A Comissão Europeia (CE) publicou hoje as suas previsões económicas de primavera para o horizonte 2020-21, num contexto marcado pela pandemia da covid-19.

Em comunicado, o gabinete do ministro Mário Centeno sinaliza que, apesar do desempenho robusto da economia portuguesa até ao final do mês de fevereiro de 2020, a CE prevê uma quebra na atividade económica em Portugal em 6,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no final do corrente ano, abaixo das previsões para a área do euro e da UE.

“Em 2021, a economia deverá crescer 5,8%, mantendo o PIB em níveis abaixo dos registados em 2019. No conjunto dos dois anos, o desempenho da economia portuguesa será menos negativo do que o da média dos países da área do euro e da EU”, refere.

As Finanças destacam também que a Comissão Europeia estima uma recessão generalizada nos países da União Europeia, com consequências socioeconómicas muito graves, provocadas pelo surto epidémico que atravessa todos os estados membros.

O PIB da área do euro deverá cair 7,7% em 2020, seguindo-se uma recuperação de 6,3% em 2021, com as projeções de crescimento para a área do euro e da UE a serem revistas em baixa em cerca de nove pontos percentuais face às previsões económicas do outono.

“A CE prevê que a deterioração do cenário macroeconómico em Portugal assente numa contração da procura interna em 2020, quer do lado do consumo privado (apesar das medidas discricionárias e extraordinárias para preservar contratos de trabalho e rendimentos), quer do lado do investimento (devido ao contexto de incerteza e disrupções nas cadeias globais de valor)”, refere.

Contudo, segundo o Ministério das Finanças, a CE destaca que o investimento em construção deverá ser mais resiliente, beneficiando do ciclo económico e da introdução de maior flexibilidade na utilização de fundos europeus.

“No mercado de trabalho, a CE salienta o aumento da taxa de desemprego de 6,5% em 2019 para 9,5% em 2020, recuperando a tendência de diminuição em 2021, com uma taxa de 7,5%, inferior às previstas para a área do euro (8,6%) e UE (7,9%)”, refere.

As previsões da CE destacam ainda o impacto da pandemia e das decorrentes medidas temporárias de contenção e confinamento nas contas públicas.

“Esse impacto será menos negativo em Portugal, do que o estimado para a área do euro e UE”, refere.

Segundo o gabinete de Centeno, “a eficácia da coordenação entre as medidas estratégicas adotadas a nível nacional e europeu para dar resposta à crise assume particular importância, tendo em conta a necessidade de conter o impacto económico negativo da pandemia e proporcionar uma recuperação célere e robusta, para que as economias retomem um rumo de crescimento inclusivo e sustentável”.

O Governo reafirma assim, como prioridades, conter a pandemia com o reforço dos meios necessários para que Portugal possa debelar a crise sanitária, bem como criar todos os instrumentos para assegurar os rendimentos das famílias, o funcionamento das cadeias de abastecimento de bens e serviços fundamentais e o arranque da atividade económica com a confiança de todos os portugueses.

“A interrupção abrupta da atividade económica em março e em abril deverá ser revertida a partir do início do mês de maio, suportada numa recuperação do mercado interno e na retoma do investimento”, indica.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 254 mil mortos e infetou quase 3,6 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Mais de um 1,1 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.089 pessoas das 26.182 confirmadas como infetadas, e há 2.076 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

Face a uma diminuição de novos doentes em cuidados intensivos e de contágios, alguns países começaram a desenvolver planos de redução do confinamento e em alguns casos a aliviar diversas medidas.

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