Tentativas falhadas

Após ser nomeada sucessora de Richard Scudamore, e apenas uma semana antes de assumir o cargo, Susanna Dinnage decidiu comunicar que teria mudado de ideias e que não iria mais assumir o cargo de diretora executiva da Premier League. Com Dinnage fora da jogada a Premier League virou-se mais uma vez para a lista de candidatos e encontrou Tim Davie, diretor executivo da BBC. Davie daria o mesmo desfecho à proposta que Dinnage e recusaria assumir o cargo. Com outros tantos candidatos falados para assumir o cargo, sem que propostas oficiais fossem feitas, seria apenas em dezembro de 2019 que a posição seria finalmente preenchida de forma oficial. A escolha afinal estava mais perto do que se esperava. Depois de ter assumido o cargo de diretor executivo interino, Richard Masters assumiria o posto em definitivo aceitando a proposta da Premier League para assumir o cargo em permanência.

Efeito Manchester United

Após o reinado de 20 anos de Scudamore, à imagem de Alex Ferguson no Manchester United, quem se segue tem o ingrato papel de preencher as botas do seu antecessor. Tal como nos Red Devils, aquando da estreia de Sir Alex Ferguson, a Premier League, há 20 anos a esta parte, era uma marca imensamente mais pequena do que é aquando da saída do seu mais influente líder até ao momento. Dos 25 milhões de libras de lucros anuais, a liga de futebol inglês passou a faturar mais de 1 bilião de libras e se Scudamore teve a visão necessária para fazer crescer a liga, o que será pedido a Masters é que não só mantenha a liga no mesmo patamar, como consiga progredir o futebol inglês de forma a continuar a liderar em todos os aspetos do jogo.

As primeiras decisões no mandato de Masters

A semana foi marcada pela primeira reunião do ano dos clubes da Premier League. Os clubes juntaram-se e tomaram decisões há muito aguardadas. Além das mudanças, Masters fez um resumo de pontos nos quais mantém confiança e em que acredita serem o pilar de suporte para a contínua progressão da liga e do futebol inglês.

Começo da Premier League 2020/21 

Pode não parecer muito relevante, mas tendo em conta que haverá um Campeonato da Europa e uma Copa America durante o verão deste ano, é importante perceber qual a posição da liga relativamente à sua data de arranque. Sendo a final do Euro 2020 a 12 de julho e a final da Copa America a dia 7 do mesmo mês, a Premier League não pareceu incomodada com tal e marcou a sua data de regresso à competição para dia 8 do mês de agosto.

Fecho do mercado de transferências 

Os dois últimos começos de época na Premier League ficaram marcados por uma data do fecho de mercado de verão diferente do habitual. Há três anos a Premier League tentava inovar e começar uma nova tendência. O objectivo seria que os clubes e jogadores pudessem entrar na época o mais concentrados possíveis e que, sem boatos e possibilidades de transferência, conseguissem assim eliminar alguns começos mais instáveis no que toca a jogadores influentes nas equipas ainda sob o olhar de clubes potencialmente compradores. Já na altura se referia que poderia ser um erro, já que as grandes ligas europeias, e potenciais compradores na Premier League, fechariam o seu mercado mais tarde podendo ainda adquirir jogadores no mercado inglês. O grande problema seria que caso isso acontecesse os clubes ingleses estariam depois impedidos de ir eles mesmos ao mercado. Se essa era a dificuldade, o objectivo principal era criar uma nova perspectiva e tentar influenciar os outros campeonatos a fazer o mesmo. Passadas duas época o fiasco não poderia ser maior. Nenhuma outra liga seguiu o exemplo e os clubes ingleses ficaram mesmo, durante dois anos à mercê de predadores europeus, sem poderem, após o começo da Premier League, colmatar eventuais perdas.

