Confirmações

Apesar das saídas de Malcolm Brogdon e Nikola Mirotic, os Milwaukee Bucks continuam a ser um dos mais sérios candidatos ao título. Entre as adições de Wesley Matthews e Robin Lopez, para além da evolução (!) de Giannis Antetokounmpo, os Bucks lideram a conferência Este graças ao quarto melhor ataque e à oitava melhor defesa da NBA. O sistema está montado e oleado, pelo que as mudanças não foram muito sentidas... para já.

Na outra conferência, o sucesso dos Los Angeles Lakers só é inesperado para quem não se debruçou sobre as evidentes diferenças de construção do plantel do ano passado para este. Com LeBron James como base assumido da equipa e a tomar (ainda mais) decisões no ataque, o elenco que o acompanha assenta como uma luva. E, no outro lado do campo, a âncora Anthony Davis é o líder da quarta melhor defesa da competição. É verdade que o calendário tem sido fácil, mas parece que o «show time» está mesmo de volta a LA.

Também sem surpresa é a melhoria aparente dos Boston Celtics, após a mudança de Kyrie Irving por Kemba Walker na posição de base. Kyrie é muito melhor jogador do que Kemba, mas Kemba encaixa melhor no sistema do treinador Brad Stevens. Menos é mais, dirão alguns. É o caso dos Celtics.

O caso dos New York Knicks, por outro lado, é mais complicado, mas nem por isso inesperado. Uma equipa mal construída de origem, com excesso de jogadores morfologicamente idênticos e para as mesmas posições, só podia dar em desastre. O último posto da classificação do Este, a par de Atlanta Hawks e Cleveland Cavaliers, é o lugar perfeito para uma organização com tantos problemas a todos os níveis.

Surpresas

Os Miami Heat são a grande surpresa da época, até agora, com o terceiro melhor registo da liga (11V-3D), mas sobretudo por terem acertado em cheio nos "rookies" que escolheram para integrar a equipa orientada por Eric Spoelstra. Tyler Herro (13.ª escolha) era um valor seguro, mas a aposta em Kendrick Nunn e Chris Silva (ambos undrafted) prova que o departamento de scouting dos Heat é dos melhores da NBA. E isso, combinado com a magia de coach Spo no banco, torna o conjunto da Flórida numa das boas histórias da temporada.

Ainda a Este, o processo de reconstrução dos Toronto Raptors está a ser bem mais tranquilo do que era esperado. Apesar das saídas de Kawhi Leonard e Danny Green rumo a Los Angeles e das lesões de Kyle Lowry e Serge Ibaka, os campeões são uma das formações mais competitivas da prova, invictos em casa e líderes dos rankings da eficácia dos três pontos (40.1%). A justificar tudo isto está a política de "next man up" do treinador Nick Nurse, personalizada em exemplos como os de Pascal Siakam, sobre quem escrevemos há poucas semanas, ou Fred VanVleet.

Os Phoenix Suns também estão a contrariar todas as teorias que os apontavam como uma das piores equipas da liga. A aquisição de Ricky Rubio foi decisiva para esta melhoria da equipa do Arizona, uma vez que o campeão do mundo pela Espanha era o base que o conjunto precisava para executar melhor. Devin Booker que o diga. As qualidades de Booker são potenciadas com Rubio ao lado e o "atirador" está a fazer a época mais eficaz da carreira (53.2% de eficácia de lançamentos de campo, contra os 46.7% da época passada e que era o seu melhor registo), apesar de ter muito menos bola do que nos anos anteriores.

Por fim, mas não menos importante, os Dallas Mavericks. A evolução de Luka Dončić a níveis de superestrela é uma das narrativas do ano e o prodígio esloveno, de apenas 20 anos, está a maravilhar (e a quebrar recordes) a cada novo jogo dos texanos. Os Mavericks têm o melhor ataque da NBA (116.9 pontos por cada 100 posses de bola) e o "Wonder Kid" é o jogador da liga com melhor eficiência ofensiva individual (117.7), entre os que jogam mais de 30 minutos por jogo. Mas mais do que números, e Dončić tem médias incríveis de 29.9 pontos, 10.4 ressaltos, 9.7 assistências, 1.3 roubos de bola e sete triplos-duplos, o antigo jogador do Real Madrid impressiona pela facilidade com que joga e faz jogar, pela maturidade que revela e que contraria a data de nascimento, pelos momentos de pura genialidade. E carrega os Mavericks a um registo mais do que positivo e a uma candidatura a um lugar nos playoffs. Aos 20 anos.

