“Candidatei-me para lutar por um Benfica mais transparente e denunciei os vícios do ‘vieirismo’, e dos riscos que o clube corria. O que se passou desde aí confirmou o que eu tinha dito. A história deu-me razão”, disse, antes de anunciar, visivelmente abatido, que não se recandidata à presidência do clube ‘encarnado’.

Noronha Lopes assumiu que ponderou recandidatar-se em função das graves circunstâncias que rodearam a saída de Luís Filipe Vieira, mas fortes razões familiares e profissionais não permitiram que o fizesse, naquela que foi “uma das decisões mais difíceis” da sua vida.

No entanto, esse facto não o inibiu de criticar o processo eleitoral em curso, sem ter sido aprovado, como devia, o regulamento eleitoral, sem se saber em que circunstâncias vai decorrer o voto físico ou como vão decorrer os debates na Benfica TV, sem que esteja garantido o acesso aos cadernos eleitorais de forma igualitária por todos os eventuais candidatos.

“Não é pelo ato eleitoral ser cedo demais, é por ser à pressa e sem conhecimento das regras de como vai decorrer. Ora, isto não sugere uma mudança. Quem faz parte do passado não tem condições para ser uma solução para o futuro”, disse Noronha Lopes, numa alusão direta a Rui Costa.

Depois de agradecer aos milhares de benfiquistas que lhe expressaram apoio, sobretudo nas últimas semanas, Noronha Lopes reconheceu que muitos deles vão ficar desiludidos com o facto de não se recandidatar, mas apelou a que continuem a exercer a sua cidadania ‘benfiquista’.

Outro apelo dirigiu-o aos membros da atual direção para que “façam uma profunda reflexão se reúnem as condições” para integrar os futuros corpos gerentes, por forma a que “não surjam mais casos que manchem a honra e o nome do Benfica”.

“O que se passou nos últimos anos não se pode repetir. É responsabilidade de quem for eleito garantir que se vire uma página. Tenho uma admiração por Rui Costa pelo que ele foi como jogador, mas não o apoio como candidato à presidência. Desempenhou cargos diretivos de grande responsabilidade durante anos e nunca se lhe ouviu uma palavra em momentos graves da história do Benfica, nem mesmo recentemente, quando o presidente da Assembleia-Geral, Rui Pereira, se demitiu por não concordar que não o deixassem realizar uma Assembleia-Geral extraordinária em observância pelos estatutos”, acrescentou Noronha Lopes.

Desafiado a comentar a recente comunicação do anterior presidente à direção ‘encarnada’ para que esta se pronuncie se vai exercer o direito de preferência sobre as ações que Luís Filipe Viera detém na SAD, cerca de três por cento, Noronha Lopes lembrou a “OPA ilegal e a estranha proposta do empresário norte-americano John Textor para comprar as ações do sócio José António dos Santos por um valor muito acima do mercado, sem garantir o controlo sobre a SAD, e sabendo que esta não distribui dividendos”.

Os prejuízos apresentados pela SAD, no valor de 17,4 milhões de euros, para o exercício de 2020/21, também mereceram o comentário do gestor: “A perda de receitas é natural num ano de pandemia como foi este, o que é preocupante é o aumento de massa salarial de 13%, para quase 100 milhões de euros. Era preciso que alguém desse uma explicação aos sócios”.

Nas eleições de 29 de outubro de 2020, quando foi derrotado pelo antigo presidente Luís Filipe Vieira (62,59%), Noronha Lopes obteve 34,71% dos votos.

Luís Filipe Vieira renunciou à presidência dos ‘encarnados’ em 15 de julho último, após ter sido eleito pela primeira vez para o cargo em 2003 e ter-se tornado no presidente com mais tempo na liderança do Benfica.

Vieira foi um dos quatro detidos no processo Cartão Vermelho, que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado, SAD do clube e Novo Banco.

O antigo futebolista Rui Costa, antigo administrador da SAD e vice-presidente na direção de Vieira, assumiu a liderança do clube e da SAD, defendendo a marcação de eleições até ao fim do ano

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