca, uma maratona com direito a um dia de descanso pelo meio (8 de janeiro, em Riade, capital do Reino).

Akeel, presença assídua no bivouac do Dakar nos dois anos anteriores e Al-Obaidan, participou numa etapa na estreia da mítica prova na Arábia Saudita. Serão, assim, em 2022, as primeiras pilotos sauditas a aventurarem-se do deserto arábico da mais dura competição de todo-o-terreno.

Uma participação no rali dos duros possível após convite do príncipe Khalid Bin Sultan Al-Abdullah Al-Faisal, presidente da Federação Saudita de Automóveis e Motos (SAMF).

Servir de modelo para as mulheres sauditas

Nas vésperas da primeira participação no Rali Dakar, Dania Akeel espera servir de modelo para as mulheres da Arábia Saudita (proibidas de conduzir até 2018), conforme explicou numa entrevista à agência SID, filial da AFP (Agence France Press).

“Espero que as espectadoras não olhem tanto para o resultado, mas que vejam o facto de que faço o que gosto. Coloco-me numa situação na qual posso fracassar, cometer erros, mas também posso ter sucesso", sublinhou a piloto, que terá a companhia do navegador espanhol Sergio Lafuente. “Esta corrida é muito pessoal. É uma corrida comigo mesma”, admitiu enquanto traçava o objetivo de chegar a Jeddah, no dia 14.

Akeel “não se vê como uma minoria” quando fala de desporto automóvel, admitiu em declarações no site oficial da prova organizada pela ASO - Amaury Sport Organisation – empresa responsável também pela Volta à França em bicicleta. “É só uma corrida. Não há distinção entre nós e, no final, teremos as mesmas máquinas”, destacou.

“A participação é um grande acontecimento no Reino da Arábia Saudita. É um sonho realizado”, afirmou ao site do Rali Dakar, Al Obaidan (n.º 332), que terá a companhia do italiano Jacopo Ceruti (cinco participações no curriculum). “Faço o que adoro, recebo muito apoio de variadíssimas pessoas que dizem que o que faço as inspira. Percebi que estava a abrir portas e a derrubar barreiras com as minhas conquistas. Estamos a abrir o caminho para que as mulheres se juntem a nós”, sentenciou.

Uma equipa 100% feminina para criar referências

De Espanha para a Arábia Saudita sopram ventos em tons femininos. A FN Speed será uma equipa exclusivamente feminina, facto que acontece pela primeira vez na história do Dakar, prova que conta com 60 mulheres na linha de partida entre os 750 pilotos que constam na lista (o número pode alterar face aos últimos testes PCR à Covid a realizar antes da prova).

As espanholas Merce Marti (piloto) e Margot Llobera (co-piloto) serão acompanhadas por uma estrutura composta só por mulheres. São elas as mecânicas (Jessica Nebra e Iona Hernández), uma coordenadora (Nuria Gaja) e uma chefe de equipa (Anna Ferrer), responsáveis pelo Can-Am Maverick X3 (categoría FIA T3).

“Sempre segui o Dakar com paixão. Este ano foi possível prepará-lo e fazer uma equipa com cinco mulheres tendo por objetivo reivindicar a presença feminina nos ralis, tornar visíveis as nossas metas e criar referências para as futuras gerações”, antecipou Marti.

“Este projeto 100% feminino é algo brutal”, exclamou Margot Llobera. “Estar na partida já será uma grande vitória para mim e para toda a gente por detrás de mim a trabalhar no duro”.

20 portugueses pelo deserto das Arábias

São 20 os portugueses inscritos na 44.ª edição do Dakar. Estão espalhados por cinco categorias.

Nas motas serão sete: Rui Gonçalves, António Maio, Joaquim Rodrigues Jr., Mário Patrão, Alexandre Azinhais, Arcélio Couto e Pedro Bianchi Prata.

Mário Patrão, oito participações no Dakar, está inscrito na categoria Original by Motul, na qual os pilotos não poderão usufruir de qualquer tipo de assistência externa.

Em declarações ao SAPO24, o piloto de Seia regozija-se pela escolha feita. “É uma classe muito desafiadora que envolve muitos aspetos: mecânica, condução, gerir a moto. No fundo este sempre foi o meu sonho. Sempre quis fazer o verdadeiro Dakar, sem o apoio das equipas de fábrica/assistência”, frisou.

Os automóveis recebem a dupla Miguel Barbosa/Pedro Velosa, um regresso 12 anos depois do piloto oito vezes campeão nacional de todo-o-terreno, Felipe Palmeiro, como navegador do lituano Benediktas Vanagas e Paulo Fiúza como navegador do lituano Vaidotas Zala.

Na categoria SSV surgem Mário Franco/Rui Franco, Luís Portela de Morais/David Megre e Rui Oliveira/Fausto Mota. José Martins é o representante luso nos camiões e, por fim, João Almeida e Sousa e Luís Santos aventuram-se no Dakar Classic.

A nova peugada ecológica pela mão de pesos pesados de outros tempos

A edição 44 do Dakar dará o primeiro passo em frente na sustentabilidade ecológica e ambiental.

A caravana começa a deixar uma peugada mais ecológica ao estrear em competição uma categoria dedicada exclusivamente aos veículos movidos a combustíveis alternativos.

O Audi RS Q e-tron, uma bomba elétrica, estreia-se em provas no deserto saudita. Garantir o carregamento de uma bateria num ambiente que não é conhecido pela abundância de eletricidade, o deserto, será o grande desafio.

Stéphane Peterhansel, “O Senhor Dakar”, 14 vitórias (oito em automóveis e seis em motos) na grande maratona, 56 anos de idade, a lenda espanhola, Carlos Sainz (3 vitórias), 59 anos vestem as cores da Red Bull, uma dream team da marca alemã à qual se junta Mattias Ekström.

2022 traça o novo rumo iniciado há um ano com o Dakar Future e que terminará em 2030, ano a partir do qual a organização quer um rali 100% sustentável, no qual tanto as categorias de automóveis como de camiões serão totalmente alimentadas por energia alternativa com emissão zero.

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