“É um balanço mais do que positivo, estou muito satisfeito. Começámos com a camisola um dia, fomos vendo dia a dia até onde poderíamos chegar, e acho que 15 dias [como líder] foi surpreendente. Estou muito grato a toda a minha equipa por tudo o que fizeram por mim, sem eles não conseguiria o mesmo. E acho que é um momento sem palavras, e só quem viveu a corrida pode sentir o mesmo que eu senti”, descreveu João Almeida.

Numa conferência improvisada, em Lisboa, depois de ter sido recebido, tal como Ruben Guerreiro, com palmas por amigos, familiares e curiosos que circulavam no Aeroporto Humberto Delgado, o jovem ciclista da Deceuninck-QuickStep confessou ainda não ter perfeita noção do seu feito, o de melhor português de sempre nas 103 edições do Giro.

“Quarto lugar na geral, 15 dias de rosa… ainda não sei bem o que fiz”, declarou o corredor de 22 anos, que foi também o sub-23 mais bem classificado na prova, na qual bateu o recorde de maior dias como líder de um ciclista com menos de 23, superando, inclusive, o ‘Canibal’ Eddy Merckx.

A ‘maglia rosa’ só se separou do corpo do novo herói do desporto português no mítico Stelvio, onde Almeida descolou do grupo de favoritos logo no início da subida e pensou mesmo “adeus rosa”, antes de conseguir manter-se ‘à tona’, para perder o menor tempo possível.

“Sabia que seria complicado manter a camisola, era a etapa rainha. O Stelvio é uma das subidas mais duras do mundo. Gostei da subida, embora tenha perdido a camisola. A partir daí, foi tentar descobrir-me, manter o foco psicologicamente, que acho que é o mais difícil, e lutámos até ao final”, lembrou.

Além do quarto lugar final na geral do Giro, Portugal pôde também celebrar a conquista inédita de Ruben Guerreiro (Education First), o primeiro ciclista nacional a vencer uma das quatro principais classificações em grandes Voltas e a subir ao pódio final como ‘rei da montanha’.

“[Tenho] muito orgulho. O meu objetivo e o da equipa era lutar por uma etapa. Depois daquela etapa, a camisola foi um bónus, pelo que tinha de tentar mantê-la até ao fim. Foi uma luta muito difícil, mas com muito esforço e apoio dos meus companheiros lá conseguimos. Faço um balanço bastante positivo destas três semanas. Foi só a segunda grande Volta que fiz, estou satisfeito com as minhas sensações”, reconheceu o também vencedor da nona etapa da corrida italiana.

Ruben Guerreiro recordou a dura batalha que travou com o italiano Giovanni Visconti, que acabou por abandonar o Giro antes do arranque da 18.ª etapa por lesão, pela camisola da montanha.

“Na 15.ª etapa, perdi a camisola e tinha um rival, que era o Giovanni Visconti, que estava em muito boa forma e já tinha ganho a camisola da montanha antes na Volta a Itália [em 2015], e era muito inteligente. A minha corrida era diferente do João, passava por sair no primeiro grupo, e, a partir daí, das metas da montanha, desligava o botão, a pensar no outro dia a seguir”, detalhou.

O ciclista do Montijo, de 26 anos, confidenciou que, no primeiro dia de descanso, após ter vestido a ‘maglia azzurra’ na véspera, como bónus pelo triunfo na nona etapa, se reuniu com os responsáveis da Education First e ambos decidiram que deveriam concentrar-se na classificação da montanha, ao invés de lutarem por mais etapas.

“De facto, tive uma equipa brilhante e sempre me motivaram para a camisola da montanha, porque era uma camisola importante e para a equipa era importante estar no pódio final do Giro. As últimas seis etapas foram uma guerra autêntica para mim, em que tinha de ganhar ou tinha de ganhar”, declarou.

A 103.ª edição da Volta a Itália em bicicleta terminou no domingo, com a vitória do britânico Tao Geoghegan Hart (INEOS).

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