As sete equipas da Volvo Ocean Race partem no próximo domingo de Auckland, Nova Zelândia (14:00 hora local, 01:00 em Portugal), naquela que é uma das clássicas etapas das regatas oceânicas.

Ao longo de 7.600 milhas náuticas, a 7.ª etapa da Volvo Ocean Race assume-se como um desafio extraordinário nos Mares do Sul, através dos "Furious Fifties", flutuando nas inóspitas e distantes águas a sul dos 50 graus de latitude que circundam a Antártica, a passagem pelo Cabo Horn e a chegada da frota a Itajaí, no Brasil.

"Está a ficar frio", afirma Bouwe Bekking, skipper do Team Brunel. "Provavelmente é a melhor vela que se pode fazer. Neste momento conhecemos os barcos muito bem, vamos andar a 100 por cento”, reforça o veterano velejador, que cumpre a oitava volta ao planeta.

"Ir ao redor do Cape Horn é uma grande motivação psicológica, como sabem, o Oceano Austral está atrás de nós, e cada milha que vamos para norte fica mais quente. É engraçado, haverá momentos em que odiamos, mas sabemos que melhores condições estão à frente e quando se chega ao Brasil, esquecemo-nos das partes mais difíceis e as boas ficam connosco", relata.

Com pontuação a dobrar e um ponto de bónus adicional atribuído ao primeiro barco a passar o Cabo Horn esta clássica etapa nos Mares do Sul são um regresso às origens da regata. E pode ser decisiva na tabela de classificação.

Passar o Cabo Horn e “terminar com o mastro para cima”

À saída da Nova Zelândia o barco espanhol da MAPFRE lidera a classificação geral, apesar da aproximação da tripulação do Dongfeng e do Scallywag. "Claro que sinto que eles estão cada vez mais próximos, mas só podemos fazer uma coisa — empurrar o barco, navegar bem e tentar ganhar essa etapa", sublinha o skipper do MAPFRE, Xabi Fernández, que já por seis ocasiões navegou e passou pelo Cabo Horn. "Se ganharmos esta etapa, é um grande passo em frente”, garante.

Para Charles Caudrelier, skipper do Dongfeng, a passagem pelo mítico Cabo é o maior desafio.

“Fiz esta etapa duas vezes e nunca terminei com o mastro em cima do barco. E o Pascal [Bidégorry]também fez essa etapa duas vezes e nunca passou o Cabo Horn. Por isso, este é um dos nossos objetivos, passar o Cabo Horn e terminar com o mastro para cima", exclamou o velejador francês.

A tripulação do Scallywag, atual 3.º classificado, vai “avançar com tudo” nas palavras de David Witt, ciente de que esta é uma “uma grande oportunidade para ficar no grupo da frente e fazer algo mais, ou voltar para a parte de trás do pelotão”, reconhece.

“Já todos tiveram uma amostra de quão molhada, fria e ventosa pode ser”

Com redobrada confiança pela vitória alcançada na chegada a Auckland, Simeon Tienpont, que capitaneia o AkzoNobel olha “para a regata como um todo” e reforça que “ainda há mais de 50 por cento de pontos em disputa”.

Nesta etapa a estratégia de navegação entra, sobretudo, em jogo com a zona de exclusão de gelo definida muito a sul (a linha de latitude sul de 59 graus). Em teoria, reduzirá a necessária distância a percorrer, mas terá um preço: mares mais frios e impetuosos, vento e ondas.

O desafio não é ignorado pelos velejadores. "Não podemos ignorar para onde vamos e a responsabilidade que cabe ao skipper", disse Dee Caffari, a timoneira do Turn the Tide on Plastic. "Já tivemos a 3ª etapa, da Cidade do Cabo (África do Sul) a Melbourne (Austrália). Já todos tiveram uma amostra de quão molhada, fria e ventosa pode ser. Não estamos a ir para o desconhecido, o que dá muito mais confiança", frisa.

Por fim, depois de perder as duas últimas etapas com os danos sofrido numa colisão perto do final da 4.ª etapa (Hong Kong) o Vestas 11th Hour Racing está de regresso à regata que dá a volta ao mundo. "A equipa regressou em grande forma, e a reparação está excelente", disse Charlie Enright. “A equipa está ansiosa por voltar a competir”, finaliza.

[Imagem: Sam Greenfield/Volvo Ocean Race]

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