Vinte e um anos depois de jogar com o emblema do FC Barcelona ao peito, Lionel Messi vai representar o Paris Saint-Germain, apresentando-se hoje oficialmente em conferência de imprensa.

Acompanhado pela mulher e os três filmes, vestido a rigor, Messi apresentou-se num pequeno auditório do Parc des Prince, o estádio do PSG, ao lado do presidente do clube, Nasser Al-Khelaifi.

"Estou muitíssimo feliz. Todos conhecem minha história, saí do Barcelona há dias. Foram muitos anos, e a mudança foi muito dura, depois de tanto tempo, tanta entrega. Durante toda esta semana, passei por altos e baixos e estou a processar tudo isto dia a dia. Mas quando cheguei em Paris, senti uma felicidade enorme. Quero começar a treinar, quero que esta apresentação toda passe já", declarou o jogador após ser apresentado pelo presidente do clube francês, Nasser Al-Khelaifi.

"Estou a gostar de estar em Paris desde o primeiro minuto em que cheguei — agora só quero começar a treinar, juntar-me aos meus companheiros e à equipa técnica, começar este novo momento da minha vida. Quero agradecer ao presidente e a todo o clube pela forma como me receberam desde o anúncio — foram rápidos nas negociações e foi bastante fácil o processo. Apesar de ser uma situação complicada resolveram todos os problemas", continuou.

Abordando o futuro, Messi disse-se pronto a jogar e com vontade de ganhar "tanto quanto quis desde o início da carreira". "Este clube está pronto para lutar por todos os troféus, é esse o meu objetivo, continuar a crescer, continuar a ganhar títulos, é por isso que vim para este clube".

No entanto, o astro argentino disse ainda não saber quando vai acumular minutos com a camisola do PSG, isto numa fase em que o campeonato francês já teve início. "Falei ontem com a equipa técnica, talvez precise de uma pré-época. Vou começar a treinar e espero que possa jogar o quanto antes. Quando a equipa achar que estou OK, estarei pronto", disse.

Quanto aos adeptos do PSG, Messi disse estar "muito grato" por tantos se terem deslocado às ruas para acolhê-lo. "Eu vi as coisas a partir de Espanha e as pessoas já estavam na rua em Paris, foi incrível vê-los", afirmou.

Em sentido contrário, a ex-estrela do Barcelona disse não saber se alguma vez vai defrontar a ex-equipa mas que tal ocorrência seria "muito boa". "Eu espero que seja com os adeptos, dada a pandemia. Seria muito estranho jogar lá [Camp Nou] com outra camisola, mas pode acontecer. Veremos", admitiu.

Questionado uma vez mais sobre a sensação de abandonar os catalães, Messi disse ter sido "muito difícil sair do Barcelona sem saber para onde iria". "Barcelona é a minha casa, é onde estive desde que era miúdo. Eles sabiam que eu iria para uma equipa forte, que quer ganhar a Liga dos Campeões. Eu adoro vencer. Quero ter objetivos importantes e sei que os meus e os do PSG são os mesmos", atirou.

"Sonho em levantar mais uma vez o troféu da Liga dos Campeões e penso estar no local ideal para o conseguir", afirmou o argentino. Messi, que conquistou quatro Ligas dos Campeões ao serviço dos catalães, lembrou que o clube parisiense, que na época 2019/20 perdeu para o Bayern de Munique a final da 'Champions' disputada em Lisboa, "tem estado perto, mas nunca conseguiu vencer a prova".

Referindo-se ainda aos colegas de equipa, Messi confessou ter pesado na sua decisão ter no balneário Di Maria e Paredes, colegas seus na seleção argentina, assim como Neymar, atacante brasileiro que outrora fora seu companheiro no Barcelona e com o qual venceu vários títulos  — inclusive uma Liga dos Campeões.

"É um dia incrível e histórico para o PSG", começou por dizer Al-Khelaifi, tomando a palavra para apresentar Messi, dizendo-se muito contente e muito orgulhoso" por trazer o argentino.

"Toda a gente conhece o Leo. É o único jogador da história com seis Bolas de Ouro. Ele faz magia no futebol e é um vencedor", disse o presidente do PSG, não poupando elogios ao "melhor do mundo".

Considerando a contratação de Messi o culminar do projeto que trouxe para o Paris Saint-Germain — que, recorde-se, passou a ser detido pelo Qatar Sports Investments, um fundo de investimento do Qatar — Al-Khelaifi diz estar "muito orgulhoso de onde o clube está hoje" e que houve "um grande desejo das duas partes para isto acontecer".

O presidente dos parisienses deixou ainda um recado a Kylian Mbappé, avançado que tem sido falado juntar neste mercado de verão para o Real Madrid. "Não tem desculpas para sair", dada a contratação de Messi, avisou. "Ele queria uma equipa competitiva e eu acho que temos a equipa mais competitiva do mundo, por isso não há desculpas, ele não pode fazer mais do que ficar", completou.

O argentino vai deixar de usar a camisola 10, que usava com os catalães, que pertence ao brasileiro Neymar, passando a vestir a 30, com a qual se estreou nos 'blaugrana'.

"Estou entusiasmado por começar um novo capítulo da minha carreira no Paris Saint-Germain. Tudo no clube iguala as minhas ambições no futebol. Sei o quão talentosos são os jogadores e a equipa técnica. Estou determinado a ajudar a construir algo especial para o clube e para os adeptos e estou ansioso por pisar o relvado do Parque dos Príncipes", disse Messi, citado no site do clube.

O presidente do clube, Nasser Al-Khelaifi, mostrou-se "deliciado por Lionel Messi ter escolhido juntar-se ao Paris Saint-Germain".

"Ele não escondeu o seu desejo de continuar a competir ao mais alto nível e a vencer troféus, e naturalmente a nossa amibição é a mesma. A adição de Leo ao nosso plantel de classe mundial é a continuação de uma estratégica e bem-sucedida janela de mercado do clube", referiu.

O argentino, que venceu seis vezes a Bola de Ouro e outras tantas a Bota de Ouro, mudou assim pela primeira vez de clube, aos 34 anos, depois de 672 golos, 778 jogos e 34 títulos na equipa principal dos catalães.

Messi, que chegou ao 'Barça' quando tinha 13 anos, estreou-se pela equipa principal em 2004/05 e, em 17 épocas, arrebatou, entre outros troféus, quatro Liga dos Campeões e 10 ligas espanholas.

Como aconteceu

Na quinta-feira, o ‘Barça’ avançou com a saída de Messi do clube, divulgando que, “por razões económicas e estruturais”, não era possível inscrever o jogar na Liga espanhola, já que o clube não conseguiria cumprir o ‘fair play’ financeiro.

Um dia depois, foi a vez de o presidente do clube, Joan Laporta, explicar que renovar com Messi seria “colocar em risco” o futuro do clube catalão, que, disse, estar “acima de qualquer jogador, inclusive do melhor do mundo”.

No domingo, numa conferência de imprensa em que não conseguiu evitar chorar, várias vezes, foi a vez do argentino se despedir do clube.

“Não estava preparado para isso, pensava que ia continuar em casa”, confessou o futebolista de 34 anos, acrescentando ter feito “tudo o que era possível para continuar”, numa altura em que não tem “nada fechado” em relação ao futuro.

Messi lembrou que “chegou um miúdo, com 13 anos” e que sai “21 anos depois com a mulher, três filhos catalães-argentinos”, deixando claro: “Não podia estar mais orgulhoso de tudo o que fiz aqui e de certeza que vou voltar”.

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