A entidade destacou que “teve hoje a confirmação oficial daquilo que as empresas e, consequentemente, a economia portuguesa já têm vindo a sentir: uma quebra abrupta na atividade, de que não há memória”.

“Significa que, como prevíamos, estamos em recessão técnica, tal como estão os nossos principais parceiros comerciais, que registaram igualmente reduções no seu PIB na ordem dos dois dígitos”, destacou a AEP.

A associação recordou ainda que “os dois principais mercados de destino das exportações portuguesas registaram a evolução mais severa, com o PIB espanhol a cair 18,5% em cadeia e 22,1% em termos homólogos e o PIB francês a registar uma quebra de 13,8% em cadeia e de 19% em termos homólogos”, a que acresce “a forte quebra na Alemanha (-10,1% e -11,7%) e em Itália (-12,4% e -17,3%)”.

Por isso, para o presidente da AEP, Luís Miguel Ribeiro, citado no mesmo comunicado, “estes dados suscitam elevada preocupação e demonstram bem que, infelizmente, a tão desejada fase de retoma é neste momento ainda uma miragem e constituem, por isso, mais uma prova da necessidade de uma redobrada atenção e, fundamentalmente, de uma rápida atuação por parte das políticas públicas”.

A AEP sublinhou “a enorme importância das medidas de apoio à economia, nomeadamente o prolongamento do ‘lay-off’ simplificado, no modelo que funcionava até agora, pelo menos até ao final do ano” e pediu ainda “outras medidas de apoio à enorme carência de liquidez das empresas portuguesas”.

Para a AEP é essencial “colocar no terreno as linhas de crédito com garantia do Estado já reforçadas, os seguros de crédito à exportação, várias medidas fiscais, bem como a realocação de verbas do Portugal 2020 para o tecido empresarial”.

A associação apelou ainda à “implementação de uma política laboral flexível, que se adeque à dinâmica da atividade económica”.

“Neste contexto, a prioridade de Portugal terá de se centrar, cada vez mais, no reforço do apoio à atividade empresarial”, vincou o organismo.

O PIB português caiu 16,5% no segundo trimestre do ano face ao mesmo período de 2019, devido aos efeitos económicos da pandemia de covid-19, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

“Refletindo o impacto económico da pandemia, o PIB registou uma forte contração em termos reais no 2.º trimestre de 2020, tendo diminuído 16,5% em termos homólogos, após a redução de 2,3% no trimestre anterior”, pode ler-se numa estimativa rápida divulgada pelo INE.

No trimestre em que se registou a maior queda de sempre do PIB português em termos homólogos face ao ano anterior, a queda em cadeia – relativamente ao primeiro trimestre do ano – foi de 14,1%, adiantou também o INE.

De acordo com o instituto de estatística, o resultado registado face ao período homólogo de 2019, uma queda de 16,5%, “é explicado em larga medida pelo contributo negativo da procura interna para a variação homóloga do PIB, que foi consideravelmente mais negativo que o observado no trimestre anterior, refletindo a expressiva contração do consumo privado e do investimento”.

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