Perante uma plateia de alunos da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, em Lisboa, que organizou hoje a conferência ‘Vídeo-Árbitro (VAR): A tecnologia ao serviço da verdade desportiva?', numa parceria com a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), o juiz da Associação de Futebol de Lisboa reconheceu que houve pouco tempo de formação.

"A maior dificuldade para a arbitragem foi mudar rotinas; no meu caso, 20 anos. Esta rotina de arbitrar sem o sistema levou quase a uma formação ‘on job'; tivemos pouco tempo, mas só a prática é que nos faz crescer", afirmou, sublinhando: "O VAR veio trazer mais verdade às nossas decisões. Não vejo o futuro do futebol sem o VAR".

A aprovação do VAR nas Leis do Jogo pelo International Board foi relembrada por João Capela como um reforço do papel da tecnologia. O árbitro, que elogiou a Federação Portuguesa de Futebol pela experiência "pioneira", defendeu ainda que este "ano de projeto tem sido uma referência como um manual de boas práticas" para o órgão regulador da arbitragem mundial.

"A dificuldade que se está agora a ter é como conseguir trazer o VAR para o terreno de jogo, porque o futebol e o espetáculo têm de ser percebidos pelo espetador no estádio. Julgo que o VAR poderá evoluir para a explicação do árbitro para o público", confessou João Capela, numa demonstração de abertura do VAR aos adeptos.

Por outro lado, o juiz lisboeta explicou que o VAR é uma "nova forma de atuar que requer preparação mental e gestão emocional" distintas do habitual, mas argumentou que o elemento humano e de interpretação permanecem fundamentais.

"Temos de ter outro tipo de trabalho para competir com as 40 câmaras, e vamos sempre perder. O International Board não quer tirar autonomia à equipa de arbitragem, porque senão deixa de ser necessário um ser humano em campo. Se eu for um ‘joystick' vai perder-se a essência do futebol", referiu.

Igualmente presentes no evento estiveram Luciano Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), Duarte Gomes, ex-árbitro internacional, e o treinador Daúto Faquirá. A importância do VAR foi enaltecida por todos, com o líder da APAF a manifestar ainda a expectativa de "Portugal ter um a dois árbitros como VAR no Mundial" da Rússia.

A época 2017/18 marou a introdução do videoárbitro na I Liga portuguesa de futebol, tendo registado - segundo a APAF - nas primeiras 26 jornadas cerca de 50 decisões revertidas com o recurso ao auxílio tecnológico.

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