“Ele nunca me vai responder. É evidente. O gajo é o Pizzi, pá, o Pizzi do Benfica. Quantas centenas de mensagens deve receber o Pizzi? E ainda por cima não me conhece de lado nenhum”.

Mas tentei. Enviei-lhe uma mensagem. Já não me lembro do que disse, mas uns dias depois ele respondeu. Conversa para a frente e para trás, acabámos a jantar a quatro, com as mulheres respetivas, a falar de bola, da vida, das aventuras dele no estrangeiro, do nosso Benfica.

Não estou aqui para falar de assistências, golos, organização tática. As estatísticas mostram o que o Pizzi vale, e a importância que tem para os títulos do Benfica. Assunto arrumado. Estou aqui para falar de uma pessoa, de um homem.

O Pizzi é um rapaz que cresceu em Bragança, e que continua a ter Bragança dentro dele. O sucesso profissional e a exposição mediática não o tornaram noutra pessoa, não o obrigaram a fugir das suas pessoas e a isolar-se naquele mundo para onde muitas vezes os famosos se mudam, e que faz deles pessoas distantes, inatingíveis, arrogantes. Quando vejo as fotos do Pizzi ou da Maria no Instagram, com os filhos, com os amigos, com a família, naquelas rotinas ou brincadeiras iguais às de todos, percebo isso mesmo, que aquelas pessoas são iguais a qualquer um de nós, que valorizam as mesmas coisas, que se divertem com as mesmas coisas.

O Pizzi é um miúdo fixe que por acaso joga no Maior de Portugal, na seleção nacional, e que, por isso, é conhecido, admirado e respeitado por milhões de pessoas. Não consigo olhar para ele apenas como mais um jogador do Benfica, porque ele é muito mais do que isso, e é esse lado simples, humano, familiar, que o torna especial, diferente daquilo que é o típico jogador de futebol.

Há uns anos, escrevi este texto dedicado a outro jogador muito parecido com o Pizzi, o Ruben Amorim, com o título: “Se eu fosse jogador de futebol queria ser o Ruben Amorim”. Foi uma homenagem ao então vice-capitão do Benfica, que se lesionara gravemente.

O que me ligava na altura ao Ruben é muito aquilo que hoje me liga ao Pizzi: o sentir que eles são, acima de tudo, homens normais como eu e quase todos os outros, com as suas famílias, os filhos, as dinâmicas familiares, e isso é aquilo que define muito do que nós somos na nossa essência, no nosso íntimo, que mostra que o sucesso não nos alterou, não nos destruiu o caráter.

É isso que significa ter Bragança por dentro. E o futebol seria melhor se houvesse mais jogadores com Bragança por dentro, mesmo que tenham vindo do Alandroal, de Setúbal, de Viseu ou de Portalegre.

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