Jerónimo de Sousa falava hoje à tarde no Celeiro do Cais da Vala, em Salvaterra de Magos, concelho atualmente de maioria socialista que já foi gerido pela CDU (perdido para o BE com a mudança da então presidente Ana Ribeiro para este partido), num comício realizado no âmbito da campanha “Emprego, Direitos, Produção, Soberania”.

“Em relação à Caixa Geral de Depósitos, os portugueses têm sido confrontados com sucessivos folhetins que a direita tem promovido a propósito de tudo e mais um par de botas – conferências de imprensa, comissões de inquérito -, agora são as tricas entre um ministro das Finanças e um ex-presidente de conselho de administração que não chegou a ser, depois é a correspondência secreta que não é tão secreta assim”, afirmou.

O líder comunista acusou PSD e CDS de acharem que “quanto mais encanzinarem, em particular o processo de recapitalização”, maior será a possibilidade de a privatização acontecer.

“Pelo papel que pode ter na economia portuguesa, no apoio às pequenas e médias empresas e no apoio às famílias é importante que acabe este folhetim, que se processe, realize e avance o processo da recapitalização e que a Caixa Geral de Depósitos continue pública como até aqui”, afirmou.

Para o líder comunista, a venda do BPI a um banco espanhol demonstra “claramente” que “a banca ou é pública ou não é nacional”, já que os centros de decisão acabam por ficar no estrangeiro.

“Não estou a fazer nenhuma suspeição em relação aos objetivos da direita quanto à questão da privatização. Passos Coelho, ele mesmo, admitiu essa possibilidade aqui há uns anos. Nisto não falam mas é nisto que pensam”, afirmou, acusando PSD e CDS de querem ainda “comprometer a nova fase da vida nacional, na mira de regressar ao poder e exercer uma política de vingança, de retrocesso” na reposição de rendimentos.

Reconhecendo “limitações e insuficiências” nesta “nova fase da política nacional”, Jerónimo de Sousa disse não ter dúvidas de que a maioria dos portugueses não quer um regresso “à política de cortes”.

Sobre as “limitações, constrangimentos e até contradições” em “opções e orientações” que o Governo socialista toma, o líder comunista referiu, em particular, a “conformação por parte do PS de opções que não rompem com a política de direita e que traduzem a sua vinculação com o grande capital e que se expressam, designadamente, no acordo com as confederações patronais na concertação social, na não eliminação da caducidade da contratação coletiva, na não assunção do princípio do tratamento mais favorável, renunciando à eliminação destas e doutras normas gravosas do Código do Trabalho e da legislação laboral da Administração Pública”.

Segundo Jerónimo de Sousa, “o compromisso do PCP é com os trabalhadores e com o povo e não com o Governo”, reafirmando que o seu empenhamento na solução governativa que saiu das últimas legislativas visa “lutar por uma vida melhor” para as pessoas, “devolvendo até esperança e confiança”.

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