“O Sporting Clube de Portugal informa que garantiu a maioria do capital da SAD através de uma operação concluída hoje, em que antecipou e assegurou a compra dos VMOC (Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis) detidos pelo BCP, com valor nominal de 83,417 milhões de euros que venciam em dezembro de 2026”, lê-se no comunicado dos ‘leões’.

Um dia antes das eleições para os órgãos sociais do clube, nas quais são candidatos o presidente Frederico Varandas (lista A) e os gestores Ricardo Oliveira (lista B) e Nuno Sousa (lista C), o emblema ‘leonino’ revela a possibilidade de converter “os VMOC por si detidos e assim aumentar a participação na Sporting SAD para 83,90% do capital social”.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a SAD do Sporting deu conta do contrato de compra e venda com o BCP relativamente às Valores Sporting 2010 (27.416.953 VMOC) e Valores Sporting 2014 (56.000.000), que venciam em 26 e 16 de dezembro de 2016, respetivamente.

Sporting antecipa mais 38,5 milhões de euros de receitas após recompra das VMOC

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Sporting SAD revelou a alteração à titularização de créditos negociada em 20 de março de 2019, então no valor de 65 ME.

Na altura, este montante decorria da “cessão dos créditos decorrentes do contrato de cessão de direitos de transmissão televisiva e multimédia, de exploração da publicidade estática e virtual do Estádio José Alvalade, de distribuição do canal Sporting TV e direitos de patrocinador principal, celebrado em 28 de dezembro de 2015, entre a Sporting SAD, a Sporting Comunicação e Plataformas, S.A. e a NOS Lusomundo Audiovisuais, S.A".

Hoje, a alteração a esta operação visou a emissão da Sagasta de obrigações de titularização adicionais, no valor de 38,5 ME, como “acréscimo do preço de compra e venda de créditos relacionados com os direitos de transmissão televisiva e multimédia e com os direitos de distribuição do canal Sporting TV, destinada a substituir passivos, financeiros e não-financeiros”.

De acordo com a sociedade ‘verde e branca’, “os créditos cedidos nesta operação servirão para colateralizar a emissão de obrigações titularizadas até ao reembolso integral das mesmas”.

O exercício do direito de opção de vencimento antecipado dos VMOC pelo clube fundador da sociedade faz com que estes sejam convertidos em ações de categoria A.

Assim, e de acordo com o mesmo comunicado enviado à CMVM, o clube passa a deter 126.321.668 milhões de ações da SAD, “representativas de uma participação de 83,9% do capital social e dos direitos de voto na sociedade, dos quais, de forma direta, serão imputados os direitos de voto de 101.359.378 ações da Sporting SAD, representativas de uma participação de 67,32%.

De forma indireta, por via do controlo conjunto com a Sporting SGPS, o clube detém ainda os direitos de voto de 24.962.290 ações da Sporting SAD, representativas de uma participação de 16,58%.

Em 31 de dezembro de 2021, o Sporting detinha diretamente na SAD direito de voto de 26,656%, face à posse de 17.859.437 ações de categoria A.

Varandas fala em "dia histórico"

“Hoje é um dia histórico. O Sporting Clube de Portugal fechou hoje o acordo para comprar os VMOC detidos pelo Millenium BCP, garantindo a maioria do capital da SAD”, começou por dizer o dirigente ‘leonino’, no auditório do Estádio José Alvalade.

Frederico Varandas lembrou que, caso o Sporting não conseguisse concluir o processo até dezembro de 2026, “perderia o controlo da SAD”, regozijando-se por tê-lo feito “quatro anos e nove meses antes”, no último dia do seu primeiro mandato como líder.

“Foi uma operação iniciada há cerca de três anos, longa, dura e complexa, mas sempre conduzida sob a nossa forma de trabalhar: sem ruído, com discrição e eficácia. Era um dos grandes objetivos no mandato e ficamos muito felizes por o ter cumprido”, frisou.

Na véspera das eleições dos órgãos sociais do clube, o médico garantiu que a escolha deste dia não significa uma vantagem para o sufrágio.

“Nunca procurámos vantagens ou desvantagens. Procurámos, nestes três anos e meio, simplesmente fazer. E temo-lo feito. Há coisas que não conseguimos fazer no primeiro, no segundo ou no terceiro ano. O nosso foco é melhorar o clube”, sublinhou Varandas.

Também o vice-presidente ‘leonino’ Francisco Salgado Zenha, com o pelouro da área financeira, usou da palavra, para detalhar os pormenores deste acordo, que permite ao Sporting passar a deter um total de 83.563.849 VMOC, o que é equivalente a 61,9%.

“Num cenário em que o Sporting Clube de Portugal decida converter os VMOC em ações, passa a deter 83,9% do capital social da SAD, o que significa que passa a deter 83,9% dos direitos de voto da SAD. Significa também que, se a totalidade dos VMOC for convertida, inclusive os que não são detidos pelo Sporting ou pela SGPS, ainda assim continuará a deter uma participação muito próxima da que tem hoje”, explicou.

Salgado Zenha afirmou que o objetivo da direção, em caso de triunfo no sufrágio deste sábado, “continua a ser comprar a totalidade dos VMOC”, seguindo-se a negociação com o Novo Banco, “que já está a decorrer”, ‘fechando a porta’ à venda deste capital.

“O nosso foco é reforçar a participação do clube no capital da SAD. Neste momento, o foco não é vender esse capital, até porque não temos garantida uma larga maioria do capital da SAD. Um passo de cada vez, como temos feito ao longo do mandato”, disse.

Os dois dirigentes aproveitaram ainda a ocasião para agradecerem às equipas financeira e jurídica do Sporting, por toda a ajuda na conclusão deste processo, com Varandas a apelar também aos sócios para se deslocarem às urnas do Pavilhão João Rocha, no sábado, das 09:00 às 20:00, para “mostrar a vitalidade e a força” do clube.

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