Se por um lado, alguns jogadores já garantiram fortes aumentos nos seus vencimentos, aproveitando a proximidade do fecho da janela de transferências do mercado de inverno, como o brasileiro Philippe Coutinho, que acaba de estender o seu contrato por cinco anos para passar a auferir um ordenado semanal de 175.650 euros no Liverpool, outros, porém, não estão a ter a mesma sorte.

O Arsenal, por exemplo, tem estado com dificuldades em manter o alemão Mesut Özil e o chileno Alexis Sánchez satisfeitos no plantel.

De acordo com a imprensa inglesa, Özil e Sánchez, os dois maiores nomes dos arsenalistas, pedem cerca de 250.000 libras (290.000 euros) por semana para compensar a desvalorização da moeda inglesa em relação ao euro e ao peso, moedas de seus respectivos países.

Esse valor corresponde a aumento considerável em relação ao atual salário de 135.000 libras (158.000 euros) semanais que recebem, mas inferior à contraproposta do Arsenal, que gira em torno de 200.000 libras (234.000 euros).

"Ainda que a tendência dos adeptos seja para que estes associem os jogadores ao preço das suas transferências, é importante explicar que o valor da transferência é apenas um terço do custo total de um clube com um jogador", lembrou Jake Cohen, advogado especializado em aspectos legais desportivos.

Propostas chinesas

"O principal custo com um jogador é o seu salário", completou Cohen, numa entrevista recente à AFP, revelando que alguns jogadores estrangeiros recebem, por contrato, em moedas que não a libra.

Para camuflar as flutuações do mercado e da moeda, os clubes da Premier League mantêm acordos de patrocínio com casas de câmbio que lhes dão taxas preferenciais.

"Qualquer empresa envolvida em transações multinacionais tem que considerar as suas opções, e os clubes de futebol estão particularmente expostos", declarou Cohen.

Desde que o Reino Unido votou em junho de 2016 a favor de sair da União Europeia, a libra perdeu 18% do seu valor em relação ao dólar e 14% em relação ao euro.

"A libra está enfraquecida e está diminuir os salários já estagnados dos jogadores, e como não conseguem salários similares em outros países da Europa, os empresários estão a aproveitar esta nova oportunidade para tirar um pouco mais dos clubes", declarou à AFP Craig Erlam, analista de mercados da sociedade financeira Oanda.

"Para além disso, sabem que os clubes conseguem pagar mais devido aos novos acordos televisivos", disse. "Não acredito que seja uma coincidência que alguns jogadores, que claramente foram jogar em Inglaterra de olho no dinheiro dos contratos de televisão, estejam agora a utilizar as propostas da China para conseguirem arrancar melhores contratos", concluiu Eralm.

O poder da televisão

A Premier League beneficiou no início da corrente temporada de 5,14 mil milhões de libras (6 mil milhões de euros) que recebeu pelos direitos televisivos (para os próximos três anos, até 2019), o que representa um aumento de 70% em relação ao contrato anterior.

Se a este número astronómico forem considerados ainda os direitos de transmissão para o estrangeiro, o valor do acordo sobe para 8,3 mil milhões de libras (cerca de 9 mil milhões de euros).

No entanto, Cohen não acredita que a desvalorização da libra diminua muito a diferença colossal dos valores dos contratos televisivos da Premier League em relação aos contratos das outras grandes ligas, como a espanhola.

"A queda da libra vai ajudar inicialmente a Liga Espanhola, mas um aumento de 10% ou 15% do valor do euro em relação à libra, que pode não ser algo permanente, não será suficiente para igualar, muito menos superar, a Premier League no que diz respeito às receitas", analisou Cohen.

Assim, apesar dos maus resultados desportivos nas últimas temporadas, o Manchester United encabeça o ranking dos clubes mais ricos do mundo, de acordo com The Telegraph.

O United teve 689 milhões de euros em receitas em 2016, superando o Real Madrid, que liderou a lista nos últimos 11 anos.

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