Em declarações à Lusa, David Braga Malta, vogal da direção da associação e coordenador do programa Bio-Saúde 2003, considerou que a covid-19 redefiniu publicamente a importância das ciências da vida e o peso que estas poderão ter perante eventuais emergências sanitárias no futuro.

“Precisamos de ter uma biotecnologia forte, produtos desenvolvidos em Portugal e capacidade de resposta para conseguirmos enfrentar novas crises de saúde. Infelizmente, o que a ciência nos mostra é que, provavelmente, vamos ter mais ciclos graves e temos de estar preparados”, afirmou, numa alusão à dependência externa de equipamentos médicos e meios de diagnóstico.

Ao reclamar uma aposta nas “várias valências” do setor, David Braga Malta apelou para “uma visão a médio prazo” e um investimento para a década, com recurso a fundos estruturais do programa Portugal2020 e a verbas comunitárias desbloqueadas pela Comissão Europeia.

“Poderemos falar de um investimento na década de cerca de cinco mil milhões de euros, que deve ser feito pela utilização de fundos estruturais e por investimento privado. A Comissão Europeia já flexibilizou as regras de utilização do capital face à pandemia em que vivemos, pelo que só cabe ao Estado português decidir ou não se quer fazer essa aposta”, vincou.

Segundo David Braga Malta, a área das ciências da vida significa um peso de 10% nos gastos da Saúde, ou seja, 1% do Produto Interno Bruto (PIB), contribuindo também com 1,5 mil milhões de euros para as exportações nacionais. Para o responsável da P-BIO, o crescimento deste setor deve passar pelo reforço da ligação entre universidades e empresas.

“Temos um problema ao nível da transferência da tecnologia e essa transferência tem de ser feita por dois vetores: a relação entre as grandes empresas do setor e a academia, mas também pelo setor das empresas inovadoras, ou seja, com uma transferência da tecnologia na cadeia de valor. Para resolvermos o problema temos de ter esta aposta dual”, frisou.

Entre as principais medidas do Bio-Saúde 2030 estão a proposta de alocação de 10% dos gastos dos estados da União Europeia em pequenas e médias empresas comunitárias e de outros 10% a empresas de capital europeu para garantir a capacidade industrial; a constituição de uma reserva estratégica europeia de capacidade produtiva para a saúde, a promoção de emprego altamente qualificado e a aposta em investigação e desenvolvimento clínico como meio de financiamento do Serviço Nacional de Saúde.

O vogal da direção da P-BIO assumiu que já existiram “contactos informais” com o Governo, realçou a “abertura” demonstrada e garantiu que a ambição passa pela criação de um grupo de trabalho com vista à operacionalização do projeto até ao final do ano.

“É importante para o país não só como aposta estratégica de médio prazo, mas também para o relançamento da economia. Estamos numa crise económica grande, mas temos de pensar a médio prazo rapidamente para garantirmos que o país possa ser mais capaz de dar resposta a problemas globais”, explicou, reforçando: “Se não tivéssemos a biotecnologia nesta pandemia, estaríamos a correr para um precipício com uma venda nos olhos”.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 254 mil mortos e infetou quase 3,6 milhões de pessoas em 195 países e territórios. Mais de um 1,1 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.074 pessoas das 25.702 confirmadas como infetadas, e há 1.743 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

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