“Em primeiro lugar, gostava de vos dar os parabéns pelo excelente trimestre que estamos a ter até agora. É provavelmente o melhor na história da Tesla e em grande parte isso deve-se aos vossos esforços”. Começa assim a carta que Elon Musk, o patrão da Tesla, enviou aos seus empregados no final de setembro. Começa com um elogio, mas o motivo real da missiva é algo que enfureceu Elon Musk. E o que a tornou notícia foi a forma directa e transparente como se dirigiu aos empregados da Tesla sobre aquelas que considera que devem ser as regras da empresa.

Começando pelo que enfureceu Elon Musk: o facto de ter percebido que, contrariando a política da empresa, existiam situações em que os carros da Tesla estavam a ser vendidos com descontos. Algo que estava expressamente assumido que não se podia fazer, uma vez que uma das premissas da política da empresa é “não há negociação, não há descontos”.

Na carta enviada aos empregados, o patrão da Tesla é claro: “é absolutamente vital que estejamos alinhados no que respeita à nossa política de que não há negociação nem desconto no preço, que tem sido verdade desde que começámos a aceitar encomendas há 10 anos, mesmo durante os anos terríveis da recessão de 2008/2009”. A excepção, sublinha, é quando os carros já foram usados em exposição ou testes ou têm algum defeito. “No entanto, nunca pode existir – e sublinho nunca – desconto num carro que acabou de sair da fábrica. (…) É por essa razão que eu pago o preço tabelado do carro, e o mesmo se aplica à minha família, amigos, celebridades, não importa quão famosos ou influentes”.

“Se não conseguimos explicar a um cliente que pagou o carro ao preço definido porque razão outro cliente não pagou o mesmo preço, sem ficarmos embaraçados, algo não está certo. Ou ganhamos de forma justa e correcta ou perdemos com a nossa honra intacta e aceitamos as consequências”.

Elon Musk terá sido alertado para situações de desconto através de um post no Reddit, em que um cliente relatava a sua experiência de atraso na entrega do carro e na proposta de compensação através de um desconto. (O mesmo cliente que, posteriormente, e fazendo referência aos seus 15 minutos de fama no Reddit, veio deixar claro que tinha sido tratado de forma correcta pela empresa, sem nenhuma situação de favor ou de pressão para a venda).

A carta tem sido referenciada nos meios de negócios e de gestão, e também na redes sociais, como um exemplo de boa liderança. Musk não se limitou a usar o seu poder e autoridade, e resistiu a responder de forma abrupta num momento de fúria. Ao invés, optou por outra abordagem. Assumiu que talvez nem todos pudessem ter percebido que a política da empresa é efectivamente de não fazer descontos e assegurou que, daqui para a frente, não existirão essas dúvidas (até pela ênfase com que sublinhou que tal nunca poderá acontecer). Além disso, passou a responsabilidade moral da decisão para cada um dos empregados da Tesla ao explicar o que entende por justiça e transparência na relação com todos os clientes.

A carta termina como começa: a agradecer o trabalho que está a ser feito. “Desculpem-me pela linguagem draconiana, uma vez que estou super grato pelo vosso trabalho, mas não há nada que seja mais importante do que a nossa integridade como empresa. Os clientes precisam de ter a absoluta certeza que contam sempre com a Tesla para fazer o que está certo”.

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