De acordo com o Boletim Económico de outubro, "a economia portuguesa cresce 4,8% em 2021, aproximando-se do nível pré-pandemia no final do ano", considerando que "a recuperação da atividade reflete o controlo da pandemia, através do processo de vacinação – com efeitos positivos na confiança dos agentes económicos – e a manutenção de políticas económicas expansionistas".

Segundo a instituição liderada por Mário Centeno, "em 2021, a economia portuguesa continua o processo de recuperação iniciado no terceiro trimestre de 2020", considerando que "o choque pandémico revelou-se temporário, não obstante o impacto mais prolongado em alguns setores e empresas".

Segundo o Boletim Económico do BdP divulgado hoje, "a inflação situa-se em 0,9% em 2021", uma subida face aos 0,7% projetados em junho.

Os economistas do banco central antecipam que o consumo privado cresça 4,3% este ano, registando-se também uma subida face aos 3,3% projetados em junho.

Esta componente do consumo é sustentada "pelo crescimento do rendimento disponível e pela redução gradual da taxa de poupança", com o crescimento real do rendimento disponível a resultar "da recuperação forte do emprego e do dinamismo dos salários nominais, sendo atenuado pelo aumento da inflação".

Já o consumo público "deverá crescer 5,2% em termos reais, após uma quase estabilização em 2020", ao contrário do projetado em junho, que apontava para 4,9%.

Quanto ao investimento, tem uma forte revisão em baixa face à projeção de junho, baixando dois pontos percentuais, de 7,6% para 5,6%, sendo "sustentado pelas perspetivas de recuperação, pelos fundos europeus e pelo crédito a taxas de juro baixas e com garantia do Estado".

Quanto às exportações de bens, crescerão 10,7% em 2021 segundo o BdP (que projetava 17,4% em junho), e as de serviços aumentarão 7,0%, quando anteriormente o BdP projetava 7,5%.

No total, as exportações deverão crescer 9,6% em este ano, uma diminuição face ao crescimento de 14,5% projetado em junho.

Quanto às importações, deverão crescer 9,7%, o que também constitui uma revisão em baixa face ao crescimento projetado no anterior Boletim Económico, que era de 13,2%.

"Os desafios mais próximos incluem a redução do endividamento, a utilização eficiente do Plano de Recuperação e Resiliência e a necessária reafetação de recursos físicos e humanos em resposta à transição climática e digital", considera o BdP.

Para o banco central, "a adaptação das políticas económicas e o sucesso do país na gestão destes desafios contribuirão para uma expansão da atividade mais forte do que a projetada antes da crise e para o retomar da convergência com a área do euro".

O Banco de Portugal continua a ser a entidade mais otimista quanto à evolução da economia nacional este ano, seguido pelo Conselho das Finanças Públicas, que espera um crescimento de 4,7% para este ano.

O Governo, que ainda não divulgou as projeções económicas no âmbito do Orçamento do Estado para 2022, esperava em abril um crescimento de 4,0%, mas o ministro das Finanças, João Leão, já apontou para um crescimento superior a 4,5%.

A Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam para um crescimento de 3,9%, e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) espera um crescimento de 3,7%.

Banco de Portugal melhora perspetiva sobre mercado de trabalho

O Banco de Portugal (BdP) melhorou as perspetivas em relação ao mercado de trabalho, antecipando agora uma taxa de desemprego de 6,8% em 2021, face aos 7,2% estimados no Boletim Económico de junho, foi hoje divulgado.

De acordo com o Boletim Económico de outubro, o Banco de Portugal aponta que a taxa de desemprego deverá ser de 6,8% em 2021 (esperava 7,2% em junho).

Já o emprego deverá crescer 2,6%, uma subida face ao valor anteriormente esperado de 1,3%.

A instituição liderada por Mário Centeno manteve hoje a perspetiva de crescimento económico nos 4,8% para 2021, à semelhança do que tinha feito no Boletim Económico de junho.

De acordo com o documento, "a economia portuguesa cresce 4,8% em 2021, aproximando-se do nível pré-pandemia no final do ano", considerando que "a recuperação da atividade reflete o controlo da pandemia, através do processo de vacinação – com efeitos positivos na confiança dos agentes económicos – e a manutenção de políticas económicas expansionistas".

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