Há 3 anos Leonardo Jardim deixava o Sporting para assumir as rédeas do projeto megalómano de um Mónaco que olhava de baixo para cima para um Paris Saint-Germain (PSG) campeão francês e recheado de estrelas. O clube do principado queria ser assim.

Jardim chegou para substituir Claudio Ranieri, para "domar" as estrelas do plantel e receber tantas outras. Na altura, o plantel era composto por nomes como Kurzawa (agora no PSG), Kondogbia, (entretanto vendido ao Inter de Milão), Berbatov (que tinha jogado no Tottenham e no Manchester United), Ferreira-Carrasco (atualmente no Atlético Madrid), ou Anthony Martial (atual pupilo de Mourinho no Manchester United). Contudo, o projeto que o aliciou, também o enganou.

Ao longo destas três temporadas, as linhas orientadoras do projeto milionário foram, lentamente, desvanecendo-se e mudando de foco. Acabaram-se as estrelas - Falcao e João Moutinho são tudo o que resta do Mónaco idealizado por Dmitry Rybolovlev - e o foco passou a ser o lapidar de jovens promessas.

E o que é certo é que a juventude começou a chegar de todo o lado. De Portugal, Ivan Cavaleiro, Hélder Costa e Bernardo Silva foram aliciados pelo futebol do principado. Em França Bakayoko, Lemar e Sidibé são alguns exemplos do talento maior que tem passado pelo Stade Louis II.

2017, o ano do Mónaco (dizem)

O Observatório do Futebol do Centro Internacional de Estudos do Desporto (CIES) prevê que a equipa do principado termine a Ligue 1 em primeiro lugar e que Leonardo Jardim erga o título de campeão.

À 20.ª jornada, os monegascos lideram o campeonato em igualdade pontual com o Nice (ambas as equipas têm 45 pontos). Chegar a este ponto da temporada em primeiro lugar com uma equipa muito jovem e a competir com os milhões do PSG e com o surpreendente Nice de Mario Balotelli é, por si só, um feito. Mas o Monaco de Jardim consegue ainda ter o melhor ataque dos principais campeonatos europeus (60 golos em 20 jogos), algo ao alcance de poucos.

Make Falcao Great Again!

A excelente campanha do Mónaco tem vários rostos, mas há um que se destaca. Radamel Falcao, antigo avançado que brilhou no Futebol Clube do Porto e no Atlético de Madrid, como que ‘renasceu’ no principado. Depois de 2 épocas atípicas em Inglaterra, ao serviço do Chelsea e Manchester United, o avançado colombiano parece ter reencontrado o caminho para os golos e soma já 17 tentos em 21 jogos. Mas não está sozinho.

O talento anda à solta no principado e nomes como Mbappé, Bernardo Silva, Traoré e Lemar têm sido verdadeiros ‘tornados’ à solta dentro de campo. No conjunto, os quatro jovens jogadores tiveram influência direta em 28 golos do conjunto monegasco na Ligue 1.

Leonardo príncipe do Mónaco, Jardim príncipe de Portugal

No final do ano passado, a Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) elegeu Leonardo Jardim como o melhor treinador português de 2016 e o 12.º melhor do mundo.

E o técnico português tem comprovado isso mesmo esta época. Dos treinadores lusos além fronteiras, Jardim é, sem dúvida, o que tem tido melhor desempenho ao liderar o seu campeonato e ainda estar presente em todas as outras competições em que o Monaco participa (Taça da Liga, Taça de França e Liga dos Campeões). Além disso, o seu desempenho não tem passado despercebido a outros clubes europeus, havendo ecos em sites estrangeiros que o apontam como sucessor de Massimo Allegri na Juventus, cargo para onde estará também a ser apontado Paulo Sousa, ou mesmo de... Paulo Sousa, na Fiorentina.

O destino de Leonardo Jardim, pela forma como conseguiu comandar e manter os resultados com a alteração do projeto, como conseguiu ‘lapidar’ e exponenciar jovens talentos, só pode ser um: ser campeão e devolver ao Mónaco a glória do passado.

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