O atual presidente do Conselho de Administração do Santander Totta está hoje a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD.

Vieira Monteiro disse aos deputados que, no quadro das suas responsabilidades, acompanhou “a fase de preparação da operação e participou nas reuniões do Conselho de Administração em que se aprovaram as suas condições.

No entanto, aquilo que foi executado juridicamente relativamente à operação foi, segundo o gestor, distinto daquilo que foi aprovado, pelo que não se poderá pronunciar “sobre a versão final do clausulado e seus anexos”.

“Lendo-o agora, em preparação para esta audição, e comparando-o com as deliberações em Conselho de Administração que haviam fixado as suas condições, verifico que existe uma discrepância entre o que este órgão autorizou – balizando rigorosa e zelosamente o nível de risco a assumir – e o que consta das duas cláusulas do contrato, que se desviam das condições aprovadas pelo Conselho de Administração”, disse.

“A operação da maneira como estava delineada não trazia perdas”, disse Viera Monteiro aos deputados, admitindo que ser “evidente que fazer na altura futurologia era difícil”.

O antigo vice-presidente da CGD lembrou que se tratava de “um fundo fechado” composto por ativos “de primeira qualidade” ao passo que a versão assinada do contrato, “sem que se entenda porquê”, atribui à contraparte do banco o poder de alteração discricionária da composição do fundo, podendo com isso a qualidade dos ativos ser afetada e consequentemente o desempenho do contrato prejudicado.

“A fase de execução decorreu integralmente depois do início de 2000, ou seja, depois do termo do meu mandato”, acrescentou.

Vieira Monteiro admitiu à deputada do CDS Cecília Meireles que ficou “surpreendido” perante os resultados negativos “em tão pouco espaço de tempo”.

“Só vim a conhecer o contrato muito mais tarde. Não podia saber as cláusulas que levaram a esta situação”, disse o antigo responsável da CGD, garantindo que “nunca contactou com o Crédit Suisse”.

Os 'Boats Caravela' foram um instrumento financeiro investido pela Caixa que implicava troca de ativos, mas acabou por dar hipótese contratual à contraparte do negócio (o Credit Suisse First Boston) de colocar nos ativos trocados produtos financeiros de baixa qualidade, que desvalorizaram e geraram perdas de 340 milhões de euros para o banco público.

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