A notícia foi difundida logo depois de José Mourinho ter assinado pelo Tottenham, regressando assim ao ativo e ao futebol inglês. Num dos primeiros treinos, o técnico português chamou o internacional inglês Dele Alli e o seguinte diálogo aconteceu:

José Mourinho: "És o Dele ou o irmão do Dele?"

Dele Alli: "Sou o Dele."

José Mourinho: "Então joga como o Dele."

Já todos tínhamos saudades do Special One (perdão, do "Smilling One", não tínhamos? Como escreveu o Guardian, este diálogo é uma espécie de "clássico Mourinho", que apesar da sua relação difícil com algumas das estrelas que já treinou (Pogba à cabeça, como o exemplo mais recente), já provou ser capaz de pegar num talento e torná-lo um dos melhores jogadores do planeta enquanto atua na sua equipa.

Dele Alli é isso mesmo. Com apenas 23 anos, o internacional inglês (37 jogos e três golos pela Seleção) é um dos maiores talentosos jogadores do país de Sua Majestade e soma já 197 jogos e 58 golos ao serviço dos Spurs, contando com os dois que apontou esta tarde frente ao Bournemouth.

O médio ofensivo tem, de resto, sido o principal destaque destes primeiros jogos de Mourinho à frente dos londrinos: na primeira partida, frente ao West Ham, assistiu Son Heung-min para o primeiro golo da vitória por 3-2, na segunda, frente ao Olympiacos (em jogo a contar para a Liga dos Campeões), apontou o golo que iniciou a reviravolta no marcador, uma vez que os Spurs estiveram a perder por 2-0 e acabaram a vencer por 4-2, garantindo o apuramento para os oitavos-de-final da prova.

Hoje, frente ao Bournemouth, apontou dois golos, um em cada parte (e podiam ter sido mais), e assegurou a terceira vitória consecutiva para os Spurs, que assim passam a somar 20 pontos na Premier League e ficam, provisoriamente, no 5.º lugar da classificação. A juntar ao bis de Dele Alli esteve também o golo de Sissoko, num contra-ataque rápido que começou em... Dele, que desmarcou Son para o coreano cruzar para a área onde o internacional francês (outro dos "recuperados" de Mourinho nestas primeiras semanas de regresso ao ativo) disparou de primeira para apontar o terceiro golo do Tottenham.

O Bournemouth reduziria para 3-2, fruto de um bis de Harry Wilson, avançado galês emprestado pelo Liverpool aos Cherries e que é o melhor marcador da equipa nesta época - o primeiro, num livre direto superiormente executado e o segundo, em cima do apito final num remate dentro da área. Os golos do Bournemouth foi também um sinal de que nem tudo são rosas neste início de Mourinho no banco do Tottenham, visto que, não obstante as três vitórias somadas em três jogos, os cinco golos sofridos no mesmo número de partidas mostram que há ainda um longo trabalho pela frente no que respeita à solidez defensiva do conjunto londrino (ainda que, no ataque, os 10 golos em três jogos sejam um bom prenúncio).

Numa equipa onde a confiança não reinava, que não vencia fora de casa há quase um ano (antes da vitória na jornada passada frente ao West Ham) e que pode ter ficado "traumatizada" a nível europeu depois da humilhantes derrota sofrida em casa frente ao Bayern Munique (2-7 foi o resultado final), José Mourinho parece ter chegado para servir de bálsamo e dar a estes Spurs (que, recorde-se, no ano passado foram finalistas vencidos da Liga dos Campeões) o tónico necessário para encarar o resto da época com o único objetivo de serem competitivos em todos os jogos e intrometer-se na luta pelos lugares europeus na Premier League.

Voltando ao "irmão" de Dele, o seu paradeiro é, até agora, desconhecido. O "verdadeiro", aquele que Mourinho disse ter um "futuro brilhante" e ser "demasiado bom para não ser um dos melhores", esse tem brilhado nestes três primeiros jogos de José Mourinho ao serviço do Tottenham. E a forma como treinador e jogador se abraçaram aquando da substituição de Dele Alli no final, diz tudo. Preparem-se, Mourinho e Dele estão de volta.

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