Graças ao inédito terceiro lugar obtido no campeonato luso de 1968/69, ainda hoje a sua melhor classificação no escalão maior do futebol português, o clube vimaranense apurou-se para a prova então organizada por um comité associado à FIFA, tendo-se inscrito segundo um processo "bem menos complexo" do que o atual para as provas da UEFA, recordou à Lusa o presidente vitoriano entre 1968 e 1970, Fernando Roriz.

Ainda sem iluminação artificial, o então Estádio Municipal de Guimarães recebeu, na tarde de 10 de setembro de 1969, o jogo da primeira mão da competição, entre dois clubes estreantes, decidido aos 10 minutos, com um golo de Carlos Manuel, avançado que já passara por Sporting e Vitória de Setúbal antes de representar os minhotos.

A edição de 13 de setembro de 1969 do Notícias de Guimarães, semanário já extinto, refere que o Vitória trajou de negro frente a um Baník equipado de branco, num desafio em que se mostrou "ainda longe da "forma ideal", com um futebol marcado pela "lentidão", principalmente após o golo.

Num embate com "público vimaranense em grande número" - cerca de 10.000 espetadores -, fruto do apelo para as empresas locais "concederem facilidades aos seus trabalhadores", o Vitória jogou com Roldão na baliza, Costeado, Manuel Pinto, Joaquim Jorge e Silva na defesa, Artur, Peres e Augusto no meio-campo, e Zezinho, Manuel e Carlos Manuel na frente.

Um desses jogadores, Manuel Pinto, hoje com 80 anos, lembrou que o Vitória estava "ciente" do seu valor, convencido de que poderia superar qualquer adversário, apesar das competições europeias serem uma "experiência nova" para a maioria do plantel.

"Com a equipa que tínhamos, olhávamos para os jogos fora como para os jogos em casa. Todos aqueles jogadores do Vitória não tinham complexos, fosse contra quem fosse", afirmou o central que representou os minhotos entre 1962/63 e 1973/74, com duas internacionalizações pela seleção lusa.

Os vimaranenses, acrescentou o ex-defesa, encararam de "forma normal" a viagem a Ostrava, cidade quase 400 quilómetros a leste da então capital da Checoslováquia, Praga, para um jogo também disputado à tarde, com um tempo "agradável", mas "frio", em 02 de outubro.

Na segunda mão da primeira eliminatória, o Vitória esteve a perder por 1-0, após um golo de Rudolf Guzik, aos 73 minutos, mas Artur estabeleceu o 1-1 final, aos 80, tendo garantido o apuramento dos minhotos para a ronda seguinte.

Na segunda ronda, o Vitória encontrou os ingleses do Southampton, tendo empatado 3-3 na primeira mão, em Guimarães, e perdido por 5-1, na segunda, num jogo condicionado pela "muita chuva" em Inglaterra, de acordo com a recordação de Manuel Pinto.

Passados 50 anos, o Vitória de Guimarães contabiliza 78 jogos nas provas europeias (24 vitórias, 17 empates e 37 derrotas, com 86-111 em golos) e vai, pelo menos, realizar mais seis em 2019/20, no Grupo F da Liga Europa, com os ingleses do Arsenal, os alemães do Eintracht Frankfurt e os belgas do Standard Liège.

Apesar de reconhecer que o emblema português foi "infeliz no sorteio", Manuel Pinto apelou aos jogadores treinados por Ivo Vieira para "acreditarem em si mesmos" e "darem tudo por tudo" em "nome do clube e da cidade", porque "os jogos não estão resolvidos à partida".

O antigo presidente Fernando Roriz salientou, por sua vez, que o Vitória mantém hoje a "vitalidade associativa" que já tinha há 50 anos, embora com muito melhores infraestruturas, capazes de acompanhar a "indústria que é o futebol", e mostrou-se esperançado que o clube possa "crescer em resultados desportivos" a breve prazo.

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