Desilusões

Os Philadelphia 76ers podem ser considerados desilusão, uma vez que não estão a dominar como se esperava que fizessem antes da bola ao ar na temporada. É verdade que as adições de Josh Richardson e do poste Al Horford vieram confirmar o rótulo de equipa competente no meio-campo defensivo, mas ofensivamente as coisas não estão a funcionar (15.º no ranking da eficiência ofensiva). As saídas de Jimmy Butler e, sobretudo, de J.J. Redick, retirararam aos 76ers algum poder de fogo a partir dos 7,25 metros, e o espaçamento originado pela presença de "atiradores" salienta ainda mais as dificuldades de "fit" das duas estrelas da equipa, Joel Embiid e Ben Simmons.

Se os problemas dos 76ers começam e acabam dentro de campo, o mesmo não se pode dizer dos Brooklyn Nets. O ego e as flutuações de humor de Kyrie Irving já tinham sido problema em Boston e, aparentemente, continuam em Brooklyn. Os Nets, que na época passada foram um conjunto cuja imagem de marca era o coletivismo, são agora uma equipa com evidentes dificuldades em encaixar o base ex-Celtics no seu sistema. E os rumores de mau estar começam a surgir bem cedo na temporada...

Os San Antonio Spurs seguem numa série de oito derrotas seguidas, têm a terceira pior defesa de toda a liga, são a equipa que menos turnovers provoca aos adversários, estão no top-5 das piores equipas no que diz respeito à eficácia dos adversários em lançamentos de campo e lançamentos triplos e, mais grave do que tudo isto, o treinador Gregg Popovich aparenta ser impotente para contrariar este cenário. Desta vez é que é. Os texanos estão condenados a falhar os playoffs.

Depois de viagens profundas nos playoffs da temporada passada, Portland Trailblazers e Golden State Warriors ocupam, juntamente com os Spurs, as últimas posições da classificação da conferência Oeste. Os comandados por Terry Stotts perderam níveis de eficácia defensiva com as saídas de Moe Harkless e Al-Farouq Aminu e jogaram uma cartada de desespero com a contratação de Carmelo Anthony. Já os Warriors têm sido devastado por uma onda de lesões que deixa a equipa dependente de jogadores completamente desconhecidos no panorama na liga.

Dez números que marcam o início da época

1 - Ben Simmons marcou, finalmente, o primeiro triplo da carreira. Só isso torna esta época histórica.

3 - É o que vale o lançamento mais procurado pelas equipas da NBA. Ao fim de um mês de temporada, apenas três equipas lançaram menos de 400 triplos, menos quatro do que na época passada.

4 - São quatro as equipas que conseguem estar, simultaneamente, no top-10 das eficiências ofensiva e defensiva: Milwaukee Bucks, Los Angeles Lakers, Toronto Raptors e Miami Heat.

13,7 - James Harden é o único jogador da NBA a lançar mais de dez triplos por jogo, em média. São 13,7 tentativas por partida...

16 - Dezasseis atletas de elite com lesões que obrigam a uma paragem prolongada. Já se sabia que Kevin Durant, Klay Thompson, DeMarcus Cousins, John Wall, Victor Oladipo e Jusuf Nurkic partiam para 2019/20 com lesões graves, mas a estes juntaram-se o fenómeno Zion Williamson, Steph Curry, Gordon Hayward, Khris Middleton, Kyle Lowry, De'Aaron Fox, Marvin Bagley, Eric Gordon, Caris LeVert e Nikola Vucevic.

17,1 - No ano passado, os Golden State Warriors fecharam a época com o segundo melhor Net Rating (diferença entre eficiência ofensiva e defensiva) da NBA, com 6.5. Neste início de época, o registo é de -10.6, o pior da liga. Ou seja, uma queda de 17.1 de um ano para o outro. A saída de Kevin Durant, as lesões graves de Klay Thompson e Steph Curry, e a dificuldade de D'Angelo Russell e Draymond Green em se manterem saudáveis explicam o descalabro.

20 - Giannis Antetokounmpo já marcou 20 triplos, esta temporada, e precisou de 69 tentativas para o conseguir, o que se traduz numa eficácia de 29.0%. Em 2018, concretizou 52 lançamentos longos em toda a temporada. Os actuais 20 triplos marcados pelo "Greek Freak" igualam o registo de Josh Richardson (20/64, 31.3%) e superam em quantidade e em qualidade a performance de Russell Westbrook (18/82, 22.0%).

44,3 - Karl-Anthony Towns é o poste da liga com a melhor eficácia da linha dos três pontos: 44.3% e a lançar com grande volume (51/115).

96,4 - Kawhi Leonard é o segundo jogador com melhor eficiência defensiva individual da liga, com 96.4 pontos sofridos pelos Los Angeles Clippers por cada 100 posses de bola em que está em campo. Melhor que Kawhi só mesmo Will Barton (95.9).

117,7 - Luka Dončić tem a eficiência ofensiva individual mais elevada de toda a prova, com 117.7 pontos marcados pelos Dallas Mavericks por cada 100 posses de bola em que o "Wonder Boy" está dentro das quatro linhas. Seguem-se Bradley Beal (116.8) e LeBron James (114.5).

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