"Nós tentamos que o investimento chinês progrida. Não consideramos que seja do interesse de Portugal desmerecer do investimento chinês", defendeu hoje o chefe da diplomacia portuguesa, intervindo na sessão de abertura de uma conferência sobre os "Trinta Anos da Declaração Conjunta. Portugal, a China e Macau", na Fundação Oriente, em Lisboa.

No entanto, Santos Silva salientou que "o investimento chinês que mais interessa atrair é de natureza produtiva, mais dirigido para os setores produtivos da economia, isto é, para o setor agroindustrial e para o setor industrial manufatureiro".

Antes, o governante comentou que o investimento chinês penetrou "setores muito importantes" da economia nacional, como a energia, a banca e os seguros, e destacou o facto de se tratar de um investimento "que vem para ficar" e não ser "de curto prazo, que procura uma rentabilidade imediata a qualquer preço".

Depois de observar que as relações entre Portugal e a China "estão hoje muito mais avançadas do que há cinco ou dez anos, e há caminho para esse relacionamento económico", o ministro alertou que "isso implica reciprocidade", e, nesse sentido, apontou a necessidade de os produtos portugueses, nomeadamente os agroalimentares, encontrarem menos barreiras à entrada no mercado chinês.

Na sua intervenção, Santos Silva destacou que Portugal é, dos países ocidentais, o que consegue "compreender melhor o que se passa na China e como nos podemos relacionar", dada a "ligação especial" entre os dois países, que há 30 anos acordaram os termos da transição da Região Administrativa Especial de Macau para a administração chinesa, consumada em 1999.

"O relacionamento de Portugal com a China tem-se feito ao longo destes 30 anos num momento histórico de uma grande mudança em curso na civilização chinesa e no Estado chinês, e cujos futuros desenvolvimentos não conseguimos antecipar totalmente", disse.

Para ilustrar o bom relacionamento entre os dois países, Santos Silva recordou que a China, um dos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU - com capacidade de veto sobre a escolha do secretário-geral da organização -, foi, logo a seguir à França, apoiante da candidatura do antigo primeiro-ministro português António Guterres ao cargo, baseando-se no argumento de que os chineses conheciam os portugueses, que tinham cumprido todos os compromissos feitos há 30 anos.

O ministro referiu ainda a grande aposta da China no ensino do português e, em particular, o papel de Macau, que "tem hoje programas de ensino e aprendizagem de português como nunca teve" e se está a afirmar "como a plataforma de projeção do ensino de português para todo o subcontinente chinês".

Por fim, o chefe da diplomacia portuguesa destacou o "relacionamento triangular" entre a República Popular da China, Portugal e os países de língua portuguesa de África - e que se tem consolidado através do Fórum Macau.

"É uma plataforma institucional que nós podemos usar cada vez mais para estimular o relacionamento dos países de língua portuguesa com a China, e estimulando o papel capital de Portugal na intermediação", considerou.

Este, acrescentou, "é um dos pontos mais importantes no mundo em que se percebe melhor por que é que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa está muito longe de ser uma bandeira ou um tópico de discursos mais ou menos afetivos".

A parceria entre Lisboa e Pequim é, aliás, uma área de aprofundamento do relacionamento bilateral: "O modo como Portugal e China podem olhar-se a si próprios como parceiros no investimento em países africanos de língua portuguesa e em países africanos em geral é um dos pontos essenciais do progresso do relacionamento bilateral", sublinhou.

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