De acordo com os resultados do “Inquérito de Conjuntura ao Investimento” de outubro de 2020, realizado entre 01 de outubro de 2020 e 14 de janeiro de 2021, a revisão em baixa do investimento empresarial no ano passado “atingiu maior expressão entre as grandes empresas”, com mais de 250 trabalhadores, que “terão cancelado ou adiado decisões de investimento”.

Para 2021, os resultados do inquérito apontam para uma “recuperação parcial do investimento empresarial”, perspetivando-se um crescimento de 3,5%, sobretudo centrado nas empresas com mais de 500 trabalhadores (que projetam um aumento de 10,5%) e naquelas com 250 a 499 funcionários, com uma variação prevista de 19,0%.

Já as perspetivas das pequenas e médias empresas apontam para “a continuação da redução significativa do investimento em 2021, embora menos intensa que a registada em 2020″.

Segundo nota o INE, a diminuição de 16,3% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) empresarial em 2020 “representa uma considerável revisão em baixa face ao resultado obtido no inquérito de abril de 2020 (com período de inquirição entre 01 de abril e 25 de junho de 2020), que apontava para uma redução de 8,9% da FBCF, e contrasta significativamente com as perspetivas de crescimento de 3,6% reveladas no inquérito de outubro de 2019″.

“Esta evolução das perspetivas de investimento para 2020 entre os diferentes momentos de inquirição reflete, em grande medida, os efeitos da pandemia covid-19 na atividade económica, que conduziram ao cancelamento ou adiamento das decisões de investimento”, explica.

Entre as empresas da secção de indústrias transformadoras que apresentam uma vertente mais exportadora, o INE estima uma diminuição de 18,2% do investimento em 2020, “ligeiramente menos intensa que a observada para o conjunto das empresas desta secção (variação de -18,7%), mas mais acentuada comparando com o registado para o total das empresas (-16,3%)”.

Relativamente a 2021, perspetiva-se uma diminuição de 3,0% do investimento empresarial nas empresas exportadoras, o que compara com um maior decréscimo previsto para o conjunto das empresas da secção de indústrias transformadoras (-6,9%) e contrasta com um aumento para o total de empresas (3,5%).

Quanto ao indicador de difusão do investimento (percentagem de empresas que refere a realização de investimentos ou a intenção de investir), apresenta um perfil descendente em 2019, 2020 e 2021, situando-se em 88,4%, 78,1% e 74,9%, respetivamente.

A variação negativa de -16,3% da FBCF empresarial apurada para 2020 resultou dos contributos negativos de todos os destinos do investimento, sendo que o investimento em equipamentos, material de transporte, investimento em outros e em construções apresentaram, respetivamente, contributos de -8,6, -3,2, -2,5 e -2,0 pontos percentuais.

Para 2021, o crescimento do investimento total (3,5%) reflete os contributos positivos do investimento em construções, em equipamentos e em material de transporte (2,2, 1,5 e 0,2 pontos percentuais, respetivamente).

Em 2020 e 2021, para o total das atividades, o investimento de substituição destacou-se como o principal objetivo do investimento (com um peso de 41,2% na média dos dois anos), seguindo-se o investimento de extensão da capacidade de produção (35,2%).

Já os objetivos de outros investimentos e de racionalização e reestruturação representaram, respetivamente, 14,3% e 9,4% do total do investimento empresarial na média dos dois anos.

O INE prevê que o peso relativo do investimento de extensão da capacidade de produção diminua 1,7 pontos percentuais entre 2020 e 2021, enquanto a importância relativa do investimento de substituição, do investimento em outros fins e da racionalização e reestruturação deverá aumentar (1,0, 0,5 e 0,2 pontos percentuais, respetivamente).

O autofinanciamento é apontado como a principal fonte de financiamento para o investimento das empresas inquiridas, representando em média 68,0% do total em 2020 e 2021, seguindo-se o recurso ao crédito bancário (indicado por 17,6% das empresas na média dos dois anos).

Entre 2020 e 2021 observa-se um “ligeiro incremento” do peso do autofinanciamento, que passa de 67,6% para 68,5%.

Segundo o INE, a percentagem de empresas com indicação de limitações ao investimento diminuiu “de forma ténue” em 2021, passando de 45,8% em 2020 para 45,7%, continuando a deterioração das perspetivas de venda a ser o principal fator limitativo ao investimento empresarial (36,8% e 38,5% em 2020 e 2021, respetivamente), seguido da incerteza sobre a rentabilidade dos investimentos (15,2% em 2020 e 16,8% em 2021).

O Inquérito de Conjuntura ao Investimento foi realizado a uma amostra de 3.599 empresas com mais de quatro pessoas ao serviço, com um volume de negócios no ano de seleção da amostra de pelo menos 125 mil euros.

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