“Temos capacidade de abrir novas linhas de crédito, estamos para isso autorizados pela Comissão Europeia e vamos fazê-lo”, afirmou o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, numa audição na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação que decorreu esta manhã na Assembleia da República, em Lisboa, sobre as consequências económicas da pandemia de covid-19.

Salientando que estas linhas de crédito lançadas na sequência da pandemia “fizeram, em dois meses, chegar às empresas o equivalente a um trimestre de crédito total às empresas do sistema bancário em anos anteriores”, Pedro Siza Vieira afirmou que o Governo está agora “a discutir com o sistema bancário a melhor forma de satisfazer a procura de crédito que não foi satisfeita” até agora.

“Temos que assegurar que cobrimos agora as margens, pelo que a prioridade na próxima abertura de uma linha de crédito será dirigirmo-nos a micro e pequenas empresas, que é onde há mais procura ainda não satisfeita”, adiantou.

Convicto de que “o impacto mais violento da crise se terá verificado na segunda quinzena de março e na primeira quinzena de abril”, o ministro disse que “maio foi já um mês de alguma recuperação, em que não apenas o ritmo de crescimento do desemprego se atenuou, como se começou a verificar algum crescimento nos índices de produção industrial e de confiança dos consumidores”.

“As medidas que o Governo apoiou foi para tentar fazer chegar liquidez às empresas por várias formas, seja através dos sistemas de incentivos, de linhas de crédito ou de moratórias fiscais e de contribuições para a Segurança Social e chegaram já a um conjunto muito significativo de empresas”, sustentou.

Relativamente aos sistemas de incentivos, Siza Vieira salientou que “foram também uma forma de dar liquidez às empresas, porque entre as moratórias aos reembolsos dos incentivos anteriores e a aceleração de pagamentos de pedidos que estavam formulados pelas empresas já foram injetados nas empresas 400 milhões de euros nos últimos dois meses”.

Segundo adiantou, o sistema Covid-inovação “teve uma procura muito superior aos 100 milhões de euros que foram inicialmente colocados no aviso”, tendo já sido aprovados apoios de 92 milhões de euros e estando previsto um reforço, inicialmente pelo Compete, em 75 milhões de euros, e depois com reforços adicionais.

Quanto ao programa Adaptar, dirigido a micro e pequenas e médias empresas, “já esgotou a dotação para as micro empresas e está também muito próximo disso nas de pequena e média dimensão”, disse, acrescentando que “toda a gente percebeu que foi uma boa ideia”, pelo que continuarão a ser disponibilizados neste âmbito recursos às empresas.

“É altura de salvar as empresas. Julgo que vamos ter, seguramente, um final de ano e um próximo ano que vai ser de um crescimento muito significativo das economias europeias e o que precisamos de assegurar é que as empresas sobrevivem até lá”, afirmou.

No que se refere aos pagamentos a fornecedores, o governante admitiu que a dívida do Estado a mais de 90 dias “era, em abril deste ano, ainda de 476 milhões de euros, menos 137 milhões de euros do que em fevereiro”, avançando que “muita desta dívida em atraso é dívida das autarquias locais e das regiões autónomas”, sendo “importante em todos os setores da administração trabalhar-se neste sentido”.

Quanto aos reembolsos de IRS, Pedro Siza Vieira disse ter a indicação “de que durante o mês de junho serão integralmente pagos”, assegurando que “não há gestão de tesouraria” a este nível.

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