“Tivemos uma reunião da comissão executiva da confederação nesta segunda-feira e falamos sobre este assunto e, mesmo alguns elementos representantes de Portugal, mostraram-se muito preocupados por afirmações vindas de governantes de Portugal” relativamente à Guiné Equatorial, afirmou Salimo Abdula, em entrevista à Lusa em Lisboa.

O empresário moçambicano recentemente reeleito para um segundo mandato à frente da Confederação Empresarial da Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP), defendeu ainda que “a Guiné Equatorial está a precisar de se abrir à comunidade” e reforçar a sua “convivência com a Europa, com a Ásia, e outros países com mais experiência no plano democrático”.

Por isso, “fechá-los [num isolamento diplomático] só estamos a condená-los ao pior”, afirmou.

Na opinião de Salimo Abdula, os membros da CPLP devem ajudar os responsáveis da Guiné Equatorial “a dirimir as pequenas diferenças que possam existir, mas não [devem] abandoná-los”.

O empresário moçambicano e presidente da CE-CPLP referia-se assim às declarações feitas esta semana por governantes de vários países da CPLP relativamente à permanência da Guiné Equatorial como estado-membro da comunidade, um país que vive sob um regime ditatorial e onde ainda existe a pena de morte.

O primeiro-ministro português, António Costa, disse no passado fim de semana que se a Guiné Equatorial quer permanecer na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) “tem que se rever” num “quadro comum” que não inclui a pena de morte.

“Somos uma comunidade que assenta nos valores da liberdade, da democracia, de respeito dos direitos humanos e da dignidade de pessoa humana, que é absolutamente incompatível com a existência da pena de morte em qualquer dos países membros”, afirmou António Costa.

O primeiro-ministro falava aos jornalistas juntamente com o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, no final da V Cimeira Portugal-Cabo Verde, que decorreu em Lisboa.

António Costa indicou que a declaração final da cimeira “refere expressamente” que a “CPLP é um espaço democrático, respeitador do Estado de direito e sem pena de morte”.

Já na segunda-feira, dia 15, o chefe da diplomacia angolana defendeu ser necessária “alguma pressão” sobre a Guiné Equatorial, referindo que a identidade da CPLP tem princípios inegociáveis e que a abolição da pena de morte é um deles”.

Em declarações à agência Lusa em Luanda, o ministro dos Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, reafirmou a posição o fim da pena de morte é um dos “princípios inegociáveis” da organização.

“É do interesse da Guiné Equatorial fazer parte da CPLP. É interesse dos países da CPLP ter a Guiné Equatorial no seu seio. Agora, é preciso também aqui a vontade da maioria, mas sobretudo que os princípios básicos da organização sejam respeitados”, respondeu Manuel Augusto.

A Guiné Equatorial foi aceite no seio da CPLP com a promessa de vir a conformar-se com os estatutos da CPLP.

“Nós empresários, não nos vamos meter nas politiquices” considerou o presidente da CE CPLP, lembrando, porém que a Guiné Equatorial foi admitida por uma decisão política.

Por isso, “não fomos nós que admitimos, mas ficamos galvanizados, porque há oportunidades para empresários da lusofonia lá”, afirmou.

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