“Somos a única equipa na história da Volvo Ocean Race que promove não uma marca corporativa, mas uma mensagem ambiental”. Quem o afirma é Paulo Mirpuri, presidente da Fundação Mirpuri, que dá a portugalidade e a bandeira nacional à equipa Turn the Tide on Plastic, uma das sete embarcações que estão neste momento a competir na edição 2017-2018 da regata que dá a volta ao mundo.

A frota partiu pelos mares do sul, no passado domingo, 10, da cidade do Cabo, África do Sul, rumo a Melbourne, Austrália, naquela que é a 3ª etapa da prova num percurso de 6500 milhas. A bordo do Turn the Tide on Plastic segue um velejador português, Frederico Pinheiro de Melo, que já tinha feito a ligação de Lisboa até à extremidade sul do continente africano.

Pinheiro de Melo não é o único português na tripulação. Bernardo Freitas inscreveu o nome na mítica travessia à volta do globo logo na primeira etapa, de Alicante, Espanha, até Lisboa.

Os dois velejadores fazem parte da equipa que tem dupla nacionalidade: bandeira portuguesa, através da Fundação Mirpuri, e das Nações Unidas, via Ocean Family Foundation. Ambas, através da campanha ambiental Clean the Seas, transportam uma mensagem de sustentabilidade, combate à poluição marítima e eliminação dos plásticos nos oceanos.

Da equipa 100% lusa a um grupo misto, jovem, internacional e inclusivo

Antes do arranque da presente edição, a Fundação Mirpuri tinha idealizado uma equipa 100% portuguesa para a próxima volta ao mundo, que começará em 2019-2020, uma ideia que acabou por ficar por terra.

“Portugal tem pouca tradição de vela oceânica e necessitávamos de um período de tempo para treinar velejadores em offshore”, começa por explicar Paulo Mirpuri. No entanto, “acabámos por achar que talvez vá contra os ideais da própria fundação, que promove a diversidade de culturas e de género”, sublinha. Por isso, “fomos para o outro extremo” e a bordo “temos a maior diversidade de culturas possíveis e oito nacionalidades”, frisa.

Olhando para a composição das sete equipas, a Turn the Tide on Plastic é a única com uma skipper, a inglesa Dee Caffari. Mas as diferenças não se ficam por aqui. Há uma paridade entre velejadores e velejadoras, defendendo a igualdade de género e uma tripulação maioritariamente sub-30, sendo Lucas Chapman, para além de estreante, o mais novo a bordo.

E na vertente inclusiva que a norteia, o barco acolheu Mustafa Ingham, velejador das Bermudas com aspirações profissionais, que integrou a equipa como aprendiz, na cidade do Cabo. “Juntei-me à equipa como parte da Volvo Ocean Race Academy”, afirmou Ingham, em declarações no site da VOR. “Estou a fazer esta aprendizagem ao trabalhar com a equipa de terra e a velejar com a de mar durante as paragens nos portos”, disse o navegador, que recentemente participou no Red Bull Youth Americas Cup, com a BDA, equipa das Bermudas.

Sustentabilidade e competição andam a par e passo na única equipa com velejadores portugueses. “À medida que fomos negociando com a VOR, foi possível chegar a um entendimento que, para além da sustentabilidade, iríamos privilegiar a componente desportiva, que é importante quando se passa a ideia de sustentabilidade”, assinala Paulo Mirpuri.

Lutar contra o plástico pelo mar, terra e ar

A mensagem de preservação dos oceanos e de sustentabilidade foi colocada no coração da regata e ampliada “a outros veículos”, explica. Foi assim que a Hi fly, transportadora aérea que pertence à Mirpuri Investments, abraçou a causa, vestindo um A330 com as cores e causas da equipa.

“O avião terá mais visibilidade [fez um voo em Alicante e em Lisboa antes das respetivas largadas] do que o barco que está nos oceanos e nos portos”, sublinha.

E em paralelo, a Sky Ocean Rescue, que pertence ao grupo de media inglês, Sky (canais televisivos Sky news e TG24, Itália) junta a voz e chama a atenção, através do pequeno ecrã, para a poluição nos oceanos.

Reconhecendo ter “responsabilidade com as gerações futuras”, no fim do dia a “mensagem vai pelo ar, mar e terra”, resume. E em relação à luta contra o plástico, Paulo Mirpuri reconhece que “não se resolve em oito meses” e que é “um trabalho continuo que vai para além da prova”.

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