LeBron James ultrapassou Michael Jordan na lista de melhores marcadores de sempre da NBA. Ricardo Brancal inicia hoje a participação portuguesa nas Universíadas de inverno, na prova de slalom gigante. O Governo português aprovou um regime fiscal específico para duas competições futebolísticas que vão ter lugar em Portugal: a Liga das Nações deste ano e a Supertaça Europeia do próximo.

Tudo isto são notícias desportivas de hoje. Todas elas são mais interessantes do que o encontro que opôs o Dínamo de Zagreb ao Benfica na primeira mão dos oitavos-de-final da Liga Europa.

É difícil olhar para o que se passou em campo e não perguntar onde está o Benfica de Bruno Lage que tem encantado o futebol português nos últimos meses.

Tal como já tinha feito frente ao Galatasaray, em Istambul, o Benfica apresentou-se em Zagreb sem alguns dos seus habituais titulares, nomeadamente Pizzi e André Almeida. Em Lisboa ficou também Jonas, uma opção de que Bruno Lage ter-se-á arrependido quando Haris Seferovic saiu lesionado aos 35’ e deixou João Félix sozinho na frente – no banco havia Rafa, Cervi, Zivkovic e Jota, é certo, mas nenhum deles é ponta-de-lança. Nenhum deles é Jonas.

E sim, já sei que o Barcelona e o Manchester City jogaram várias vezes sem avançado “fixo” e ganharam ziliões de títulos, o mesmo para a seleção espanhola e, se quisermos, a alemã (no chamado “efeito Guardiola”). Mas o jogo estava para aqueles “abre-latas” que, de um momento para o outro, numa partida de pouca inspiração coletiva, são capazes de desenhar uma jogada que vale pontos. Ou golos.

Quando Grimaldo rematou de livre aos 83’ para criar o lance de maior perigo no Benfica na 2.ª parte, quase tudo está dito sobre a exibição dos encarnados. Tal como as turmas de Guardiola acima referidas, a posse de bola do jogo foi totalmente encarnada. Mas ao contrário das mesmas equipas, os golos não. Nem as oportunidades para os concretizar.

É certo que Grimaldo poderia ter aberto o marcador logo aos 7 minutos numa boa jogada da equipa de Bruno Lage, mas essa talvez tenha sido a única jogada da partida em que o Benfica pareceu o conjunto dos últimos meses. Depois disso, pareceu viver sempre num “deserto de ideias”, expressão popularizada pelo Football Manager e mais vezes referida nas crónicas deste autor do que o mesmo gostaria.

Quanto ao Dínamo de Zagreb – viveiro de talentos como o Bola de Ouro Luka Modric, Zvonimir Boban ou Mario Mandzukic, e que já venceu o título croata, em 2015, com cinco portugueses no plantel (Eduardo, Ivo Pinto, Paulo Machado, Gonçalo Santos e Wilson Eduardo) –, talvez valha a pena referir que o discernimento do jovem médio espanhol (20 anos) Dani Olmo teria dado jeito a um Benfica “órfão” de Pizzi e com um Gabriel e um Gedson (que até começou o jogo na direita...) uns furos abaixo do esperado.

Mas os croatas – nove vezes campeões croatas nos últimos dez anos – souberam aproveitar as "abébias" dadas pelos encarnados. E Vlachodimos é bem capaz de ter sido o melhor jogador do Benfica na primeira parte, parando remates de Olmo e Bojak. Só não foi capaz de parar o penálti batido por Bruno Petkovic, fruto de uma falta um tanto ou quanto incompreensível de Rúben Dias.

Foi este o único golo de uma partida que, ainda assim, poderia ter tido um desfecho pior para o encarnados, não fosse Ferro ter tirado o pão da boca a Gavranovic já para lá da hora quando o compatriota de Seferovic tinha apenas Vlachodimos pela frente; ou Situm ter cabeceado à malha lateral na sequência do canto que se seguiu.

“Não foi um jogo bem conseguido”, disse Bruno Lage no final da partida. Não foi, não senhor. E parafraseando novamente o Football Manager, “o Benfica terá agora de trabalhar muito mais para voltar” a esta eliminatória.

Bitaites e postas de pescada

O que é que é isso, ó meu?

Aquela falta de Rúben Dias que originou o penálti, de onde surgiu o único golo do encontro, na quina da área, quando o jogador do Dínamo de Zagreb tentava fugir para a linha, deve ter deixado muitos adeptos benfiquistas perto do desespero...

Dani Olmo, a vantagem de ter duas pernas

Boa exibição do espanhol, que chegou à Croácia ainda juvenil, na sequência da transferência de Alen Halilovic (que muitos apelidavam do “novo Modric”) ao Barcelona. Pareceu sempre confortável em campo, mudando o ritmo de jogo sempre que lhe era pedido. Tentou visar a baliza na primeira parte (obrigando Vlachodimos a defesa apertada) e foi o autor de uma boa exibição, confirmando que a troca feita pelos catalães pode não ter sido proveitosa (e que os rumores que davam conta do seu regresso ao Barça não são infundados).

Fica na retina o cheiro de bom futebol

Numa partida em que o “bom futebol” – ou, pelo menos, aquele que os adeptos mais apreciam – parece ter ficado à porta do estádio, resta-me deixar aqui um tutorial sobre como fazer na PlayStation a finta que Dusan Tadic aplicou a Casemiro na vitória do Ajax sobre o Real Madrid (4-1) na passada terça-feira:

Nem com dois pulmões chegava a essa bola

Vamos precisar de falar novamente do lance de penálti cometido por Rúben Dias?

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