"E quem salta é de Moreira, olé, olé" e "campeões, campeões, nós somos campeões" foram algumas das frases ouvidas mal o árbitro Artur Soares Dias deu por terminada a partida, que resultou numa conquista histórica para um clube de uma pequena vila do concelho de Guimarães, que contabiliza cerca de 6.000 habitantes.

Antes, a primeira explosão de alegria aconteceu quando, nos descontos da primeira parte, o médio brasileiro Cauê marcou a grande penalidade que acabou por ditar o 1-0 final a favor dos Cónegos.

O pequeno Rui Cunha, de seis anos, agarrado a um cromo de Diego Ivo, defesa do Moreirense, ia roendo unhas, enquanto os mais velhos gritavam contra as televisões dos cafés quando algum jogador do Braga se aproximava da baliza de Makaridze.

Não eram muitos os adeptos que circulavam pela Avenida Joaquim Comendador de Almeida Freitas, mesmo no coração da vila e junto ao estádio, mas, no final, a festa 'explodiu' e foi de um xadrez verde e branco, aromatizada a brindes de cerveja.

"É uma alegria muito grande. Era imprevisível. Se há 30 anos alguém dissesse que isto ia acontecer não acreditava", disse à agência Lusa Lourenço Abreu, sócio número 167 do Moreirense.

Os carros começavam a circular pela rua a apitar e ouviram-se foguetes. Os cafés esvaziaram, mas dentro do Que, estabelecimento onde tradicionalmente a claque do Moreirense, a 'Green Devils', marca encontro antes dos jogos em casa, Angelina Pereira permaneceu sentada por "não ter forças, nem voz" dada a "comoção enorme" de ver, apontou, o clube do coração alcançar algo "histórico", algo "incrível por ser tão lindo".

O filho foi para o Algarve onde o jogo se disputou, tal como o irmão do pequeno Rui Cunha, que, entretanto, andou de colo em colo e de cadeira em cadeira para conseguir ver melhor a festa.

Foram num dos dez autocarros que partiram da vila às sete da manhã e que têm regresso programado para as seis da madrugada. Já a equipa regressa na segunda-feira à tarde e todos prometem uma receção "à maneira" aos "heróis" do momento.

O Moreirense afastou na fase de grupos o FC Porto e nas meias-finais o detentor do título, o Benfica. Esta noite derrotou no jogo decisivo o Sporting de Braga, que era tido como favorito.

Voltando ao "amor" pelo Moreirense. O de Domingos Freitas nasceu com o casamento, quando, há 18 anos, atravessou uma freguesia vizinha, Lordelo, para casar em Moreira de Cónegos. Coube a este adepto ser o 'speaker' de serviço: gritou de um lado da estrada para o outro "Moreira até morrer" e ajudou a entoar o hino.

"O verde da esperança a quem pertence, a quem pertence? Ao Moreirense, ao Moreirense. Nasceu pequenino, mas valente. Pelo bem e contra o mal. Ganhou asas, voou alto e foi em frente. Hoje é grande em Portugal" - diz a letra.

"É mesmo isso. Eu tinha a convicção de que algum dia isto podia acontecer. Isto ou outra taça, alguma alegria. E sei que o clube vai ficar na I [Liga]", vincou Domingos Freitas sobre o emblema que atualmente segue em 14.º lugar no campeonato.

A certeza é partilhada por Joaquim Abreu, sócio número 381: "Acreditei sempre, acredito sempre, porque esta equipa tem muito potencial e o Augusto Inácio [treinador] está a fazer um bom trabalho", completou.

Na segunda-feira há mais festa em Moreira de Cónegos, mas a desta noite continua rija e sem hora estimada para acabar.

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