Termina esta sexta-feira a campanha eleitoral aos órgãos sociais do Sporting Clube de Portugal.

Deveria ter sido elevada nas palavras, assim prometeram, no início, as três listas a sufrágio, a A, de Pedro Madeira Rodrigues, a lista B, de Bruno de Carvalho, que se recandidata e a lista C, de Gonçalo Nascimento Rodrigues, que concorre somente ao Conselho Leonino, e que se manteve à margem das grandes discussões. Devia e até começou. Mas foi sol de pouca dura e rapidamente se tornaram numas eleições idêntica às anteriores; do passado recente até à própria fundação do clube.

A campanha começou com um Bruno de Carvalho em posse estadista, institucional, próximo de um campo que deveria ser ocupado por Pedro Madeira Rodrigues. Mas rapidamente a sobriedade de discursos de ambos deu lugar a um encontro nos populismos. A publicação dos cadernos eleitorais deu o pontapé de saída nas discussões entre os candidatos a presidente.

Bruno de Carvalho, ora surgindo como atual presidente, ora como candidato, assentou a estratégia mostrando obra feita: reestruturação financeira, contas positivas, vendas históricas de jogadores, 150 mil sócios, pavilhão João Rocha, assumindo-se como o salvador do clube que definhava. Pede, por isso, “mais quatro anos” e diz que do outro lado não há propostas.

Pedro Madeira Rodrigues, o desafiante, alertou para os elevados gastos, atirou-se ao treinador Jorge Jesus, aos investidores e apoiantes que estão com Bruno de Carvalho, nomeadamente José Maria Ricciardi e falou da cultura do medo. Viajou de Londres ao Qatar para falar com os “homens” da massa e apresentou um treinador (Juande Ramos) e dois ex-campeões para o futebol (Bolöni e Delfim).

Jorge Jesus e Ricciardi foram os nomes mais pronunciados na campanha. Madeira Rodrigues e Ricciardi prometem mesmo encontrar-se em tribunal depois do ato eleitoral.

Falou-se também das mudanças de campo. O atual presidente orgulha-se de uma lista abrangente que foi engordada por sensibilidades vindas de anteriores candidaturas, como são o caso do sempre presente José Maria Ricciardi. Já Pedro Madeira Rodrigues acenou com três ex-'brunistas', Rui Morgado, Mário Saldanha e Vítor Ferreira, que segundo Bruno de Carvalho saíram “por unanimidade”.

Bruno de Carvalho utilizou as redes sociais, um campo onde se move como um "peixe na água", para passar a mensagem. Valeu-lhe até a comparação feita no jornal inglês “The Independent” a Donald Trump. 

Pedro Madeira Rodrigues foi mais institucional na forma (conferências de imprensa e visitas a núcleos), mas não tanto na palavra.

Numa campanha em que só por uma vez os candidatos a presidente se encontraram para um debate – na Sporting TV – a estação televisiva do clube viria a receber criticas por parte do candidato Madeira Rodrigues por tratamento desigual. Não faltaram também a publicação de gravações e acusações de falsas notícias.

Bruno de Carvalho e Madeira Rodrigues só num único ponto estiveram de acordo: no apelo ao voto.

A “opinião pública” do universo leonino

Daniel Sampaio, mandatário da Lista B, encabeçada por Bruno de Carvalho, é claro na análise: “esta foi uma campanha eleitoral em que a Lista de Bruno de Carvalho apresentou um projeto global para o clube, uma equipa com experiência e ideias para o futuro”. Do outro lado, Pedro Cavaleiro Ferreira, mandatário da lista A, de Madeira Rodrigues, recorda o avô, António Ribeiro Ferreira, o presidente com mais títulos no futebol (7 campeonatos ganhos em 8 anos de 1946 a 1953). “Era um homem de consensos, que conseguiu unir a família sportinguista, na altura também com politiquices, guerras, divisões e golpes palacianos. É esta a lição que tiro do meu avô, que um Sporting unido é fortíssimo, dá frutos e títulos que nunca mais acabam, vale a pena lutar por isso”, escreveu numa declaração enviada ao SAPO24.

Fora da luta pela eleição para presidente do clube e sobre o qual “não se pronuncia”, encabeçando a lista C para o Conselho Leonino, Gonçalo Nascimento Rodrigues congratula-se de ter colocado o papel deste órgão “no debate” e “sem máquina, sem aparelho, apenas com a dedicação de um conjunto de sócios”, diz que conseguiram “chegar as propostas” aos sócios.

Mas as opiniões sobre a campanha não se ficam por aqui. O SAPO24 questionou um antigo dirigente, um ex-jogador, comunicadores e comentadores televisivos, uma sócia com peso da antiguidade e um representante de um núcleo. A ausência de ideias e algum extremismo foi quase unânime entre os escutados.

“A campanha eleitoral, infelizmente, foi muito pouco esclarecedora nas questões programáticas essenciais para o próximo mandato. Desde a estratégia desportiva, atividade core do Sporting Clube de Portugal, passando pelo plano económico e financeiro e pelas atividades de suporte, tais como, infraestruturas e novas tecnologias, comunicação, marketing, new media, expansão e internacionalização não foram devidamente apresentadas e debatidas”, começou por dizer Miguel Salema Garção, ex-dirigente e Gestor de Comunicação. “Foi uma campanha de “chavões”, “banalidades” e “insultos” que em nada valorizou o Sporting Clube de Portugal e os próprios candidatos, excluindo a lista candidata ao Conselho Leonino que manteve um discurso positivo e de elevação”, concluiu.

“Pouca discussão sobre propostas concretas” e o “muito ataque pessoal”, evidencia Margarida Caldeira da Silva, sócia 401, coordenadora das modalidades e diretora do multidesportivo. Já Tiago Sanches da Gama, membro dos órgãos sociais da Delegação Solar do Norte do Sporting Clube de Portugal do Solar do Norte, recorre a uma analogia com o mundo da bola. “Foi igual à equipa de futebol. Começou bem e acabou mal”, sublinhou.

José Pina, humorista e comentador na TVI24, diz-se “satisfeito por mais uma vez haver mais do que um candidato”, reforçando que o “Sporting Clube de Portugal continua a ser um exemplo de vitalidade democrática nos clubes desportivos de maior dimensão”.

“Um Sporting muito dividido e extremado” é a imagem que Luís Paulo Rodrigues, especialista em comunicação, extrai da campanha eleitoral. “O presidente que vencer terá que eleger a pacificação da nação sportinguista como objetivo central do próximo mandato, prosseguindo as políticas de desenvolvimento e consolidação do clube e da SAD”, avisa. Luís Vilar, coordenador de Desporto da Universidade Europeia, recorda que “a ambição e promessa de ambos os candidatos é trazer vitórias nos campeonatos das diversas modalidades, com especial ênfase ao futebol, e apresentar resultados financeiramente robustos”. No entanto, e face ao que se viu defende que “a estratégia que têm para o cumprimento da visão que apresentam não é clara nem foi devidamente comunicada”, sublinhou.

Por fim, Beto, antigo capitão leonino deixa uma mensagem de esperança “que sábado o nosso grande Sporting se torne mais unido e mais forte”.

Esclarecidos, têm amanhã a palavra os mais de 43 mil sócios que podem votar. As urnas abrem às 09h00 e fecham às 19h00.

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