As duas últimas questões pareceriam fáceis de responder. Qualquer equipa do mundo ficaria melhor com Cristiano Ronaldo e o capitão da seleção nacional está num dos melhores momentos da carreira. Os números mostram isso mesmo: a Juve venceu todos os jogos oficiais até ao momento (10 jogos, 10 vitórias), tem uma média de 2,3 golos/jogo e está a dominar a Serie A. Ronaldo fez 9 desses 10 jogos e leva 4 golos. Um início “enferrujado” para o craque português que faz, naturalmente, parte do processo de ambientação a uma nova equipa, liga e país.

Se as questões referentes à equipa italiana parecem encaminhadas, em Madrid as coisas estão diferentes. Em 11 jogos realizados, o Real tem já 4 derrotas e 2 empates, um dos piores arranques de que há memória no Santiago Bernabéu. Na temporada passada, nos primeiros 11 jogos da época, o Real teve apenas 1 derrota e 2 empates. Passou de 24 golos marcados no arranque da temporada passada para 17 nesta época! Uma descida assinalável, numa das melhores equipas a atacar dos últimos anos.

É de salientar que a saída de Ronaldo não foi a única mudança na capital espanhola. Zinedine Zidane abandonou o comando técnico da equipa e agora é Julen Lopetegui quem dirige a equipa.

O verdadeiro peso de Ronaldo

Se a saída de Ronaldo não é a única coisa que abalou Madrid, como podemos afirmar com certeza que o descalabro da equipa se deve à ausência do craque português? Com total certeza não podemos, mas é possível explicar quase tudo com a maior transferência do mercado.

Ronaldo era o goleador da equipa, a máquina de fazer golos que garantia quase sempre que a sua equipa marcava (terminou a época passada com uma média de 1 golo por jogo). Esta temporada o Real leva 4 dos 11 jogos sem marcar (os últimos 4), igualando um desonroso recorde com 33 anos. Esta realidade é ainda mais preocupante quando comparada com o ano passado: nos 62 jogos da época 2017/2018, em apenas 6 o Real não marcou golos!

Se Ronaldo é dos melhores goleadores do mundo, quem lá ficou não é propriamente fraco! Benzema, Bale, Asensio e o recém-contratado Mariano Diaz são jogadores de topo mundial. O peso de Ronaldo ressentia-se nos golos, mas, mais que isso, afetava a forma como a equipa jogava. A presença do português fazia o Real de Zidane jogar para ele e privilegiar movimentos que favoreciam Ronaldo.

O flanco esquerdo era sempre o mais procurado de forma a aproveitar a sintonia entre Ronaldo e Marcelo. E, no lado direito, desejavam-se as diagonais de Ronaldo para a área, de forma a servir CR7. A presença de Isco no lugar de Bale (como muitas vezes aconteceu com Zidane) é explicada por aqui, sendo o espanhol um jogador exímio em servir os avançados ao contrário do galês, muito mais finalizador.

A saída de Zidane abalou o clube, mas a saída de Ronaldo afetou-o ainda mais. Os merengues perderam o seu “abono de família” e a sua matriz de jogo. Mudanças demasiado profundas para não deixarem mossa.

E agora? Como dar a volta ao texto?

Lopetegui não tem vida fácil em Madrid. Conhecido por ser um “cemitério de treinadores”, o Real Madrid é um desafio bicudo para o ex-Porto. Perdendo Ronaldo, a equipa perdeu a identidade. Mesmo tendo jogadores de topo para organizar o jogo (como Modric e Kroos), a equipa perdeu a referência e a solução principal para a construção dos médios.

Ainda assim, a qualidade individual dos intervenientes vai, mais tarde ou mais cedo, vir ao de cima. Cabe a Lopetegui mexer na forma de jogar da equipa de forma a aproveitar todo o talento que tem em mãos. O modelo de jogo do treinador espanhol é, como vimos no Dragão, um modelo de posse que pode (curiosamente, como vimos também na cidade do Porto) ser difícil de entrar numa equipa formatada para outras ideias.

Acreditamos que o Real Madrid vai sobreviver a este choque de perder o seu melhor jogador dos últimos anos, mas a mudança do chip pode demorar. As ideias de um treinador novo podem tardar em dar resultados e, sem uma máquina de fazer golos e resolver jogos como Ronaldo, tudo fica mais complicado.

Como dissemos, a qualidade vai acabar por vingar, mas quando? Os adversários na La Liga ainda não fugiram muito na pontuação, mas conseguirá o Real engrenar a tempo de lutar pelo título? E sem Ronaldo, repetirão a conquista da Champions?

É óbvio que o Real era muito importante para os números de Ronaldo, mas o craque era ainda mais importante para o clube de Madrid! Provam-no a seca de golos (nunca vista durante a estadia de CR7 em Madrid) e a dificuldade em vencer jogos que, com o português, ficavam resolvidos.

A queda dos merengues é evidente (derrotas com Alavés, CSKA e Sevilha), falta saber como reagirão Lopetegui e as estrelas que ficaram em Madrid. Em Turim, Ronaldo e a Juve vão dominando e prometem um ataque à “predileta” Champions do Real. Veremos quem, no fim, sai por cima!

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