“Ligações significativas entre bancos e soberanos [Estados] em alguns países da zona euro criam riscos de ciclos negativos interligados suscitados por diminuições nos ‘ratings’ dos soberanos ou dos bancos”, pode ler-se no relatório do BCE hoje divulgado.

A instituição presidida por Christine Lagarde refere que “permanece um risco de que as agências de ‘rating’ possam diminuir as classificações dos soberanos e/ou dos bancos”, o que pode reativar “ciclos negativos do nexo banco-soberano, especialmente para Itália e Portugal, bem como para Espanha, onde os ‘ratings’ dos bancos estão mais perto do grau de não-investimento [vulgo ‘lixo’]”.

O BCE considera ainda assim que a reforma no que à resolução de bancos diz respeito, comparativamente com o que sucedeu na anterior crise “deve reduzir a força desse nexo” entre Estados e banca.

Numa teleconferência de imprensa sobre o relatório hoje divulgado, questionado sobre a relação entre a dívida banca e os Estados (para a qual o BCE aponta no caso português, italiano e espanhol), o vice-presidente do BCE Luis de Guindos realçou a importância dos sistemas de garantia estatais, para além da disponibilização de liquidez ao sistema bancário no âmbito da crise provocada pela pandemia de covid-19.

“É claro que isto vai fomentar o nexo entre o Estado e os bancos, mas penso que o positivo e a abrangência da medida dos sistemas públicos de garantia claramente se sobrepõem aos negativos”, considerou.

No mesmo documento, o BCE também relevou a problemática da solvência das seguradoras e relação com a dívida pública, assinalando que ”o alto nível de exposição a dívida soberana doméstica também indica uma presença atual de um ‘nexo seguradores-soberanos'”.

De acordo com o relatório de Estabilidade Financeira do BCE, “a solvência das seguradoras poderia ser significativamente enfraquecida por um duplo golpe proveniente do declínio do preço dos ativos e de taxas de juro baixas por mais tempo”.

“Se as preocupações acerca da sustentabilidade da dívida pública subirem novamente, os rácios de solvência poderiam também ser afetados de forma adversa pela alta concentração de dívida soberana nas carteiras das seguradoras”, adverte a instituição presidida por Christine Lagarde.

O BCE lembrou que “as seguradoras tradicionalmente têm percentagens significativas das suas carteiras em dívida pública, contabilizando até 70% dos seus títulos de dívida totais em alguns países”, algo que ”poderia ser enfraquecido no caso de novo ‘stress’ nos mercados de dívida soberana”.

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