“O défice das Administrações Públicas em contabilidade pública, no ano de 2020, situou-se nos 10.320 milhões de euros um agravamento de 9.704 milhões de euros face a 2019, explicado pela pandemia covid-19”, afirma o Ministério das Finanças no comunicado que antecede a divulgação da Síntese de Execução Orçamental pela Direção-Geral do Orçamento (DGO).

O ministério tutelado por João Leão adianta que a degradação do saldo das contas públicas, em consequência da pandemia, resulta do efeito conjugado de redução da receita, em 5,6%, e do acréscimo da despesa em 5,3%.

“Por um lado, os impactos adversos na economia provocados pela crise sanitária traduziram-se numa redução acentuada da receita fiscal e contributiva; e por outro verificou-se um acréscimo na despesa motivado pelas medidas extraordinárias de apoio a famílias e empresas”, adianta o comunicado, sublinhando que estes efeitos “justificam um agravamento adicional do saldo de, pelo menos, 4.532 milhões de euros”.

A justificar este agravamento adicional de 4.532 milhões de euros está uma quebra de receita de 1.426 milhões de euros provocada sobretudo pelo impacto da suspensão dos pagamentos por conta em 695 milhões de euros e pela perda de receita contributiva resultante da isenção de pagamento da Taxa Social Única (TSU) no âmbito do ‘lay-off' simplificado, apoio à retoma progressiva e incentivo financeiro à normalização da atividade empresarial estimada em 509 milhões de euros.

A estes efeitos acrescem ainda, detalham as Finanças, a prorrogação do pagamento do IVA, suspensão de execuções da receita e medidas de isenção ou redução da taxa contributiva cujo impacto ascende a 222 milhões de euros.

Relativamente à despesa, que cresceu 3.105 milhões de euros, esta evolução reflete o impacto das medidas associadas ao ‘lay-off’ no valor de 881 milhões de euros, outros apoios suportados pela Segurança Social (740 milhões de euros), aquisição de equipamentos na área da Saúde (641 milhões de euros) e no âmbito do incentivo extraordinário à normalização (284 milhões de euros).

O Ministério das Finanças assinala ainda que em 2020 a receita fiscal recuou 6,2%, com a generalidade dos impostos a evidenciar quebras que refletem a contração da atividade económica – com o IVA a quebrar 8,6% em termos homólogos - e a suspensão dos pagamentos por conta de IRC.

Já as contribuições para a Segurança Social “reduziram-se em 0,8% na sequência do abrandamento da atividade económica e dos meses mais intensos do ‘lay-off’ simplificado, bem como da isenção de pagamentos no âmbito das medidas anteriormente enunciadas”.

O ministério tutelado por João Leão aponta ainda o crescimento de 6,4% da despesa primária “significativamente influenciada pelo forte crescimento da despesa da Segurança Social (subida de 12,5% ou mais 3.324 milhões de euros), dos quais 1.897 milhões de euros associados à covid-19”, representando 98% do montante orçamentado no Orçamento Suplementar.

O comunicado destaca também os acréscimos na despesa com pensões (3,3%) e outras prestações sociais excluindo medidas específicas covid-19 (12,1%), relacionadas sobretudo com prestações de desemprego (27,5 %), subsídio por doença (22%) e Prestação Social para a Inclusão dirigida a pessoas com deficiência (18,4%).

“A despesa com salários dos funcionários públicos cresceu 3,7%, refletindo o descongelamento das carreiras, destacando-se o forte aumento de 5,3% da despesa com salários dos professores”, lê-se no mesmo documento.

O Ministério das Finanças assinala que, na sequência da resposta à pandemia, a despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) “aumentou de forma muito expressiva a um ritmo próximo de 7% (6,8%)”, destacando-se o crescimento extraordinário do investimento (+65,4%) que atingiu os 262 milhões de euros.

Ainda ao nível da Saúde, é referido que também as despesas com pessoal registaram um aumento de 6,1%, em grande parte devido ao acréscimo do número de profissionais de saúde do SNS (+ 6,8%), o que corresponde a mais 9.078 novos trabalhadores em 2020.

O investimento público, por seu lado, cresceu 16,3% na Administração Central e Segurança Social, excluindo Parcerias Público-Privadas (PPP) “refletindo a dinâmica de crescimento associada a investimentos estruturantes e aquisição de material médico para o combate à covid-19 destinado aos hospitais”.

No final de 2020, os pagamentos em atraso no SNS atingiram 151 milhões de euros, um mínimo histórico, segundo o Ministério das Finanças, que reflete uma redução de 109 milhões de euros. Esta quebra explica que, refere o Ministério das Finanças, os pagamentos em atraso nas Administrações Públicas tenham caído 53 milhões de euros face a dezembro de 2019.

[Notícia atualizada às 17:56]

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