Com tantas incertezas fomentadas pelo COVID-19, temos de nos perguntar se será esta uma boa altura para os futuros empreendedores considerarem começar um negócio? São várias as histórias de sucesso que, no passado, nos chegaram aos ouvidos e nos fazem crer ser possível criar um negócio durante uma recessão ou, neste caso, uma pandemia global. Uma história que se destaca é a da empresa hoje avaliada em 500 milhões de dólares NerdWallet. A empresa foi fundada por Tim Chen durante a crise financeira de 2008-2009 e, de acordo com ele, estamos perante um momento "fantástico" para começar um negócio, uma vez que mais ninguém está a considerar fazê-lo.

Não há certezas de que uma empresa possa prosperar no atual clima económico. Por isso, antes de se considerar iniciar um negócio durante o surto de COVID-19, é importante ter em conta os prós e os contras.

Desta forma, neste artigo, iremos examinar os diferentes fatores envolvidos na criação de um negócio num momento como este, focando-nos especificamente no acesso a financiamento e a trabalhadores, na concorrência existente no mercado e se valerá a pena desenvolver uma nova ideia.

1. Financiamento

Este é, obviamente, um recurso muito procurado e competitivo no mercado atual. Ultimamente, devido à pandemia, a maioria dos investidores estão focados em investimentos domésticos, em vez de procurarem oportunidades noutras áreas fora de seu interesse direto. Por isso, empresas europeias podem ter dificuldades em angariar fundos de investidores dos Estados Unidos. Infelizmente, devido à natureza do bloqueio global, será quase impossível para as empresas concentradas no setor das viagens e do turismo obter financiamento neste momento. Os investidores estão focados em controlar os danos causados nos seus portfólios atuais enquanto esperam para ver como os mercados vão reagir assim que a pandemia estiver controlada.

Por outro lado, desde a semana passada, o governo português tem vindo a implementar medidas de apoio a startups e pequenas empresas. A mais recente corresponde ao lançamento da Portugal Ventures Call para investimentos em startups. Esta iniciativa fornece investimento a partir de 50.000 euros para empresas de todos os setores e tecnologias.

2. Empregabilidade

A Covid-19 está a impactar a economia e o emprego locais. De acordo com o Relatório Sobre a Estabilidade Financeira Mundial, de abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê, para este ano, uma recessão de 8% na economia portuguesa, projetando uma taxa de desemprego a duplicar de 6.5% para 13,9% em 2020. Se se confirmar, significa que um grande número de pessoas irá precisar de emprego.

Dependendo da estabilidade financeira do empreendedor e do seu negócio, esta pode ser uma boa oportunidade para contratar funcionários com talento e, assim, reduzir a taxa de desemprego. Existe uma iniciativa local, uma plataforma chamada Zero Gravity, cujo objetivo é ajudar a promover o emprego e o trabalho remoto. É destinada a empresas internacionais que procuram conhecimento técnico para explorar o imenso conjunto de talentosos profissionais de tecnologia de Portugal.

É provável que os trabalhadores qualificados que não consigam encontrar emprego durante este período considerem trabalhar por conta própria para obter uma fonte alternativa de rendimento. Este pode ser o momento perfeito para encontrar o co-fundador ideal para complementar as suas habilidades e iniciar um novo negócio com uma equipa equilibrada e experiente.

3. Competição

Isto leva-nos ao elemento competitivo inerente à criação de qualquer negócio. Num mercado de trabalho como o de hoje, cada vez mais estagnado, onde as empresas estão a contratar menos, os dados da Fundação Kaufman demonstram que mais empreendedores irão fundar novas empresas simplesmente porque não conseguem encontrar outro emprego. Tim Chen compartilhou que, quando fundou a NerdWallet no início de 2009, praticamente mais ninguém estava a tentar criar uma empresa de finanças pessoais. Explicou, à data, que qualquer concorrente existente estava demasiado preocupado com o stress financeiro e com a angústia de contratar trabalhadores de qualidade.

4. Ideias

À medida que surgem novos desafios, os empreendedores irão procurar lucrar com soluções que respondam aos problemas atuais e futuros, abrindo caminho para novos negócios e transformando os mercados tradicionais em empresas novas e versáteis. É importante manter um pensamento positivo e apresentar a melhor ideia o mais cedo possível. Nuno Gonçalves Pedro, um respeitado empreendedor e investidor, partilhou recentemente alguns conselhos bastante úteis, relembrando-nos da importância de sermos realistas, positivos e não investir o nosso tempo e recursos numa nova ideia que claramente não tem pernas para andar.

Finalmente, é necessário fazer o possível para manter o nosso ecossistema em movimento e garantir, assim, a estabilidade e o crescimento do nosso futuro económico.

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Um artigo do parceiro

No seguimento da propagação da pandemia do novo coronavírus, muitas empresas tiveram que tomar medidas relativamente à forma como iriam passar a operar. O trabalho remoto passou a ser uma realidade e a organização à distância tornou-se num desafio para muitas empresas do nosso país. Neste contexto, a Startup Portugal une-se ao SAPO 24 e ao The Next Big Idea numa parceria em que, através de uma série de artigos, procurará dar o seu contributo para ajudar as empresas, startups e empreendedores neste período desafiante.