As hipóteses são duas: alugar ou adquirir um Porsche. O objetivo era, e será, participar num troféu monomarca que se estreou este ano em Portugal e cuja 5ª e última etapa se realiza hoje (treinos livres) e amanhã no autódromo do Estoril.

2022 está ao virar da esquina e José Monroy, mentor e organizador da prova, explicou ao SAPO 24 a competição importada da Argentina que trouxe para Portugal e cuja segunda edição, e vindouras, já está a ser preparada.

A prova denomina-se GT3 Cup Portugal e inovou no panorama das corridas de velocidade em território nacional ao colocar em pista o “Porsche 911 modelo 977 GT3 Cup”, refere o piloto profissional e dono da P21Motorsport, empresa responsável pela organização do troféu patrocinado pela Meo.  O carro, 450 cv de potência e caixa sequencial de 6 velocidades, foi construído há mais de uma dezena de anos na Alemanha, nas instalações da Porsche Motorsports em Flacht, cidade a 25 quilómetros de Estugarda.

Pisou, pela primeira vez e em testes, o asfalto do Estoril, no virar da primeira década do século entrou no GT3 Cup Brasil, seguiu para a Argentina “onde o troféu esteve três anos” e começou agora, 10 anos depois, a competir em Portugal, vindo do país das Pampas.

Alugue ou compre um Porsche para participar num inovador troféu de velocidade

Para participar nas próximas temporadas, José Monroy recua às duas modalidades em aberto, “alugar ou comprar”, ao serviço de pilotos e equipas que serviram, e servem, de porta de entrada na competição que reúne 20 “bombas” e “25 pilotos”, porque existem “equipas com dois pilotos”, assinala.

“Alugar o carro é chave na mão. São 10 corridas durante cinco fins de semana, e tem tudo incluído, desde pneus, serviço de manutenção, gasolina, inscrições, seguros e assistência e tudo o que faz acontecer sem incidentes”, descreve. É chegar à pista, entrar no carro e acelerar sem preocupações com a mecânica.

Custo? “São cerca de 60 mil euros. É uma média de 12 mil euros por prova e é acessível à bolsa portuguesa”, refere. “Olhando para mim, como piloto, e se confrontar um patrocinador dizendo que tenho estas corridas ao volante de uma marca como a Porsche e temos 20 carros em pista e peço determinado valor, a balança pende”, assegura o tetracampeão nacional e detentor do título da corrida mais longa do mundo (Maxi Endurance 32 horas).

 O valor de aquisição pouco difere no custo final, mas a diferença está em pequenos pormenores. “São 62 mil euros e inclui um dia de teste na pista do Estoril e o kit piloto, que engloba fato personalizado referente ao troféu, equipamento desportivo e trolley”, assinala. “Não inclui pneus e outros serviços. Quem compra gere equipa, gasolina e pneus”, clarifica.

“No final do ano, leva as taças, se as ganhar, o kit e o carro com a promessa de voltar em 2022”, recorda. “Quem compra o carro tem de participar dois anos no troféu. Pode entrar noutros campeonatos desde que não colida no calendário da prova”, adverte.

Arrancar com uma competição e, ainda para mais uma novidade no quadro competitivo nacional, não foi tarefa fácil.

“No início, a maior adesão foi em relação ao alugar, por ser uma novidade e porque estávamos a viver a pandemia, o que obviamente deixou incertezas”, recua. “Mas rapidamente e conforme a lista de inscritos foi aumentando, comecei a vender mais carros, que era o meu objetivo”, reconhece José Monroy, CEO da Mdriving Race Academy, empresa de condução desportiva, defensiva e evasiva. “Tivemos quem começasse por alugar e a meio da época manifestasse interesse na compra”, confidencia.

“Em primeira mão, o novo modelo, 992, este ano custa cerca de 240 mil euros. Este carro há 10 anos deve ter custado perto de 200 mil. Tem um valor associado aos running costs e é rentabilizado neste eventos para fazer face ao custo de manutenção alta. Este carro é um investimento como qualquer outro”, diz.

Ser o 24.º país oficial da prova com selo Porsche

O GT3 Cup Portugal engloba três categorias. “O Pro, constituído por ex-campeões ou quem tenha currículo de pódio, Amadores (AM), pilotos que nunca foram campeões nem alcançaram pódios e Gentleman Drivers (GD), mais novatos nestas andanças e que nunca ganharam”, explica José Monroy. “As três categorias estão bastante equilibradas”.

A temporada que agora finda contemplou cinco corridas, quatro delas em pistas nacionais e uma incursão em Espanha. Arrancou em Braga, no mês de abril, passou pelo Autódromo Internacional de Portimão (junho), fez uma incursão a Espanha (Jerez de la Frontera), em outubro e culmina no autódromo do Estoril, onde já tinha estado em setembro.

Para o ano, “há datas que não posso garantir, outras já estão fechadas”, assevera. “Queremos manter o GT3 Cup Portugal. Ir duas ou três vezes a Espanha, mas esse facto não altera o nome”, garante. “A curto espaço queremos montar o troféu ibérico”, antecipa José Monroy.

O projeto “100 por cento independente” e sem o carimbo oficial da Porsche pode vir a ficar debaixo do chapéu da marca alemã na temporada que se segue. “A minha ambição é ser o 24.º pais a nível mundial a ter uma series oficial. Se Deus quiser, seremos um país oficializado e apoiado pela própria marca. Os responsáveis da Porsche, Motorsports e AG vão estar Estoril e está bem encaminhado para oficializar. Está perto de acontecer”, finda.

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