Lemos sobre a morte de mulheres à mão dos maridos, ex namorados, companheiros. Temos escrito muito sobre feminicídio e lutado por medidas de prevenção e por justiça que, tantas vezes, é quase impossível de conseguir. Pasmamos com as estatísticas que mostram que a violência doméstica é uma realidade terrível, concreta e comum. Sim, muitas famílias em Portugal vivem, diariamente, num regime de violência física ou psicológica. Não são famílias de classe económica menos favorecida, são famílias de todas as classes económicas. Não vale a pena tentar mitigar o problema, existe e será, decerto, agravado com a situação que agora vivemos.

Em tempo de confinamento, com a quarentena sem fim à vista, a combater a propagação deste vírus que mudou radicalmente as nossas vidas, o que acontece no seio dessas famílias que agora estão fechadas dentro de quatro portas sem possibilidade de fuga? Viver no terror de uma agressão, viver a medo, é, para muitos de nós, impensável ou até inimaginável. Talvez por isso existam muitas publicações a brincar com a resistência das relações amorosas. E a ironia é constante: Agora é que vais ver se o teu casamento é feliz. Ou outra pérola: Falei com a minha mulher mais do que uma hora, afinal até uma mulher simpática, não tinha ideia. Coisas destas servem para rir e rir é importante, precisamos do riso para combater medos, dor e angústia. Mas, para muitas mulheres, crianças e homens, vítimas de agressão constante por parte de companheiros ou pais, estes dias são pouco propícios ao riso. Convém recordar que vale a pena estar atento, que devemos ajudar quem peça ajuda e que existem linhas de apoio:

- Linha de emergência: 112
- Linha Nacional de Emergência Social: 144 (24h/dia)
- Serviço de informação a vítimas de violência doméstica (chamada gratuita 24h/dia): 800 202 148
- Linha da Segurança Social: 300 502 502
- Linha SOS Criança: 116 111

Nos dias que correm, a tecnologia quase parece dominar a nossa existência e também aí existem agressões. Assim, saiba que a APAV e a empresa de cibersegurança Kaspersky têm uma parceria para promover a consciencialização face ao assédio digital. Violação da privacidade e stalkerware. Não sabe o que é? APAV explica: Imagine-se a trocar mensagens no WhatsApp do seu telemóvel. A realizar pesquisas no Google. A colocar uma morada no GPS. Todos estes movimentos são feitos naturalmente sem que se aperceba que existe alguém, do outro lado, a controlar silenciosamente (e sem deixar rasto) cada passo que dá com o seu smartphone. O stalkerware consiste em aplicações de spyware que são instaladas em dispositivos móveis sem que os utilizadores autorizem ou detectem a sua presença, uma vez que os programas são executados em segundo plano”. O número de utilizadores atacados cresceu exponencialmente no mundo inteiro. Em Portugal, entre 2018 e 2019, o número de vítimas aumentou 97%, ou seja de 96 vítimas para 189 vítimas declaradas. Ricardo Estrela, gestor da Linha Internet Segura da APAV, explica que “o stalkerware merece toda a nossa atenção. Não apenas porque se trata de uma forma de cibercrime, mas também porque existe uma elevada probabilidade de estas vítimas também já terem sofrido, ou estarem em risco de sofrer, algum tipo de violência física ou psicológica por parte do seu parceiro/a. É necessário sensibilizar a população para este fenómeno para facilitar a sua identificação e forma de agir. Muitas das vítimas de stalkerware desconhecem de que forma os agressores conseguem ter acesso a tanta informação pessoal, levando a que muitas vezes não denunciem estas situações por falta de meios de prova”.

A APAV, através da Linha Internet Segura, presta apoio a vítimas de cyberstalking de forma gratuita e confidencial através do número 800 219 090 (gratuito).

Uma agressão tem várias formas de manifestação, pode ser física, psicológica, violação de privacidade, assédio. As vítimas precisam de saber que existem plataformas de denúncia e apoio. Nos dias que vivemos é urgente que estejamos atentos a quem possa ser agredido. O confinamento a casa não ajuda? Não, não ajuda nada.

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