“É mais curta, terá menos dias (redução de 11 para nove etapas), menos corredores e equipas e o percurso desviou-se das grandes densidades populacionais, embora termine em Lisboa. E vai percorrer o país de norte a sul, menos Alentejo e Algarve”, sublinhou Delmino Pereira, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo na apresentação, em Lisboa, nos Paços do Concelho da Câmara Municipal, da prova rainha do ciclismo nacional.

Terá o nome de Volta a Portugal, mas acrescenta a palavra Especial. Realiza-se de 27 de setembro a 5 de outubro. Uma data fora do calendário inicialmente previsto para a 82ª edição, agendada para 29 de julho a 9 de agosto e que salta para 2021.

“Esta a Volta é como outra qualquer. É uma edição especial. Mas, do ponto vista legal, a 82º, que era suposto ser realizada este ano, realiza-se para o ano”, esclareceu Joaquim Gomes, à margem da apresentação. O nome do vencedor sucederá a João Rodrigues na galeria da prova. “Entra na história dos vencedores e será contabilizado”, garante o antigo ciclista, “durante 18 anos” e diretor da prova “nos últimos 18 anos”.

Nesta edição especial não desempenhará esse cargo, por estar ligado contratualmente à Podium Events. A empresa, promotora da maior prova do ciclismo português, adiou para 2021 a organização da 82ª edição da Volta a Portugal, devido à pandemia da Covid-19. “Sei que a Federação terá um diretor. A mim podem-me chamar diretor honorário. Tenho sido o anjo da guarda e não podia ficar afastado”, sorri.

“A defesa da qualidade sanitária do evento”

Em relação ao que se passará na estrada, a Volta Especial bebe inspiração no Tour de França, terminado ontem com zero casos de infeção nas equipas e ciclistas.

“Esta Volta foi desenhada de acordo com as autarquias, na procura de soluções confortáveis, que, por um lado, defendam um evento desportivo e, ao mesmo tempo, defendam a saúde das pessoas”, destacou o líder federativo que relembrou o papel decisivo do presidente da República, executivo de António Costa, responsáveis da Saúde e patrocinadores para “levantar uma prova em tempo recorde”.

Recordando o espírito de “resiliência” que recua aos primórdios desta competição de duas rodas, iniciada em 1927, Delmino Pereira assumiu ter uma missão e um compromisso para com os portugueses: “a defesa da qualidade sanitária do evento”.

Pela televisão, rádio, jornais ou à janela. A forma de acompanhar a Volta

As multidões à espera dos corredores ou a empurrarem as bicicletas nas estradas mais íngremes são imagens que não serão vistas este ano.

“Desejamos que o público assista na televisão (transmitida pela RTP). Que se sintam motivados para assistir à Volta através dos meios de comunicação social ou, então, a partir das suas janelas e casas de forma civilizada. É decisivo para a imagem da prova”, acrescentou o responsável máximo do ciclismo nacional.

“O apelo é só um. Para segurança da caravana e saúde de todos, procurem acompanhar a Volta pelos órgãos de comunicação social”, reiterou Joaquim Gomes, respondendo, desta forma, aos mandamentos governamentais e das autoridades de saúde que impedem os ajuntamentos, nas partidas e nas chegadas.

Nossa Senhora da Graça, Torre e Santa Luzia de acesso fechado 

“O público é o maior desafio de qualquer atividade que se queira promover. Temos reforço de estruturas, criação de corredores que afastam o público da “zona zero” onde estão os corredores, staff e toda a organização da caravana. A travessia das zonas urbanas fica entregue às forças de segurança”, descreveu ao SAPO24. 

“A subida à Nossa Senhora da Graça, Torre e Viana do Castelo (Santa Luzia)”, locais que apelidou de “carismáticos” e que importou “manter”, são, para Joaquim Gomes, “porventura os locais mais fáceis de controlar. Basta as forças seguranças, nesse dia ou na véspera, vedarem o acesso”, realçou.

Cita Viana do Castelo como exemplo. “O final não passa pela avenida principal, terá um percurso alternativo sem passar pelo centro da cidade e evita-se o público”.

A cidade minhota é chamada à conversa também para exemplificar o regresso de algumas autarquias ao traçado da prova, depois de terem anunciado que não receberiam a caravana. “Parte da Volta e municípios já estavam presentes na Volta inicial. Viana, inclusive, que foi dos primeiros a dizer não estar em condições, foi o primeiro, quando interpelado, a garantir a sua presença”.

1183,9 km, três Prémios de Montanha e um contrarrelógio a abrir e outro a fechar

Com 1183,9 quilómetros, os ciclistas partem de Fafe (prólogo) no próximo dia 27 e chegam a Lisboa (contrarrelógio), no feriado do 5 de outubro. Três das etapas têm final coincidente com prémios de montanha: Santa Luzia, em Viana do Castelo, 3ª categoria, Senhora da Graça, em Mondim de Basto, 1ª categoria, e Torre (Covilhã), categoria especial.

Joaquim Gomes destaca duas passagens no percurso. A etapa que liga Caldas da Rainha-Torres Vedras, que na versão de agosto terminaria “a 9, dia da primeira volta ganha por Joaquim Agostinho” e a etapa Loures-Setúbal, “em que teremos o acesso das praias da Figueirinha e podemos enfrentar o Alto da Arrábida, a partir do nível zero”, concluiu.

Percurso Volta a Portugal Edição Jogos Santa Casa

  • 27 de setembro - Prólogo: Fafe - Fafe, 7 km (CRI)
  • 28 de setembro - 1.ª Etapa: Montalegre - Santa Luzia (Viana do Castelo), 180 km
  • 29 de setembro - 2.ª Etapa: Paredes - Senhora da Graça (Mondim de Basto), 167 km
  • 30 de setembro - 3.ª Etapa: Felgueiras - Viseu, 171,9 km
  • 1 de outubro - 4.ª Etapa: Guarda - Torre (Covilhã), 148 km
  • 2 de outubro - 5.ª Etapa: Oliveira do Hospital - Águeda, 176,3 km
  • 3 de outubro - 6.ª Etapa: Caldas da Rainha - Torres Vedras, 155 km
  • 4 de outubro - 7.ª Etapa: Loures - Setúbal, 161 km
  • 5 de outubro: 8.ª Etapa: Lisboa - Lisboa, 17,7 km (CRI)

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