Frappart, que já foi a primeira mulher a apitar na liga masculina francesa de futebol e na Liga dos Campeões, vai liderar uma equipa de arbitragem exclusivamente feminina, que incluirá a brasileira Neuza Back e a mexicana Karen Díaz.

Aos 38 anos, Frappart participará no torneio mais importante do futebol masculino, culminando uma ascensão agitada desde a sua estreia na Ligue 1, em 2019.

Nesse mesmo ano foi designada para trabalhar na Supertaça Europeia, em 2020 atuou na Liga dos Campeões e em 2021 no Campeonato Europeu.

"É uma grande evolução, um reconhecimento das minhas qualidades e competências. Esta é a minha linha de conduta desde o início, ser escolhida pelas minhas competências, não pelo meu género", declarou a francesa numa conferência de imprensa antes do último Europeu.

Com esse histórico, poucos ficaram surpresos com o facto de Frappart estar entre as primeiras árbitras a participar num Mundial masculino.

"Um Mundial é o ápice, a maior competição do mundo", reconheceu a francesa em setembro, após ser nomeada para fazer parte do corpo de arbitragem.

"Ela já participou em dezenas de competições internacionais. Sabe perfeitamente como administrar um evento intercontinental", elogiou Clement Turpin, o outro árbitro francês presente em Doha.

No seu percurso até à partida desta quinta-feira, Frappart cumpriu todas as etapas desde o seu início na arbitragem, em 1996.  "No início era uma paixão. Não tinha os olhos postos na Ligue 1 ou em qualquer outra competição", recorda.

Ex-jogadora do AS Herblay, da região de Paris, Frappart é árbitra desde os 13 anos e passou cinco temporadas na segunda divisão. Na Ligue 1, não demorou muito para receber elogios unânimes de jogadores e treinadores.

"Ela tem muita diplomacia. E quando se é treinador, homem, e se está sob pressão, irritamo-nos (...) Basta-lhe olhar para ti, sorrir, fazer um gesto... que acabou", comentou em 2019 Christophe Galtier, atual treinador do Paris Saint-Germain.

"É uma mulher de uma calma e serenidade impressionantes, é difícil desestabilizá-la, tem uma maturidade incrível", disse à AFP o presidente da comissão federal francesa de árbitros, Eric Borghini.

"Já faz parte da paisagem" para os jogadores, acostumados a vê-la com o apito, garantiu. "Acho que eles a consideram igual a um homem. Se puderem enganá-la, não hesitarão em fazê-lo".

Jürgen Klopp também elogiou a sua forma diplomática e calma de arbitrar após a final da Supertaça Europeia de 2019, que o Liverpool venceu o Chelsea nos pénaltis.

"Eu disse à equipa de arbitragem após o jogo que, se tivéssemos jogado como elas apitaram, teríamos vencido por 6 a 0", disse Klopp. "Essa foi a minha opinião. Fizeram uma partida brilhante".

Desde que chegou à elite do futebol, Frappart tem sido frequentemente questionada sobre o seu percurso no futebol masculino e as suas respostas são, tal como a sua forma de arbitrar, diplomáticas, mas firmes.

"Defendi sempre que sejamos consideradas pelas nossas capacidades e não necessariamente pelo nosso género. Se as mulheres têm qualidades, também devem receber oportunidades", ressalvou.

"Desde 2019, demos um grande passo em frente. Agora já não é uma surpresa ver mulheres a arbitrar homens, independentemente do continente ou do país", explicou em setembro.

A juíza, natural de Val-d'Oise (a norte da capital francesa), também não teme a sua estreia no Qatar, país questionado pelos direitos das mulheres, onde garantiu que foi "sempre bem recebida".

"Esse também é um forte sinal das entidades (desportivas) de que há mulheres neste país", declarou. "Não sou uma porta-voz feminista, mas pode ajudar as coisas. Sei que muitas vezes desempenhamos um papel, especialmente no desporto."

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