O adiamento foi benéfico para a preparação ou foi mais um momento de ansiedade?

Foi benéfico, sendo o início da nossa carreira deu-nos tempo para treinar e chegar mais perto do nível de competição dos melhores e mais experientes.

Beneficiou com o adiamento ou está nos Jogos devido a esse facto?

Sim, beneficiámos com o adiamento. Pudemos treinar desde o dia 1 julho de 2020 com uma nova equipa de treinos constituída pelos melhores do mundo na nossa classe. Oportunidade que não tínhamos tido antes e que nos deu a possibilidade de realmente elevar as nossas capacidades técnicas e que culminou na qualificação para os Jogos Olímpicos, em março 2021.

BI Olímpico

Pedro Costa

Modalidade: Vela, classe 470

Idade: 24 anos

Naturalidade: Porto

Clube: CWDS/BBDouro

Treinador: Luís Rocha, diretor técnico nacional

Participações: Estreia da dupla de irmãos nas olimpíadas. Apuramento conseguido após terem sido vice-campeões no mundial da classe 470, disputado em Vilamoura, no passado mês de março.

Factos & Curiosidades: Pedro e Diogo Costa são campeões do mundo de 420 (2016, São Remo, Itália). A medalha de prata na classe 470 repete os triunfos de velejadores portugueses em 1997 e em 2007. Pedro é o irmão mais velho. Ambos estudam na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Entre 28 de julho e 4 de agosto, 19 tripulações vão competir nas águas da baía de Sagami, em Enoshima. Os irmãos Costa serão a tripulação mais jovem a competir na classe 470.

Tóquio marcará o fim da irmandade a bordo, uma vez que a classe 470 passará a ser obrigatoriamente mista. Pedro, o mais velho, afirmou ao “Público” o desejo de procurar outra classe para não enfrentar o irmão mais novo e tentarem qualificar-se para os Jogos Olímpicos de 2024 em classes diferentes.

Há quanto tempo está a preparar os JO?

Desde 2017.

Ao longo deste ciclo Olímpico, quando é que pensou: este é momento do “tudo ou nada”?

Em 2018, depois da primeira oportunidade de qualificação. Oportunidade que perdemos.

Qual o pior momento na preparação?

O ano de 2018 foi mau para nós. Tive uma lesão no joelho, tivemos vários problemas de gestão psicológica e acabámos contra a nossa própria federação. Por falta de resultados acabámos por desintegrar-nos da equipa olímpica.

Que preparação específica foi feita? (Por exemplo, vai alterar os ciclos de sono antecipadamente face à diferença horária?)

Fizemos um processo de aclimatização ao clima do Japão num laboratório especializado em Coimbra por indicação do Prof. Dr. Amândio Santos.

Qual a maior dificuldade que espera encontrar em Tóquio? 

Sendo estreante, acho que o primeiro grande desafio vai ser entender como funcionam os Jogos Olímpicos. Naturalmente, o clima será complicado, mas estamos salvaguardados pela preparação feita.

Qual a coisa mais inusitada que leva na bagagem para o Japão?

Roupa normal, achei que, quem sabe, podia fazer falta vestir-me normalmente para me sentir na minha pele e afastar-me do turbilhão à volta dos atletas, se existir a necessidade.

Quais são os objetivos em termos de resultados/marcas? 

Para mim e para outros atletas olímpicos não seria inteligente prometer um resultado antes dos Jogos Olímpicos começarem. A nossa missão é dar o melhor do nosso esforço e capacidade. Foi sempre a maneira como encaramos os campeonatos mais importantes até hoje e parece ter corrido muito bem. Queremos estar concentrados no processo e transmitir orgulho aos portugueses que nos vejam pela forma como trabalhamos e a nossa atitude. O resto é desporto. E o desporto, às vezes tem desilusões e, outras vezes, grandes surpresas. Vamos ver o que está reservado para nós nestes JO.

O que é um bom resultado olímpico para Portugal?

Portugal é um país que, embora não seja dos maiores em números de atletas ou financiamentos, tem demonstrado muitíssima qualidade dos seus atletas. Não acho que haja resultados tabelados como bons ou maus para Portugal. Tão-pouco será um país para lutar por medalhas de ouro em todas as modalidades. Mas, em Portugal, os atletas tem normalmente uma atitude particularmente notável e que nos pertence e com base nisso acho que o conjunto da #equipaportugal pode trazer resultados de excelência para o país.

Qual a primeira memória que tem dos Jogos Olímpicos?

Ainda não tenho. Para já, estou agora no primeiro voo para Paris e depois seguiremos para Tóquio (ndr. Já estão em Tóquio). A minha primeira memória será encontrar o resto da equipa no ponto de encontro do aeroporto, todos devidamente vestidos com os equipamentos olímpicos e as pessoas no aeroporto a desejarem-nos boa sorte.

Quem é o melhor atleta olímpico de sempre na sua modalidade?

Acho que provavelmente o Peter Burling e o Blair Tuke. E o Santiago Lange (medalhado de ouro depois de um cancro no pulmão), do qual temos sangue na equipa de vela pois o filho é treinador dos velejadores da classe 49er (barco planador masculino).

Se ganhar uma medalha, a quem a vai dedicar?

A todos os que me apoiaram e que me fizeram superar-me até chegar onde estou ao dia de hoje. Aos que já não estão cá para celebrar. Aos mais velhos que depois de uma vida inteira ainda possam voltar a sentir um momento intenso de felicidade com uma conquista minha. E, de forma geral, a todos os portugueses que, se isso acontecesse (ganharmos uma medalha), se sentissem inspirados e se motivem com a minha história a serem melhores e a chegar mais longe.

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Memórias, objetivos e até uma pandemia. Rumo aos Jogos Olímpicos, que se realizam de 23 de julho a 8 de agosto em Tóquio, no Japão, desafiámos alguns dos nossos atletas a responder a um Questionário Olímpico.

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