“Ao encontrar um candidato para dirigir o FMI, como noutras decisões da União Europeia, devemos procurar consensos. Quero contribuir para isso, pelo que decidi não participar nesta fase do processo — a votação de amanhã”, informa Mário Centeno numa publicação feita através da rede social Twitter, numa alusão à eleição de sexta-feira.

Ainda assim, o governante garante permanecer “disponível para trabalhar numa solução aceitável para todos”, adianta na mesma publicação, feita originalmente em inglês e posteriormente em português.

A informação foi confirmada à agência Lusa por fonte do Ministério das Finanças, que reforçou que Mário Centeno não apresenta, assim, candidatura à votação de sexta-feira, quando os líderes da UE são chamados a escolher um candidato comunitário ao FMI.

Já fonte ligada ao processo especificou à Lusa que Mário Centeno retirou, assim, o seu nome para a votação de sexta-feira, “deixando de ser uma opção”, mas não deixa “de estar disponível como hipótese de consenso numa fase posterior do processo”.

“É uma forma de não alimentar uma divisão [dentro da UE], mas está disponível para uma solução de confiança” caso a votação de sexta-feira não tenha frutos, adiantou à Lusa a mesma fonte.

Com a desistência de Mário Centeno, continuam como candidatos o holandês Jeroen Dijsselbloem, o governador do banco central finlandês, Olli Rehn, a búlgara Kristalina Georgieva, atual 'número dois' do Banco Mundial, e a ministra das Finanças espanhola, Nadia Calvino.

Está, então, previsto que da discussão de sexta-feira de manhã saia um nome para candidato da UE ao FMI, tendo já o ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, admitido que serão feitas “várias votações, se necessário”, para chegar a um compromisso entre os 28 Estados-membros.
Na segunda-feira, 29 de julho, o Financial Times e a Bloomberg avançaram que a lista de candidatos para substituir Christine Lagarde na liderança do FMI foi reduzida para três, deixando de fora Mário Centeno e a espanhola Nadia Calviño. A informação foi depois desmentida pela França, que está a coordenar o processo para a escolha de um nome europeu.

As candidaturas à liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI) podem ser apresentadas até 06 de setembro. A instituição vai escolher o novo diretor-geral até 04 de outubro.

A atual diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, apresentou a sua demissão no passado dia 16, com efeitos a partir de 12 de setembro, para presidir ao Banco Central Europeu (BCE).

"A pessoa que ocupe o cargo de diretor-geral deve ter um percurso excecional no domínio da política económica a um nível de alta responsabilidade", precisa o FMI. Deve também ter "reconhecida carreira profissional", demonstrar "capacidade de gestão e aptidão diplomática" para dirigir uma instituição de envergadura mundial e ser oriunda de um dos 189 países membros da organização.

O FMI exige ainda "conhecimento do FMI e das questões de política económica com as quais são confrontados os países membros da instituição na sua diversidade", provas de capacidade de objetividade e de imparcialidade e aptidão para comunicar com eficácia.

Se houver mais de três candidatos, o conselho executivo pré-selecionará três pessoas em função do apoio mais forte, "sem privilegiar qualquer região", estando previstas audições em Washington.

O objetivo é que o diretor-geral seja escolhido por consenso.

Desde a sua criação em 1944, o FMI foi sempre liderado por um europeu, enquanto a liderança do Banco Mundial é ocupada por um norte-americano.

Na semana passada, o governo francês anunciou que vai coordenar os trabalhos na Europa para que seja apresentado um único candidato à sucessão de Lagarde.

(Notícia atualizada às 21h23)

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