“A TAP precisa de uma dimensão mínima. Nós vamos trabalhar nesse cenário, a intenção não é que a TAP seja uma TAPzinha, […] isso não serve os interesses do país”, afirmou o ‘chairman’ do grupo, numa conversa ‘online’ com o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, para debater os transportes e as acessibilidades em tempos de pandemia de covid-19.

“É natural que a TAP vá encolher. […] Mas nós não queremos que essa dimensão seja impeditiva que a TAP continue a servir os interesses do país”, acrescentou Miguel Frasquilho, sublinhando que há um nível a partir do qual não é possível reduzir a frota, sem pôr em causa aquele serviço.

O responsável lembrou que, segundo as previsões recentes, só em 2024 a atividade aérea voltará aos patamares em que se encontrava em 2019.

A ideia, disse, é repor a dimensão da frota à medida que as perspetivas de retoma forem melhorando.

Quanto aos trabalhadores, Miguel Frasquilho reiterou que a salvaguarda do emprego é uma preocupação “muito grande” da empresa, mas admitiu não estar ainda em condições para avançar com números da redução de trabalhadores, que poderá ocorrer por via da perda de dimensão.

“Infelizmente, diria que os sacrifícios vão continuar. A forma desses sacrifícios, ainda estamos a trabalhar nisso. Já não vai demorar muito tempo”, assegurou, referindo que o plano de reestruturação estará “certamente” pronto até ao fim de outubro.

O ‘chairman’ da transportadora garantiu ainda a manutenção do ‘hub’ de Lisboa, estando nos planos a reabertura em outubro de todas as rotas para os Estados Unidos da América e Brasil, ainda que com menor frequência.

No entanto, Miguel Frasquilho garantiu também uma preocupação com o resto do território nacional, sobretudo a região Norte, a “mais empreendedora”, apesar dos “mal entendidos do passado”.

No dia 11 de agosto, Miguel Frasquilho anunciou, numa mensagem aos colaboradores a que a Lusa teve acesso, a escolha da BCG para a elaboração do plano de reestruturação da TAP, exigido pela Comissão Europeia, no seguimento da aprovação de um auxílio estatal à companhia aérea.

O Conselho de Ministros aprovou em 17 de julho a concessão de um empréstimo de até 1.200 milhões de euros à TAP, em conformidade com a decisão da Comissão Europeia.

Além do empréstimo remunerado a favor do Grupo TAP de 946 milhões, ao qual poderão acrescer 254 milhões, sem que, contudo, o Estado se encontre vinculado à sua disponibilização, as negociações tinham em vista a aquisição, por parte do Estado português, de participações sociais, de direitos económicos e de uma parte das prestações acessórias da atual acionista da TAP SGPS, Atlantic Gateway, SGPS, Lda.

Desta forma, o Estado português passa a deter uma participação social total de 72,5% e os correspondentes direitos económicos na TAP SGPS, pelo montante de 55 milhões de euros.

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