O ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho e Mustafá, um dos líderes da claque Juventude Leonina, foram detidos no âmbito da investigação da invasão à academia do clube, em Alcochete, disse à Lusa fonte da GNR.

A detenção de Bruno de Carvalho e de Mustafá foi também confirmada à agência Lusa pela Procuradoria-geral da República, indicando que os detidos "serão oportunamente presentes ao Juiz de Instrução Criminal para aplicação das medidas de coação".

"Ao abrigo do disposto no art.º 86.º, n.º 13, al. b), do Código de Processo Penal, confirma-se que foram efetuadas duas detenções no âmbito do inquérito relacionado com as agressões na Academia do SCP em Alcochete", refere a PGR em resposta à Lusa.

Uma outra fonte judicial disse à Lusa que os mandatos de detenção foram emitidos pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DIAP) e que "estão a decorrer buscas".

Em 15 de maio deste ano, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na Academia do clube, em Alcochete, por um grupo de cerca de 40 alegados adeptos encapuzados, que agrediram alguns jogadores, treinadores e ‘staff’.

No dia dos acontecimentos, a GNR deteve 23 pessoas, tendo posteriormente efetuado mais detenções, estando atualmente em prisão preventiva 38 pessoas, entre as quais o antigo líder da claque Juventude Leonina Fernando Mendes.

Os 38 arguidos que aguardam julgamento em prisão preventiva são todos suspeitos da prática de diversos crimes, designadamente de terrorismo, ofensa à integridade física qualificada, ameaça agravada, sequestro e dano com violência.

Bruno de Carvalho, que à data dos acontecimentos liderava o clube, foi, entretanto, destituído em Assembleia-Geral e impedido de concorrer à presidência do clube, atualmente ocupada por Frederico Varandas.

Rumores de mandado de detenção levaram Bruno de Carvalho ao DIAP em outubro

Há um mês, a 11 de outubro, o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho apresentou-se no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP), justificando a presença pelo facto de ter sido informado de que haveria um mandado de detenção em seu nome.

“Fala-se nos bastidores de mandados de detenção para eu ser ouvido, eu fui ao DCIAP e aqui para dizer que cá estou, como sempre estive, para dar todas as informações que necessitarem, não são necessários mandados, absolutamente nada”, dizia na altura à saída do Campus da Justiça, em Lisboa.

O antigo presidente do Sporting, destituído em Assembleia Geral realizada em 23 de junho, explicava que foi primeiro ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e depois ao DIAP, mas que o processo ainda estava no juiz de instrução.

“A partir daí não pudemos falar sobre o processo, que ainda está no juiz de instrução. (...) Vim demonstrar, de forma voluntária, que não é preciso nada, é dizerem que precisam de falar comigo e vou onde for preciso”, acrescentou.

O antigo dirigente dizia ainda que se continuava na “senda” da sua culpabilidade em relação às agressões a futebolistas na Academia de Alcochete, em 15 de maio, por adeptos do clube lisboeta, mas garantia, uma vez mais, nada ter a haver com o caso, que tem 38 detidos em prisão preventiva.

"[Se teve conhecimento do ataque?] Não, absolutamente nada, a não ser quando me vieram avisar que aquilo tinha acontecido e nessa altura fui para a academia”, reiterava então Bruno de Carvalho.

O ex-líder dos ‘leões’ dizia também ser uma coincidência a sua ida ao DIAP, um dia após a detenção de Bruno Jacinto, antigo oficial de ligação aos adeptos, no âmbito do ataque em Alcochete.

“É uma mera coincidência, porque ontem chegou-me ao conhecimento que haveria um mandado para esta sexta-feira, eu não necessito de mandados. Não tenho medo de nada. Você gostava de ir parar ao calabouço? Tem a ver com personalidade e caráter”, acrescentava.

Bruno de Carvalho dizia também ter cinco anos e meio de Sporting e reafirmava ter a consciência tranquila em todos os assuntos, “das autorias forenses, do ‘cashball’ ou do ataque à Academia de Alcochete”, mantendo-se disponível para a justiça.

A acompanhar Bruno de Carvalho esteve o advogado José Preto, que disse ter sido apresentado um requerimento do ex-presidente para se colocar à disposição da justiça no que fosse útil e apurar se existia fundamento nos rumores que apontavam para a existência de um mandado.

“O requerimento que o doutor Bruno de Carvalho formulou por meu intermédio era no sentido de se pôr à disposição da Procuradoria para o que fosse útil. Havia rumores que um mandado de detenção estaria a preparar-se. Não se confirma, tanto não se confirma que estamos os dois aqui fora", dizia o advogado em outubro.

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