“Que os custos de suportar o sistema financeiro sejam suportados pelos contribuintes é mentira. É bom que as pessoas tenham noção disso”, afirmou numa conferência de imprensa hoje em Lisboa, acrescentando que os “grandes sacrificados são os acionistas”.

O BPI reuniu hoje os jornalistas para uma ‘Reflexão sobre o sistema bancário’, em que o presidente executivo do banco apresentou contas feitas pelo banco quanto às relações de deve e haver entre os bancos e Estado português entre 2001 e 2017 (entre aumentos de capital na Caixa Geral de Depósitos, Banif e BPN e ainda garantias de Estado, ajuda estatal para capital dos bancos e empréstimos ao fundo de resolução bancários, sobretudo para Novo Banco).

A conclusão a que chega o banco liderado por Fernando Ulrich é que o Estado terá tido perdas entre 8.000 e 10.400 milhões de euros com o sistema bancário nos últimos 16 anos e ganhos de 3.969 milhões de euros. Ou seja, as perdas líquidas dos contribuintes rondam os 4.400 a 6.400 milhões de euros.

Quanto apenas ao BPI, Ulrich disse mesmo que o Estado ganhou 102 milhões de euros, uma vez que o banco pediu 1.500 milhões de euros em junho de 2012 para se recapitalizar em obrigações de capital contingente (CoCos), que reembolsou totalmente em 2014, tendo pagado 167 milhões de euros em juros desse empréstimo.

O BPI estima que para emprestar esse dinheiro o Estado tenha pagado 65 milhões de euros de juros ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o que dá um lucro de 102 milhões de euros para o Tesouro público com esta operação.

“No que toca ao sistema bancário e ao esforço fazer para estabilizar o sistema financeiro português quem fez esforço e teve perdas foram os acionistas. Estes números mostram que sucessivos Governos protegeram bem os interesses dos contribuintes”, afirmou.

Segundo as contas do BPI, o BES/Novo Banco já levou, desde 2011, um aumento do capital de 13.111 milhões de euros, o BCP de 9.405 milhões de euros, a Caixa Geral de Depósitos de 8.4940 milhões de euros, o BPN de 5.824 milhões, o Banif de 4.713 milhões e o BPI de 853 milhões.

O BPI destacou ainda que todos os outros bancos distribuíram poucos dividendos face aos aumentos de capital feitos, enquanto o BPI aumentou capital em 853 milhões, mas distribuiu 799 milhões aos acionistas.

“Esta mensagem é importante porque o que se ouve é que quem paga sempre são os contribuintes, mas o esforço dos contribuintes é muito baixo quando comparado com o dos acionistas. E baixo quando comparado internacionalmente”, rematou Fernando Ulrich.

O gestor mostrou-se preocupado com a “destruição de capital dos bancos” que houve nos últimos anos em Portugal, mas não quis fazer juízos de valor, considerando que boa parte tem que ver com perdas no crédito.

Nesta conversa com jornalistas, não quis falar da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo Caixabank sobre o BPI (principal acionista do banco, com 45,5%), nem sobre o processo de venda do Novo Banco.

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