O adiamento foi benéfico para a preparação ou foi mais um momento de ansiedade?

Não havia escolha, por isso foi necessário desfazer essa ansiedade, torná-la num benefício e melhorar alguns dos pontos fracos que tinha. E nunca dava para ficar (ansioso) por estar sempre em competições.

Beneficiou com o adiamento ou está nos Jogos devido a esse facto?

Sei que estou qualificado, o resto é difícil de dizer. Mas sei que sou melhor atleta hoje do que era há um ano.

BI Olímpico

Rui Bragança

Modalidade: Taekwondo, -58kg

Idade: 29 anos

Naturalidade: Guimarães

Clube: Sport Lisboa e Benfica

Treinador: Pedro Campaniço

Participações: Foi o primeiro português a vencer um combate de taekwondo nos Jogos Olímpicos (2016). Tóquio será a segunda participação nas olimpíadas.

Factos & Curiosidades: Rui Bragança tirou o curso de medicina na Universidade do Minho, mas não exerce a profissão. Dedica-se 100% ao taekwondo. Estudou enquanto colecionava medalhas e títulos, em juniores, competições universitárias, campeonatos europeus e mundiais.

Bicampeão europeu, vice-campeão mundial e antigo número 1 do ranking mundial (2014), soma 48 medalhas, 22 de ouro, 11 de prata e 15 de bronze. Oscilou na competição entre os -68 kg e os atuais -58 kg. Garantiu a qualificação em maio, em Sofia (Bulgária).

Há quanto tempo está a preparar os JO?

Inconscientemente? Desde 2005 quando entrei no taekwondo. Todos os treinos são uma preparação. Tirando isso, no taekwondo o apuramento pelo ranking começa quando acabam os jogos anteriores. Por isso, desde agosto de 2016.

Ao longo deste ciclo Olímpico, quando é que pensou: este é momento do “tudo ou nada”?

Durante o confinamento várias vezes pensei que no dia do Torneio de Qualificação seria esse o pensamento... Era efetivamente a última hipótese. Mas o trabalho com a psicóloga foi essencial e, nesse dia, reinou a calma e nem por uma vez tive esse tipo de pensamento. Talvez por isso, esteja qualificado.

Qual o pior momento na preparação?

O início da pandemia. Ainda não havia adiamento de nada. Continuar a treinar em casa, a tentar dar o máximo para manter o nível dos treinos, sozinho, mais a dieta, foi muito complicado.

Que preparação específica foi feita? (Por exemplo, vai alterar os ciclos de sono antecipadamente face à diferença horária?)

Vou tentar adaptar um ou dois dias antes da partida, mas vamos com antecedência suficiente para fazer uma adaptação completa lá.

Qual a maior dificuldade que espera encontrar em Tóquio?

Sinceramente não sei. O calor preocupa muitos atletas, mas a nossa competição é indoor. Por isso devemos ter condições normais.

Qual a coisa mais inusitada que leva na bagagem para o Japão?

A minha mala costuma levar quase sempre o mesmo, sendo que o mais inusitado, para quem não é de um desporto de combate, é a balança.

Quais são os objetivos em termos de resultados/marcas?

Dar o meu máximo. O resto é uma consequência.

O que é um bom resultado olímpico para Portugal?

Ter pelo menos duas medalhas já seria bom.

Qual a primeira memória que tem dos Jogos Olímpicos?

Lembro-me de ver o Nuno Delgado a receber a medalha em Sydney (2000). Acho que foi a primeira vez que percebi o que eram os Jogos.

Quem é o melhor atleta olímpico de sempre na sua modalidade?

É difícil escolher um. O taekwondo tem tido muitas variações nos últimos 12 anos. Mas falando de medalhas, o atleta que se destaca é o americano Steven Lopez.

Se ganhar uma medalha, a quem a vai dedicar?

À minha namorada e ao nosso filhote.

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Memórias, objetivos e até uma pandemia. Rumo aos Jogos Olímpicos, que se realizam de 23 de julho a 8 de agosto em Tóquio, no Japão, desafiámos alguns dos nossos atletas a responder a um Questionário Olímpico.

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