Quando pensamos na liga de futebol mais competitiva do mundo, pensamos na Liga Inglesa. É verdade que, no último ano, a competitividade pelo primeiro lugar foi quase inexistente a partir de certo momento na época mas, regra geral, o campeonato é disputado até ao fim. E não é só para o primeiro lugar a competição é grande. Tanto lugares de acesso à Europa como nas posições de despromoção, todos os pontos contam e, já há muito sabemos, as equipas não se poupam a esforços para continuar na ‘onda’ financeira da Premier League.

La Liga e Serie A

Em Espanha a grande notícia foi a saída de Cristiano Ronaldo do Real Madrid. Sem grandes esforços, até à data deste artigo, para colmatar a sua saída, o Real Madrid fecha esta janela de mercado de transferências com um surpreendente saldo negativo de "apenas" 13,25 milhões de euros. Mas vejamos então o saldo total do conjuntos de clubes participantes na liga de nuestros hermanos:

créditos: Saldo (em milhões de euros), após entradas e saídas, de cada clube da La Liga

Com apenas três equipas a ultrapassarem o saldo negativo de 20 milhões de euros, o poderio financeiro médio do clube espanhol, para os dias de hoje, não está muito elevado.

Apesar do exercício seguinte poder não fazer 100% sentido a nível financeiro, ajudar-nos-á, mais à frente, a perceber ainda mais as diferenças entre ligas. Se pegarmos no saldo total da liga (-116.27M) e dividirmos pelas vinte equipas participantes, chegamos a um valor a rondar os 5,8 milhões de investimento/equipa. O que, como disse, não sendo um número realista, ajudar-nos-á mais à frente neste artigo.

Não só essa média/equipa nos ajudará, mas também a percentagem de dinheiro gasto. Em Espanha, dos 271,9 milhões de euros gastos, 189,6 milhões (correspondente a aproximadamente 70% do total de gastos) foram despendidos por três clubes apenas. Desde logo se consegue prever o desequilíbrio no rendimento das restantes equipas.

Se viajarmos até Itália e fizermos a mesma análise e o mesmo exercício, estes são os resultados:

créditos: Saldo (em milhões de euros), após entradas e saídas, de cada clube da Serie A

Como a imagem acima explica, em Itália mais clubes gastaram mais dinheiro, isto é, seis equipas geriram as suas entradas e saídas de jogadores de forma a chegar ao final do mercado de transferências com um saldo negativo acima dos 20 milhões de euros, pressupondo, por isso, um maior investimento.

E se em Espanha três clubes detinham aproximadamente 70% dos gastos totais, em Itália aproximadamente 87% (mais precisamente 316,1 dos 363,7 milhões de euros) foram despendidos por seis clubes.

Por fim, e seguindo o raciocínio aplicado ao campeonato espanhol, a média/clube utilizando como fator o saldo total da liga, igualmente negativo, chegamos à conclusão que a média/clube em Itália é de 14,2 milhões de euros, significativamente mais elevado que os 5,8 milhões espanhóis.

Premier League

É fácil, em conversa, dizer-se que o poderio financeiro dos clubes ingleses é maior. Mas perceber até que ponto é maior, e que quantias gastam - não só os maiores clubes (esses número são publicados constantemente), mas também os clubes ditos "mais pequenos" - é um exercício bastante elucidativo. Quando temos acesso a esses números, aí sim conseguimos perceber a verdadeira diferença entre as condições económicas da Premier League comparativamente com as restantes ligas mundiais.

créditos: Saldo (em milhões de euros), após entradas e saídas, de cada clube da Premier League

Os números são tremendos. 16 (!) das 20 equipas participantes da liga, fecham a janela do mercado de transferências com um saldo negativo acima dos 20 milhões de euros. Abismal, comparada às três equipas do campeonato espanhol e aos seis conjuntos da liga italiana.

Para podermos colocar a grandeza entre ligas em perspectiva, o Everton, equipa que terminou a temporada passada na 8.ª posição da Premier League, teve capacidade para adquirir dois jogadores ao campeão da La Liga, o todo poderoso Barcelona, por 50,5 milhões de euros, tendo gasto mais 25,5 milhões de euros noutras contratações.

Se nos focarmos apenas nas equipas que conseguiram este ano a promoção à liga, percebemos que poderíamos não estar a falar do mesmo desporto. O saldo total das três equipas promovidas foi de -190,4 milhões de euros, que é nada mais nada menos que aproximadamente 67% do saldo de transferências italiano e, pasmem-se, o equivalente a 164% do saldo de transferências espanhol.

Por fim, o valor despendido em média/clube é de, nada mais nada menos, que 50 milhões de euros/equipa. Comparado aos 5,8 milhões do campeonato espanhol e 14,2 milhões do italiano, dá que pensar.

Mais do que nunca, já que existe, de momento, um desfasamento de datas para o fecho de mercado entre a Premier League e as outras ligas europeias, as equipas inglesas terão que preparar as suas pré-temporadas com muito cuidado. Já com três jornadas, seria ainda possível, na temporada passada, colmatar falhas expostas nestes primeiros jogos. Mas com o fecho de mercado a antecipar-se ao início da competição, não só as equipas inglesas prepararão as suas aquisições, como irão proteger as suas peças fundamentais com mais afinco, já que não as poderão substituir caso as vendam.

Este fim de semana, na Premier League

Com o Arsenal a visitar o Cardiff City (12h30), o Tottenham a jogar-em Watford (16h) e o United a deslocar-se a Burnley (16h) teremos o primeiro Super Sunday da liga inglesa. Com três deslocações muito complicadas espera-se um Domingo, dia 2 de Outubro, cheio de golos e emoção naquela que é não só a liga mais rica do mundo, mas também a mais emotiva.

Todos os valores apresentados neste artigo tiveram como fonte https://www.transfermarkt.com e são datados de quinta-feira, 30 de Agosto de 2018.


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