Apenas a antiga alfândega, transformada em casas, recorda o tempo em que os motoristas eram controlados antes de passar de um lado para o outro, de Quiévrain, vilarejo belga de 6.700 habitantes, a Quiévrechain, povoado francês de 6.400 pessoas.

"Tentamos dividir tudo meio a meio, mas não é fácil". Vestida com uma camisa de Antoine Griezmann e com uma cerveja belga na mão, Carole Blondel dá por encerrado o dia de trabalho no seu bar localizado em Quiévrain, na fronteira franco-belga, para receber na terça-feira adeptos de ambas as nações, vizinhos separados por algumas centenas de metros.

"Torço pelos franceses. No entanto, se a Bélgica vencer vou ficar feliz também... embora talvez um pouco menos", reconhece Carole, depois de pensar duas vezes, ela que é uma francesa da região de Valenciennes, no norte, mas que abriu o seu estabelecimento do lado belga da fronteira.

As idas e vindas são quase incessantes há muito tempo: trabalhadores fronteiriços, tabaco mais barato e um ambiente com uma reputação mais festiva do lado belga.

Na véspera da partida decisiva, o clima entusiasta em torno do futebol é avistado nos carros decorados com as cores da Bélgica, com capas colocadas nos espelhos retrovisores ou chifres dos Diabos Vermelhos [alcunha da seleção belga] no capô.

Coração dividido

"O coração é francês, mas o amor é belga", resume o franco-belga Laurent Choteau, de 45 anos. Filho de pais franceses na Bélgica, este proprietário de um restaurante em Quiévrain não consegue dividir-se entre as duas seleções.

"Sou realmente 51% para uma equipa e 49% para a outra. Depois da partida vou dizer para qual lado estou inclinado, mas de qualquer maneira, eu já estou na final", declara com um sorriso. De fato, ele encomendou camisetas com a mensagem "Vamos Devils, vamos Bleus" para a ocasião.

Na praça principal de Quiévrain, os cinco bares que a rodeiam apostaram as suas fichas para se destacar dos demais: televisores, bandeiras, imagens de Eden Hazard e de Kevin De Bruyne. Outros também penduraram grinaldas tricolores para atrair mais clientes.

Sentado numa varanda, Sacha Ferat, de 23 anos, apresenta-se como um sendo um "francês adepto da Bélgica". E explica porquê: "Desde a estreia do torneio, torço pelos belgas. Deixei a França para trás", diz este artista francês que vive na Bélgica.

"Nós deparamo-nos com um monte de franceses por aqui. Então começa uma pequena rivalidade, sempre em tom amigável. Acho que vai ser uma loucura", prevê Steve Crevieaux, de 41 anos. "Que vença o melhor, mas com uma pequena preferência pela Bélgica, na verdade". Previsão: 2-1. Para os Diabos Vermelhos, "obviamente", conclui.

No entanto, há quem sinta que não é só a vitória final que vai trazer sucesso. Pelo menos, assim pensa Sam Quenau, de 31 anos e de nacionalidade belga."Será partida deste torneio. [Mas] nós já fizemos o nosso Mundial: derrotamos o Brasil [2-1, nos quartos-de-final]. Não podemos estar mais do que felizes com isso", disse.

Bélgica e França disputam um lugar na final do Mundial2018 na terça-feira, pelas 19:00 (horas de Lisboa), num jogo marcado para São Petersburgo e que será dirigido pelo árbitro uruguaio Andrés Cunha.

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