“Se ninguém falar de nós, é porque estamos a fazer bem o nosso trabalho”. É desta forma direta que Diogo Diniz, da GAC Pindar, começa a conversa. “Somos sempre invisíveis para quem vê a regata que, ao fim ao cabo, é o que se quer que se veja”, adianta. “Agora é impossível fazer isto [Volvo Ocean Race] sem uma empresa logística por detrás”, realça um dos responsáveis máximos pela operacionalização de tudo o que envolve transporte marítimo e aéreo da prova que dá a volta ao mundo.

“Há dois conjuntos de 160 contentores marítimos de 40 pés [12 metros]”, refere Diogo Diniz ao SAPO24, em Itajaí, Brasil, na véspera do arranque da 8.ª etapa que liga o Brasil a Newport, nos Estados Unidos da América. “Não há tempo para transportá-los para todas as paragens, logo temos dois conjuntos que viajam pelo mundo. O conjunto de Alicante foi direto para Cidade do Cabo, saltando Lisboa”, exemplifica o responsável pela rota 2, que inclui “Lisboa, Hong Kong, China, Itajaí, Cardiff e Haia”.

Reconhecendo não “saber bem” como veio “aqui parar”, começou a trabalhar com a Pindar, na véspera da edição 2014-2015 da VOR. Até agora já deu “uma volta e meia ao mundo”. Sempre com a componente logística da prova entre mãos.

“É nossa responsabilidade fazer com que os contentores cheguem. Temos o transporte marítimo, a alfândega, contentores com matérias perigosas... uma série de questões... que não são o mais difícil”, acrescenta Diogo Diniz, 47 anos. “O mais difícil é operacionalizar no terreno, num espaço que parece grande quando está vazio, mas pequeno quando tudo está montado na Race Village”, frisa.

Debaixo da sua coordenação “monta toda a estrutura internacional, do pavilhão da Volvo, as bases das equipas, o Globo, o Boat Experience, o Boatyard, os contentores das equipas (em que cada qual tem dois em exclusivo), um que transporta os semirrígidos, outro que é a oficina ...”, informa. “Temos de trazer cada contentor para um certo local previamente marcado no chão, a uma certa hora, de um certo dia”, explica. “Cada estrutura tem a sua equipa de montagem e desmontagem. Temos de coordenar com todas as equipas o timing pelo que toda a organização tem de ser feita com muito tempo de antecedência”, adverte. “Gruas, maquinaria, plataformas elevadoras e um empilhador gigante para retirar contentores, camiões, parece um cenário de guerra”, sorri.

O transporte marítimo “não dá tanto trabalho” embora possa dar “dores de cabeça”. A razão é simples: “não controlamos o que acontece com um cargueiro”, diz, exemplificando com o Ano Novo chinês em que literalmente o país fica “parado”.

Para além do que vem por mar, há o transporte aéreo. “Bens pessoais dos velejadores, computadores, roupas, documentos”. Mas não só. “Às vezes vão velas”, desvenda.

créditos: Paulo Rascão / MadreMedia

“Somos os primeiros a chegar e os últimos a sair”

O trabalho da empresa de logística não se resume a carregar e descarregar em cada paragem da Volvo Ocean Race. Depois do acidente do Vestas, em Hong Kong, e da decisão de reparar o barco na Nova Zelândia, houve a necessidade de "levar o barco para o porto, para um estaleiro", onde foi retirada "a quilha e o mastro que foram colocados numa barcaça. Esperaram pelo navio e, com gruas", o barco foi posto "no navio que foi para a Nova Zelândia”, descreve Diogo Diniz.

“Temos mastros em pontos estratégicos no mundo, em aeroportos, em armazenagem. Ter algo com 28 metros não é fácil arranjar transporte”, assume. “Na última edição quando o Dongfeng partiu o mastro [a caminho do Brasil], veio um do Dubai. Desta vez, estava um no Brasil”, explica referindo-se ao barco do Vestas que obrigou a “reposicionar os mastros espalhados pelo mundo para outros pontos estratégicos”.

Aproveitando para elogiar o “grande envolvimento de todas as autoridades” em Itajaí, depois de uns dias “mais descansados” que antecederam a partida dos barcos, quando a frota está pronta a seguir viagem, o que aconteceu no passado 22 de abril, “trabalhamos 20 horas e dormes duas”, relata.

Segue-se, então, o processo inverso de levar os contentores de volta ao porto. “Temos muito pouco tempo. Em contrarrelógio: no domingo, os barcos saem às 14h, a Race Village fecha as 18h e todas as estruturas tem de estar no porto na sexta-feira, à hora do almoço. Cinco dias em que quaisquer doze horas ajudam muito”, assume.

“Somos os primeiros a chegar e os últimos a sair”. Tem de ser assim. “Se não tirar os contentores daqui, Cardiff não existe. Os barcos chegam lá, mas não há nada da Volvo Ocean Race”, finaliza Diogo Diniz que refere ainda que chegou ao Brasil a 21 de março e aterra em Lisboa a 2 de maio.

Os jornalistas viajaram para Itajaí, Brasil, a convite da Dongfeng Race Team

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