De acordo com a analista financeira do banco BPI Teresa Gil Pinheiro, a expectativa é de que a política monetária do BCE se mantenha, mas as declarações que acompanham a decisão “poderão revelar-se menos negativas quanto à avaliação dos riscos relativamente à evolução da atividade”.

“O comportamento da inflação em março será um fator que permitirá ao banco central reforçar a afirmação de que serão precisos sinais claros de aceleração dos preços antes que o banco central considere introduzir alterações na política monetária”, acrescentou.

Para o economista do banco Carregosa Rui Bárbara, a reunião do BCE vai ser um “non-event”, sem decisões para anunciar e sem surpresas.

“Acho que Mario Draghi [presidente do BCE] não se vai afastar do que têm sido as suas intervenções este ano”, disse.

Segundo o economista, depois do BCE já ter reduzido o montante das compras mensais de ativos para 60 mil milhões de euros, resta a Draghi “ganhar tempo e continuar a tecer considerações sobre o tempo que ainda vai precisar antes que a política de estímulos possa ser retirada”.

Também de acordo com o gestor de ativos da Orey iTrade José Lagarto, o BCE deverá deixar inalterada a sua política monetária, “mantendo o discurso de um programa de compra de ativos para ser levado para já até finais deste ano e com a manutenção dos níveis atuais das taxas de juro”.

O responsável lembrou que Mário Draghi, no seguimento dos rumores que apontavam para um aperto na política flexível do BCE, veio referir ao mercado que não havia qualquer razão para existir uma reavaliação da atual política monetária e que tudo iria manter-se exatamente como definido previamente.

De acordo com o BCE, sublinhou, “a normalização da política monetária existirá quando estejam reunidas as condições necessárias para a manutenção da estabilidade de preços na zona euro, pelo que na próxima reunião poderemos voltar a ver um BCE a reiterar as anteriores declarações, esperando por sinais concretos de consumo e uma evolução positiva sustentada da inflação”.

Por sua vez, o gestor da corretora XTB Eduardo Silva considerou que os desenvolvimentos mais recentes a nível europeu, como as eleições francesas, devem levar Draghi a ter “um discurso bastante mais cuidado do que na reunião de março, onde se mostrou mais otimista do que o esperado”.

Além disso, afirmou o gestor, o BCE deverá “resistir à pressão de anunciar que o programa de compra de dívida tem os dias contados, no momento em que o mercado sentir que a política monetária se vai inverter, o euro vai valorizar-se fortemente, os periféricos vão sentir maiores dificuldades de financiamento e as ações das maiores exportadoras vão sentir a pressão do mercado”.

A principal taxa de refinanciamento do BCE está em 0%, um mínimo histórico fixado em março de 2016.

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