Assim sendo, e colocada em cima da mesa essa mesma preocupação o Liverpool - um dos clubes mais vocais relativamente à mudança da regra -, juntamente com os outros cinco grandes da Premier League, colocaram pressão suficiente e conseguiram unir a liga em prol da mudança para a fórmula antiga. No verão que vem, a Premier League arrancará, mas o mercado de transferências permanecerá aberto até ao último dia de agosto, como aconteceu desde o início da sua criação em 1992.

Caso Ed Woodward 

Outra das decisões tomadas pelo grupo de 20 clubes que participaram na reunião, foi a de que qualquer elemento do público que seja banido por um clube, verá esse castigo ser abraçado pelos restante 19. Desta forma qualquer acto de violência ou conduta inapropriada contra jogadores, adeptos, dirigentes, empregados dos clubes e/ou árbitros não será tolerada pela Premier League e pelos clubes que a constituem. A extensão da punição será definida pelo clube em questão mas será replicada por todos os outros clubes da liga. A decisão vem na sequência de um protesto/ataque à casa de Ed Woodward. Felizmente não estaria ninguém em casa do vice-Presidente executivo do Manchester United, ainda assim os adeptos que se juntaram à sua porta fizeram-se ouvir com cânticos que diziam que Ed Woodward iria morrer e em conjunto com os protestos/agressões verbais, tochas foram também arremessadas para o quintal da sua residência.

Apostas e futebol 

Hoje em dia é difícil olhar para o futebol, ou qualquer outro desporto, sem ser chamado à atenção, quer em patrocínio de camisolas, em publicidade nos estádios ou anúncios nas televisões. É já um hábito, mas não parece ser um tema unânime. Apesar de ainda não existirem medidas que vão ao encontro de proibir ou reduzir o número de anúncios relativos a casas de apostas, existem argumentos e artigos nesse sentido. Assim como em tempos o apoio das companhias tabaqueiras, o caminhar de mãos dadas entre o desporto, neste caso o futebol, e as companhias de apostas é visto como publicidade estritamente para adultos, levando a que as crianças e a sua capacidade de serem influenciadas não sejam levadas em conta. Confrontado com o tema Richard Masters não pareceu sensibilizado com o assunto e diz que a parceria entre o futebol e as casas de apostas será para continuar. O tempo trará diversas questões para cima da mesa da Premier League e esta espera-se ser uma delas, e provavelmente mais brevemente do que se possa imaginar.

VAR

Quanto ao VAR Masters não poderia ser mais claro. Veio para ficar. Estudos mostram que 94% das decisões-chave nos jogos da Premier League, assistidas pelo VAR foram decididas corretamente e que 97% dos fora-de-jogo e outras decisões tomadas pelos árbitro auxiliares, também elas em que o VAR teve participação, acabaram também com o juízo correto. Assim sendo, e estando aberto a medidas para implementar uma maior fluidez de decisões, Masters foi claro sobre o facto de que o VAR veio para ajudar o futebol e que não irá deixar de o continuar a servir daqui para a frente.

Compras de Clubes 

Questionado sobre o interesse do Mohammed bin Salman em comprar, primeiramente o Newcastle United e mais recentemente o Manchester United, Masters foi preciso, dizendo apenas que todos os interessados em fazer parte da família da Premier League serão previamente escrutinados, como já acontece em processos idênticos.

Esta semana na Premier League

A jornada 26 da Premier League será num formato pouco usual. É mais uma das adaptações aos novos tempos e é considerada já a pausa de inverno do futebol inglês. A realizar-se em seis dias diferentes, durante este e o próximo fim-de-semana, todas as equipas terão assim uma semana de descanso, quer joguem já, quer joguem apenas no próximo fim-de-semana. Assim sendo, esta semana teremos em acção Everton vs Crystal Palace e Brighton s Watford no sábado dia 8 e, para fechar a primeira parte da vigésima sexta jornada, o Sheffield United vs Bournemouth e o Manchester City vs West Ham domingo, dia 9.

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