Quando no último fim de semana Thomas Tuchel chegou à conferência de imprensa, depois de o Chelsea ter sido goleado pelo 19.º classificado da Premier League, o West Bromwich, disse: “Tivemos problemas, mas não foi uma questão de caráter. Odiamos perder e, se fosse hoje, voltaria a apostar dinheiro na nossa vitória. São jogos que acontecem e as estatísticas até dizem que estivemos melhor”.

Após aquela que foi a primeira derrota enquanto treinador dos Blues, o alemão, que assumiu o comando técnico da equipa em janeiro, depois de Frank Lampard ter sido despedido, agarrou-se aos números do jogo, os dos bastidores do placard do marcador, para explicar que “99 em 100 vezes” ganharia aquele encontro.

Ora um treinador de futebol com o currículo de Tuchel, com passagens pelo Mainz, Borussia Dortmund e Paris Saint-Germain, sabe melhor do que um apostador que as estatísticas valem o que valem. Contam uma história, mas por vezes não escrevem o capítulo final.

O FC Porto, aliás, tinha chegado a esta fase da Liga dos Campeões contrariando as estatísticas, para além das probabilidades. Basta olhar para o jogo em Turim, diante da Juventus, para tirar as devidas ilações. Com 12 remates contra 20 e com apenas 34% da posse de bola, os Dragões eliminaram Cristiano Ronaldo e companhia.

Esta quarta-feira, no primeiro encontro dos quartos-de-final da Champions, os azuis e brancos tiveram a estatística, mas não tiveram o resultado. Tuchel perderia uma aposta, uma dedução possível, uma vez que os números do Porto sobre o Chelsea foram praticamente tão bons como os do Chelsea diante o West Bromwich no sábado.

Se as estatísticas valessem vitórias, o FC Porto tinha ido para o intervalo em vantagem. Só na primeira parte teve por Uribe, com um bom remate de fora de área, Otávio, com um canto direto, Zaidu, na recarga desse mesmo canto, e Pepe, de cabeça na sequência de outro canto, oportunidade de colocar a bola no fundo a baliza.

Apesar do domínio de jogo dos Dragões, a tirar proveito da ausência de Kanté, que por motivos físicos começou o jogo no banco, e a limitar o raio de ação de Jorginho, impedindo assim o Chelsea de criar e jogar como queria, foi traído por uma abordagem e posicionamento de Zaidu que permitiu a Mason Mount receber a bola à entrada e com dois toques, domínio e remate, fazer o primeiro golo do jogo.

Quando o árbitro apitou para os 45 minutos, se Tuchel fosse o apostador que na sua analogia de fim de semana diria ser, apostava na reviravolta - não fosse a outra equipa a sua, claro. Mas atenção, se o fizesse, não era de todo uma ação descabida. Afinal, os Dragões tinham mais sete remates e mais 16 ações na área adversária. Os Blues dominavam na posse de bola e na eficácia de passe, sem tirar o devido proveito disso.

A segunda metade do encontro não teve uma história muito diferente da primeira. O FC Porto voltou a entrar melhor e com mais ganas de marcar para manter a eliminatória viva, uma vez que este jogo contava como sendo em casa da turma orientada por Sérgio Conceição. Era a garra contra os milhões e invencibilidade do Chelsea. A equipa de Tuchel está avaliada em cerca 780 milhões de euros e o FC Porto em 263. Os azuis de Portugal tinham duas derrotas e um empate na Champions, antes deste encontro, já os azuis de Terras de Sua Majestade somavam dois empates e seis vitórias, num currículo europeu que inclui a eliminação do Atlético de Madrid, um argumento tão forte como a eliminação da Juventus.

A atitude, que é uma marca deste Porto de Conceição, aliado a um grande passe de Manafá, deixaram Moussa Marega isolado diante de Mendy, na cara do empate, mas o guarda-redes francês levou a melhor com uma grande defesa. Seis minutos depois, Luiz Díaz atirou a rasar o poste do guardião gualês.

Aos 60 minutos, os ingleses mostraram aos 'Tuchels' das aplicações do betting que quem apostou nos Blues tinha razões para acreditar na vitória: remate de Rüdiger, defesa de Marchesín e, na recarga, toque de Werner para Havertz, com o alemão a atirar ao lado com a baliza aberta. Depois de levarem as mãos à cabeça, o mal pareceu menor quando o árbitro assinalou fora-de-jogo ao ex-Leipzig.

Aos 74 minutos, um lance polémico. Azpilicueta carregou Marega nas costas dentro de área, mas o árbitro mandou seguir a jogada. As imagens parecem contar outra história, uma que poderia ter dado uma oportunidade ao FC Porto de igualar a partida.

Com a formação portuguesa a ver a famosa expressão “água mole em pedra dura tanto bate até que fura” não se concretizar, eis que o Chelsea ganhou espaço no último terço: em dois minutos atirou uma bola à trave, por Pulisic, e fez um golo, após erro de Jesús Corona. O mexicano permitiu que Chilwell lhe roubasse a bola junto à área e, sem se fazer rogado, o inglês driblou Marchesin e fechou o marcador da partida em 2-0.

As estatísticas finais voltaram a mostrar um FC Porto que tentou mais do que o Chelsea, mas a estatística não concordou com o resultado final. Se Tuchel tivesse apostado nos Dragões, tal como teria apostado no Chelsea no fim de semana, tinha perdido. No entanto, dificilmente teria perdido tanto quanto ganhou esta noite: quase três milhões de euros pela vitória e uma vantagem de dois golos fora, um importante passo rumo às meias-finais da competição de onde o treinador alemão foi finalista derrotado na temporada passada, quando treinava o PSG.

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