“Após a queda na atividade turística em 2020 e no início de 2021, o forte progresso na luta contra a pandemia proporciona um otimismo cauteloso no futuro”, indica o executivo comunitário nas previsões macroeconómicas de verão, hoje divulgadas.

As projeções surgem numa altura em que a UE está a tentar recuperar alguma ‘normalidade’ aliviando restrições face à progressão da campanha de vacinação contra a covid-19, mas em que a estirpe Delta do SARS CoV-2 suscita inquietações, já em plena época turística.

Por essa razão, “em 2021 como um todo, os números do turismo também deverão melhorar um pouco, mas deverão permanecer muito mais próximos dos níveis de 2020 do que da normalidade pré-pandémica”, assinala a Comissão Europeia.

A contribuir para tal estimativa está, principalmente, a fraca recuperação do tráfego aéreo apontada por Bruxelas, que parece antever um “verão tímido”, com uma “recuperação particularmente lenta para o turismo internacional”, que é determinante para países mais dependentes deste setor, como Portugal.

“Só no cenário otimista é que o número de voos atinge os níveis pré-pandémicos em 2024. Este é também o único cenário em que se espera uma melhoria substancial durante o verão de 2021, entre outros, graças a uma procura reprimida” devido às medidas restritivas, indica a instituição.

E, segundo a Comissão Europeia, “os outros dois cenários de projeção implicam uma recuperação mais lenta”, sugerindo “um regresso gradual aos níveis de atividade turística pré-pandémica, especialmente em países que dependem fortemente do turismo aéreo”.

“No cenário intermédio, é provável que estes países vejam o turismo transfronteiriço este verão apenas ligeiramente superior ao do ano passado”, assinala ainda.

Dados da Organização Europeia para a Segurança da Navegação Aérea (Eurocontrol), citados por Bruxelas no documento, revelam que, no início deste ano, o tráfego aéreo começou a aumentar novamente, embora de forma moderada, e em maio estava a menos de 40% dos níveis de 2019.

“Além disso, o número médio de passageiros por avião também diminuiu, para cerca de 60% dos níveis normais de ocupação de lugares até finais de 2020. Em maio de 2021, a ocupação de assentos não tinha recuperado significativamente”, acrescenta a instituição.

E já aludindo aos dados sobre as noites passadas em estabelecimentos turísticos, nomeadamente através da plataforma de alojamento Airbnb, a Comissão Europeia assinala que, no início de 2021, “o turismo permaneceu estagnado”.

“Na sequência do acentuado declínio das noites passadas em alojamentos turísticos em março e abril de 2020, a atividade turística registou uma recuperação de curta duração no verão passado. Em agosto, as noites passadas por turistas domésticos tinham aumentado fortemente para os níveis de 2019, enquanto que o turismo transfronteiriço tinha aumentado mais suavemente, [mas] o ressurgimento da pandemia no outono e no inverno preparou terreno para uma nova quebra na atividade turística, em particular para o turismo doméstico”, observa Bruxelas.

Para o conjunto dos 27 países da UE, o total de noites passadas em alojamentos turísticos em 2020 ficou a 50% dos níveis de 2019, sendo que esta percentagem foi de 24% no primeiro trimestre deste ano.

Também no primeiro trimestre deste ano “a maioria dos países registou um fraco desempenho” em comparação com o mesmo período de 2019, sendo que os primeiros três meses deste ano foram inclusive “piores do que em 2020 como um todo”.

No caso de Portugal, o total de noites passadas em alojamentos turísticos em 2020 ficou a 39% dos níveis de 2019, percentagem que baixou para 26% no primeiro trimestre deste ano.

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