Os dados foram divulgados hoje pelo Tesouro Nacional e, além de mostrarem o pior desempenho para um mês de agosto na série histórica, que teve início em 1997, indicam um ‘rombo’ quase seis vezes superior ao registado no mesmo mês do ano passado, quando o saldo negativo foi de 16,821 mil milhões de reais (2,54 mil milhões de euros).

O resultado primário do Governo Central brasileiro inclui as contas do Tesouro Nacional, do banco central e da previdência social (segurança social), excluídas as despesas com juros.

Apesar do desempenho, o resultado foi melhor do que o estimado por analistas de mercado, que calcularam que o resultado negativo ficaria em 98 mil milhões de reais (14,8 mil milhões de euros) no mês passado.

Já no acumulado do ano, entre janeiro e agosto, o défice nas contas públicas do Governo federal chegou a 601,3 mil milhões de reais (90,78 mil milhões de euros), também o pior desempenho para o período da série histórica.

O resultado negativo das contas do executivo do Brasil, presidido por Jair Bolsonaro, está relacionado com as medidas de combate à pandemia do novo coronavírus, que já custou 366,5 mil milhões de reais (55,3 mil milhões de euros) aos cofres públicos no acumulado do ano até agosto.

Apenas em agosto, as despesas com a pandemia de covid-19 somaram 93,1 mil milhões de reais (14,06 mil milhões de euros).

“No resultado fiscal de agosto, observa-se que há continuidade dos efeitos da crise da covid-19 nas contas públicas, tanto no aumento das despesas que viabilizam as políticas públicas de emergência, como na redução da receita por conta da queda da atividade económica”, informou o Tesouro.

Na segunda-feira, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, disse em audiência pública no Congresso que o Brasil encerrará o ano com um défice de 871 mil milhões de reais (131,5 mil milhões de euros), tendo apenas em consideração as contas do Governo federal.

A dívida pública federal do Brasil, que inclui o endividamento interno e externo do Governo, subiu 1,56% em agosto em relação a julho, passando para 4,412 biliões de reais (67 mil milhões de euros), divulgou o Tesouro na segunda-feira.

“Ressalte-se que, até o final do ano, a dívida continuará a crescer, podendo alcançar valores próximos de 94% do Produto Interno Bruto. Como já destacado algumas vezes pela Secretaria do Tesouro Nacional, a dívida bruta nessa magnitude para um país como Brasil é muito elevada se comparada com a média esperada para países emergentes de 62% para 2020″, indicou o órgão governamental.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo maior número de mortos (mais de 4,7 milhões de casos e 142.058 óbitos), depois dos Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão de mortos e mais de 33,4 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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